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                 Ano I I I Edição n.º 867   Sexta-feira,  09 de Setembro de 2005

 

A IGNORÂNCIA NOS FAZ SOFRER

Através dos profetas Deus nos alertou que seu povo padecia por falta de conhecimento.  Esta informação foi de novo sugerida quando nos visitou pessoalmente como Filho de Deus, sob o nome de Jesus de Nazaré.  Conheceríamos a  verdade depois da sua partida, dizia, e essa verdade nos faria livres.  Dessa verdade ele nunca falou durante aquela estadia, pois veio com outro propósito. Veio na qualidade de um judeu para cumprir a Lei deixada por Moisés e dá-la por terminada com sua morte.

        Depois de se ressuscitar e ascender, já não como um judeu de nome Jesus de Nazaré mas sim como Jesus Cristo, o Ressuscitado, chamou ao terceiro céu um eminente  doutor na Lei de Moisés chamado Saulo de Tarso, mais conhecido como Paulo.  Aí no terceiro céu Cristo lhe revelou os conhecimentos em volta daquela verdade libertadora  a qual ele mesmo anunciara.  Eram conhecimentos até então ocultos, informações de longe transcendentes aos recebidos por Paulo nos longos estudos da sinagoga.

       O Apóstolo Paulo começava a compreender os mistérios atras do plano da salvação da humanidade.  Recebeu com isso a chamada de dedicar energia na tarefa de por os fundamentos da tal verdade nas suas cartas.   Escreveu-as todas no antigo grego, a língua franca da intelectualidade internacional daqueles dias, pois  tal verdade estava dirigida ao mundo inteiro.   Dizia ele que o evangelho, no falar luso a boa notícia, difundida e veementemente defendida por ele, era o poder de Deus para a salvação dos crentes.

       Gente da minha terra, já se pode ver que até a salvação está baseada em conhecimentos. Espero que os políticos das ilhas do Amador, e africanos em geral,  já não tenham dúvidas sobre o meu critério educativo em vários escritos anteriores. Sem conhecimentos não podemos manejar nosso diário viver, e muito menos as riquezas, sejam elas a cana-de-açúcar, o café, o cacau, o petróleo, o turismo, ou qualquer outra coisa. Há que educar-se, e educar-se continuamente.  Para prosperar, uma nação está obrigada a adquirir informação de qualidade. Deve buscar conhecimentos amplos, variados e especializados, conhecimentos normalmente conseguidos por meio do sistema educativo formal.  Reitero, estamos fritos e lixados se não nos aferramos à educação como a primeira prioridade de investimento.

As Mensagens    

No meio dessa tarefa tão prioritária que é a nossa educação, devemos sobretudo expor-nos aos conhecimentos deixados pelo Criador, pois Ele, como antes havia indicado, é aquele que está encima da educação.  Dizia Jesus de Nazaré, ‘’busquem primeiro o Reino dos céus e todas as outras coisas lhes serão dadas’’. 

        O Reino dos céus tem um portão de entrada, e esse portão não está lá em cima nas nuvens como os religiosos nos fazem pensar. Está aqui na terra e agora.  Esse portão, senhores e senhoras, é o conhecimento da tal verdade libertadora cujos fundamentos foram deixados por Paulo.

         Um inventor mais sabe do funcionamento da sua  invenção que o operador.  Este deve ler o manual de uso emitido pelos vinculados à informação deixada pelo  inventor.  Da mesma maneira, por mais inteligente que seja o homo sapiens, sem as directrizes do seu Criador, ele não pode fazer nada que valha ou perdure, já que a capacidade da criatura já léguas abaixo da sabedoria daquele que a criou.  Sem a sua presença o ser humano, fracassa.  Com Ele, o homem se destina ao êxito.  Dia a dia, devemos estar regidos por um contacto permanente com os conhecimentos enviados por Ele.

       Esse corpo de conhecimentos muito contrasta com as ciências humanas, pois não se baseiam em experiências nem em evidencias provadas ou verificáveis, nem no pensamento lógico.  Se fundamentam na sabedoria divina revelada aos humildes que reconhecem a veracidade e superioridade da informação divina sem se dependerem de provas, homens e mulheres predestinados antes da fundação do mundo físico para chegar a entender os mistérios. 

        ‘’Abençoados são aqueles que crêem ainda sem ter visto’’, disse Cristo a Tomé, um dos onze apóstolos cujo nome foi dado a uma das nossas ilhas.  A verdade é que Tomé nunca soube acerca da graça de Deus, pois naqueles dias tal informação foi dada somente a Paulo. 

          Pois bem, os que buscam provas funcionam com a mente carnal, como funcionou Tomé na sua incredulidade.  Querem ver para crer, uma atitude desagradável a Deus, porque não parte da fé.  O homem carnal quer provas, mas onde há provas ou busca de provas não há fé, já que fé significa crer sem ter evidencias. 

         Para a lógica carnal amadurecida estes conhecimentos soam muito fora de série e parecem difícil de entender.  Parecem irracionais.  Porém, para os que sabem pôr a lógica humana aparte, para os que tēm a mente como a de uma criança, tais conhecimentos são sumamente fáceis.  Dizia Jesus de Nazaré que o Reino dos céus era para gente dessa qualidade.

        Mas só parecem ilógicos os pensamentos divinos. Por exemplo, a lógica humana não aceitava até há uns escassos séculos que a Terra era redonda, a pesar de que alguns cientistas já falavam do assunto como sendo as suas tímidas conclusões. Mas, muito antes dessas conclusões, cabalmente rejeitadas pelo mundo ‘’lógico’’, o facto da Terra ser redonda  já nos havia sido dado pelos profetas milénios antes!

        Outro exemplo da superioridade dos conhecimentos dados por Deus é que só recentemente na história os cientistas concluíram que a água sai do mar, forma as nuvens, cai sobre a terra em forma de chuva, corre em forma de rio, e outra vez regressa ao mar, formando um ciclo completo.  Mas disso falam as escrituras quando se referem ao ciclo da agua. Outra vez, está na Bíblia, num dos referidos livros,  obras entre as mais antigas da historia.          Deus bem nos alertou, ‘’Meus pensamentos não são vossos pensamentos.’’

        Na Bíblia estão também estruturados a ciência divina quanto a salvação do homem aqui e agora, e isto é o que mais nos deve interessar.  Essa informação se encontra, não obstante, como que codificada, para só a entenderem os crentes escolhidos como filhos de salvação, e que só a entendam quando ouçam a mensagem chave que a  descodifica, uma mensagem proferida da boca de um homem eleito por Deus e anunciado há dois mil anos por Paulo como aquele que edifica sobre os seus alicerces.   Essa entidade falaria com base nos fundamentos deixados pelo primeiro, e clarificaria tudo.  Ele seria o construtor enquanto Paulo era o arquitecto.

       Os eleitos filhos da salvação, também denominados filhos de Deus, escolhidos mesmo antes da fundação do universo físico são os homens e mulheres que ao ouvirem a tal verdade proferida pelo edificador, acham-na clara, lógica, e congruente com as declarações de Paulo, pois nasceram com este conhecimento no seu interior.  Já o haviam aprendido antes da criação do universo físico e, quando o ouvem pregar, tudo soa agradável.

        Jesus falava em parábolas, melhor dizendo, em mensagens codificadas, precisamente para que os não eleitos, os filhos de perdição,  não tivessem a mínima ideia sobre o grande plano desenhado.  Os filhos de perdição, sementes directas de Adão, nunca gostarão da tal verdade libertadora, nem aceitarão o edificador da mensagem de Paulo.  Nascem para um propósito definido e bem diferente ao dos escolhidos. Quando terminam esse propósito, tudo para eles chega ao fim, e unicamente esperam a sua morte.  Morrem, literalmente, tal como passa a um animal qualquer, ao contrario com o que passa com os escolhidos.

        A raça humana viu vários exemplos dos filhos da perdição, claramente citados na Bíblia, como foram, por exemplo,  Caím e Judas Escariotes.  Não mencionarei muitos porque creio não ser meu dever identificá-los, nem estou qualificado para faze-lo.  

        Quero, porém, deixar claro que os filhos de perdição sempre existiram junto com os filhos de salvação, e muitas vezes como irmãos sanguíneos. Sabemos, por exemplo, de Caim e Abel, dois irmãos.  Sabemos de Esaú e Jacob, dois gémeos, sendo Jacob o escolhido, irmãos que brigavam quando ainda estavam no ventre materno.

        Os escolhidos, contrário aos filhos de perdição, são imortais. Quando ‘’falecem’’, abandonam o corpo físico e vão a um lugar chamado paraíso, onde formam uma nuvem de testemunhas esperando por um corpo novo e glorificado, com propriedades jamais vistas desde  a ressurreição de Jesus.

        Trata-se dum corpo capaz de cruzar paredes e realizar viagens a velocidade da luz.  Chegará o dia em que todos os filhos de Deus o terão. Os que estão no paraíso não sairão das tumbas como nos fizeram crer os religiosos, mas sim, a partir dos seus espíritos sairão corpos novos.  Naquele dia, os filhos de Deus que não tenham saído dos seus corpos de barro, sofrerão fisicamente uma metamorfose que terminará com um corpo glorificado.

       Entre os filhos de salvação já ‘’falecidos’’ estão, por exemplo,  homens como  Abel, Noé, Job, Abraão,  Jacob  e todos os outros homens de fé mencionados no evangelho.  Chamo a atenção aos religiosos de que esses homens bíblicos eram espíritos escolhidos desde antes de entrarem a um útero, sem ter que ver com o que obraram ou não obraram durante as suas vidas na carne, porquanto a salvação não é por obras da Lei de Moisés. 

        Para ilustrar, um dos dois ladroes na cruz ao lado de Jesus, é um filho de salvação, e actualmente está no paraíso.  Não foi exactamente porque se arrependeu como dizem.  Foi que expressou uma reconciliação com Deus,  talvez erroneamente interpretado como arrependimento, porque, para começar, era um filho de Deus, predestinado antes da fundação do universo físico.

        O outro ladrão não foi ao paraíso, já que era filho de perdição. Os dois cumpriram pena como ladrão, mas um era filho de Deus e outro era filho de perdição.  O de perdição morreu naquela cruz e tudo para ele terminou.  Nas prisões, senhores, há tanto os filhos de perdição como os filhos de Deus cumprindo penas por algo cometido contra a lei da humanidade. 

       São deuses, réplicas do Deus vivo e criador, vestidos temporariamente de corpos de barro, e enquanto estejam nesses corpos, cometem erros e fazem coisas inconvenientes, coisas que muitas vezes os privam de viver no Reino dos céus, ou seja, uma vida plena, rica, e feliz.

       Os fundamentos destas verdades que acabo de esboçar constituem em essência a mensagem evangélica pouco ou nada entendida pelos teólogos até agora. Não está destinada necessariamente aos teólogos, mas sim aos escolhidos quando estes sejam iluminados.  Por certo, há teólogos, sacerdotes, pastores, e muitos religiosos laicos que são escolhidos, mas que não se dão conta disso por ainda não terem ouvido a mensagem descodificadora daquele que edifica sobre os alicerces de Paulo.  

         Senhores, a Bíblia em mãos mal informadas, vira um material sumamente perigoso.  Se converte numa pistola carregada na mão de um bebé.  Se a folheamos sem entender as divisões internas, tudo nos sairá fora do foco.  Sem nos aperceber, usamos a nossa mente carnal, a qual nos mantém na escuridão.  As mensagens estariam mal interpretadas, o que nos levaria a cair na maldição, daí o perigo. 

       É que, reitero, a mensagem nos chega como se fosse em código, primordialmente em base dumas divisões. Mesmo as metáforas e os simbolismos não podem ser entendidos sem o bom discernimento das tais divisões.  O primeiro trabalho para poder começar a apreciar e entender todo o assunto do que diz respeito a  Bíblia é, portanto, o de aprender a dividi-la, guiado por pessoas portadoras das mensagens daquela entidade tão crucial que é o edificador anunciado por Paulo. 

        Sem as explicações emanadas do seguidor de Paulo, estaremos limitados a interpretar a Bíblia com a mente carnal, uma mente que não pode entender as coisas divinas por mais que as estudemos.

        O leitor carnal da Bíblia, sem dar-se conta, se mergulha em estado de confusão. Não importa por quantos meses, anos ou décadas ele leia,  ou memorize todos os versículos das Escrituras, a verdade permanece oculta.  Os leitores e religiosos mais dedicados, pensam cada vez mais que a Bíblia é toda ela a palavra de Deus com o mesmo peso e propósito em todas as páginas. Se mergulham, então, não só em confusão, mas também no caminho a  plena paranóia, lutando, por exemplo contra um diabo inexistente.    Ademais, há partes que nos trazem maldição e outras que nos trazem bênçãos, partes que não devem em nenhuma circunstancia ser misturadas.

        Julgo oportuno marcar a linha entre maldição e bênção, para os que talvez  não entendam bem os termos e os podem explicar melhor que eu.  Maldição ou condenação, quer dizer, rusticamente falando, uma vida de mal a pior.  Significa problemas atrás de problemas, miséria, doenças, desastres, em suma, o inferno.  Por outro lado, bênção significa uma vida cada vez melhor, prosperidade, saúde, isto é, o Reino dos céus.  Na bênção não há problemas, mas sim obstáculos para serem superados a devido tempo.  Ambas vertentes estão expressas na Bíblia, e o leitor, sem ser edificado, não terá a sabedoria para poder distingui-las.  Não saberá onde termina a maldição e onde começam as bênçãos. Terá um pensar aparentemente lúcido mas realmente confuso e, por conseguinte, da sua boca brotarão palavras inconsistentes com a salvação.  Estará condenado fora do Reino dos céus.

        Como livrar-se do fracasso que nos parece embrulhar?  Como sair da vida infernal e entrar no Reino dos céus?  Como respirar o ar das bênçãos e ver dias mais felizes para as nossas nações?  Temos que definitivamente fazer com que se manifestem os filhos de Deus nas nossas nações.  Mas para isso é preciso que reconsideremos todo esse assunto da religião, da leitura bíblica, e do cristianismo como o conhecemos. 

        A gente tem que repensar as crenças e as práticas religiosas seguidas através dos séculos.  Depois de tantas rezas sem ver resultados ao nosso favor, temos que ver que algo passa mal.  Temos que dar conta que essa quilométrica trajectória de rezas, rosário, festas aos santos, jejuns, baptismos, incenso, aguas ‘’benditas’’, crucifixos, cruzes, sinal da cruz, lavagem aos pés, hóstias, jambí, baiá, exorcismo, e todas as outras formas de macumba ou obras da lei, tem sido basicamente infrutuoso, para não dizer prejudicial.  Com o passar do tempo, a natureza tem sofrido uma constante invólucro, com mais desastres, secas, terramotos, e maremotos.  O homicídio, a guerra,  a fome, e as doenças têm sido a ordem do dia, tudo porque até agora a verdade do evangelho não foi dada a conhecer por causa da apostasia.

As Divisões da Bíblia

Torna-se importante saber, em primeiro lugar, que a Bíblia não é um livro, mas sim uma colecção de livros.  Condensada num só volume, ela é realmente uma biblioteca portátil, daí o nome Bíblia.  A formam livros originariamente escritos em papiro por diferentes homens, uns inspirados por Deus, outros segundo observação, e ainda um singular autor como uma excepção entre todos os outros, nomeadamente o apóstolo Paulo, segundo a revelação divina de forma directa.  

       Esses livros foram, através dos séculos incluídos na colecção. Outros foram excluídos com o passar dos tempos.  Para dar uma ideia, se o leitor compara a Bíblia católica com qualquer das versões protestantes, notará que a católica tem mais livros, como por exemplo o livro de Eclesiástico e o de Sabedoria, para nomear dois que me vem em mente. A protestante tem ao todo 66 livros, todos naturalmente existente na católica.  Por provisão divina, de qualquer maneira, os livros essenciais não foram tocados.  Têm estado juntos mesmo com os que os contradizem, exactamente como os filhos de perdição vivem juntos com os de salvação.  Lobos entre as ovelhas.  Assim podemos comparar, discernir as diferenças, e seguir pelo caminho da verdade. 

       De acordo com as características e as referencias vistas dentro da própria colecção, essa pequena biblioteca portátil está dividida em quatro partes principais: as Escrituras, a Historia, o Evangelho da Graça, e o Evangelho da Circuncisão.  Quando aprendemos a dividir assim as partes, começamos a perceber de imediato que o Evangelho da Graça é onde se encontram os alicerces da tal verdade anunciada por Jesus de Nazaré antes da sua morte.  Trata-se do único lugar onde se assenta um pacto novo estabelecido para a bendiçao das nações.

       Paulo é o único que fala do tal pacto novo, das verdades ao redor, e das bênçãos que Deus nos faz chegar por meio da ressurreição de Jesus.  Paulo escreveu ao todo 14 livros  sobre este evangelho, os quais começam com o Livro aos Romanos e terminam com o Livro aos Hebreus.  Estes 14 livros, que podem caber comodamente dentro duma algibeira, constituem a parte mais importante da compilação inteira. Os outros servem de referencia para a boa compreensão desse novo pacto ou testamento, denominado por Paulo como Evangelho de Incircumcisao,  também conhecido como Evangelho da Graça. 

        Os livros anteriores aos de Paulo fazem parte, logicamente, do antigo pacto.  Consistem nos livros das Escrituras, os quais começam com Génesis e terminam com Malaquias, e nos livros de Historia, erroneamente considerados pelos religiosos como os evangelhos.  Estes, os de Mateus, Marcos, Lucas, João e  o Livro de Actos são na verdade narrativas históricas descrevendo as partes mais notáveis da vida de Jesus de Nazaré  segundo testemunhas oculares e investigações.

       Os escritos que aparecem depois de Hebreus, de autoria de  Santiago, Pedro, João, e Judas, foram cartas deliberadamente escritas para adulterar a mensagem de Paulo.  Esses autores, para a surpresa de muitos religiosos,  eram inimigos aceremos de Paulo e da sua mensagem.  Devo informar aos teólogos, pastores e sacerdotes que entre Paulo e Pedro não havia nada de amigos devido ao facto de que as mensagens que representavam eram bem contraditórias.

         Por um lado, Pedro, a quem Jesus de Nazaré foi suficientemente claro em chamar Satanás, foi um apóstolo da circuncisão.  Paulo, por outro lado, a quem Cristo revelou os mistérios da salvação, foi um apóstolo da incircuncisao.    Paulo era o único que falava da verdade, exortando aos gentios a não seguir a Lei de Moisés já expirada. Os onze apóstolos, os quais conheceram Jesus como um judeu, atentavam imitar Jesus de Nazaré, o judeu exemplar, e  defendiam a Lei de Moisés.

        Sempre quando possível, os onze resistiam a verdade auspiciada por Paulo, aquele que não conheceu Jesus de Nazaré, se não Jesus Cristo.    As cartas dos onze tinham como objectivo despistar os filhos da salvação da verdade dita por Paulo.  Com este propósito, seus escritos, identificados como Evangelho de Circuncisão, culminam com o livro de Apocalipse, um livro fundamentado não só em opiniões de João a luz da Lei e influenciada por sonhos e visões angélicas que lhe chegaram para deliberadamente aprofundizar a linha divisória entre os seguidores da Lei e os seguidores da Graça.     

       Deus não quer mistura. Quer uma separação clara, a devido tempo, entre o trigo e o capim, entre os lobos e as ovelhas.  Os filhos de salvação serão eventualmente separados dos filhos de perdição. Os dois evangelhos também seriam separados.  Isso já começou.  Dizia Jesus de Nazaré em suas parábolas que vinho novo não pode ser posto em vasilhas velhas, e creio que Ele se referia a todo este assunto.

      Os livros depois de Hebreus, todos sem excepção,  visam, portanto, abandonar o novo pacto entre Deus e as nações.  Pedem que se continue a seguir a Lei de Moisés, o pacto antigo, um pacto obsoleto desde a morte de Jesus de Nazaré.  É como se nas Ilhas do Amador, já na segunda republica, nos obrigassem a seguir a constituição velha onde havia um ditador, um partido único, intolerância a divergência de ideias, etc. Quando a realidade é a democracia representativa multipartidária, uma diferença de noite e dia.     

        Senhores religiosos, a Lei de Moisés está caducada.  Nenhum seguidor da mesma pode ver a verdadeira bênção eterna de Deus, se bem que de vez em quando os anjos realizam intervenções especiais conhecidas como milagres.  As verdadeiras bênçãos existem,  mas só as alcançamos pela via do novo pacto cujos fundamentos se encontram unicamente nos livros paulinos.  Com o novo pacto não há necessidade das intervenções angélicas especiais, mas sim uma vida inteira no carril predestinado das bênçãos dia a dia, minuto a minuto. 

        A Lei de Moisés, senhores, deixou de ser palavra de Deus.  Deu lugar ao Evangelho da Graça, a Palavra de Deus vigente para as nações.  São portanto falsas todas as doutrinas “cristãs” da actualidade porque se fundamentam na Lei.  Apesar de não se aperceberem disso, essas doutrinas estão separadas de Deus. Essas doutrinas, doutrinas de demónios como dizia Paulo, provêm dum poder de engano para os que não aceitam o verdadeiro poder de Deus, que é o Evangelho da Graça. 

        Só neste evangelho, onde não ha necessidade de milagres ou intervenções especiais, está  o poder de Deus para os que crêem.  Trata-se dum poder que constantemente nos banha de bênçãos, sem fazer-se pedidos especiais.  Trata-se dum poder dado unicamente a Paulo e exposto por ele como fundamento nos seus 14 livros.  Não se pode entender o Evangelho da Graça, se o misturamos com o Evangelho da Circuncisão, pois este vem casado com a Lei de Moisés, e onde está a Lei, está a morte, ou seja, não há vida, não ha salvação. 

        Não se pode perceber as mensagens bíblicas sem delinear as divisões nem dar ouvidos às explicações do edificador do evangelho.  Mas como teve origem tudo isso?  Para compreender o assunto, talvez devamos dar uma vista ao panorama desde princípio.

A Historia do Homem

Deus nos criou primeiro como seres espirituais, suas réplicas iguais aos anjos, deuses em efeito.  Houve então uma rebelião por uma parte desses espíritos.  Depois de criar o que conhecemos como o universo, a Terra, e tudo nele existente, Deus decide enviar o chefe da rebelião, Lucifer, mais tarde Satanás, a um corpo vivente feito de barro chamado Adão. 

        O corpo de Adão estava estragado, pois nele vivia Satanás, a personagem já bem conhecida, o condenado adversário de Deus.  Adão passou a ser um simples animal, sem as características divinas, um animal simplesmente com mais inteligência que as outras bestais. Já o corpo estava estragado quando ele engendrou o seu primeiro filho. Nós, como descendentes de Adão ao nível corporal, temos então um corpo que traz a sua marca.  Temos as maldade e todas as outras características negativas adquiridas por aquele corpo original satanizado.   

        Tenho entendido que os filhos de perdição  representam Adão em todos os aspectos,  tanto no corpo como na mente. Provêm directamente de Adão, uma fileira condenada à morte e ao desaparecimento.  Quando morrem, tudo para eles acaba, pois os seus espíritos não passam ao paraíso. 

       Os filhos de salvação ou filhos de Deus, por outro lado, entendo, são espíritos directamente de origem celestial.  Não descendem de Adão.  São espíritos perfeitos enviados a residir temporariamente nesse corpo que provem de Adão e que está, claro, imperfeito.  Por outras palavras, os filhos de Deus, são deuses vindos a residir temporariamente em corpos de Adão. 

        Quando chegam ao plano terrestre e entram ao corpo imperfeito que deixou Adão, o contacto com a  imperfeição e contaminação da marca de Adão, faz com que perdão inclusivamente a memória de quem realmente eram.  Perdem a sua identidade divina.

        Se bem que ao nível espiritual ha uma diferença entre a semente de Adão ou perdição e a semente divina ou de salvação, ao nível corporal ambas sementes, até a data, compartem a mesma carne, e ela é muito má.  Deus decidiu mostrar ao homem quão má é a carne proveniente de Adão, dando-lhe uma serie de mandamentos e proibições, as quais constituem a essência do que é a sabedoria de Deus no ponto de vista carnal, uma sabedoria gravada por Moisés, daí a Lei de Moisés.

         O propósito dessa Lei era para que a maldade e desobediência se manifestassem por completo. Essa Lei, essa sabedoria, afasta o homem de Deus, por mais que ele intente. É que quando ha regras, a carne as desobedece. Quando dizemos aos nossos filhos que não toquem ou façam algo, a coisa proibida se lhes torna mais interessante.  Quando ordenamos algo, a tendência é não faze-lo.  Trata-se da marca de Adam na carne.

        Através da Lei, portanto, o homem estava condenado ao fracasso, e foi isso que Deus quis demonstrar.  As obras da Lei não constituem uma solução ao problema humano, pois por mais que queiramos ou pensamos cumpri-las, elas não agradam a Deus.  Não ha, nunca houve, nenhum homem ou mulher que  pudesse cumprir a Lei de Moisés, porquanto todos somos engendrados por um homem o qual descende do primeiro homem, Adão.  Mesmo Moisés não cumpriu essa Lei!

        Perante esta situação por causa da carne adámica há outra sabedoria de Deus, a qual não pode ser interpretada pela mente carnal.  É a verdadeira sabedoria de Deus,  para muitos ainda oculta, e portanto um mistério.   Apesar de ser a verdadeira sabedoria de Deus, aos olhos carnais pareceriam uma loucura.  O apóstolo Paulo chamou-a  loucura da perdição, uma loucura ao redor da qual gira o plano da salvação, um plano que não deve ser discernido pelos olhos carnais, mas sim espiritualmente.

O Filho de Deus

De acordo esse plano de salvação da verdadeira sabedoria devina, Deus envia o segundo Adão, Jesus de Nazaré, uma pessoa não engendrada pela via adámica, se bem que encubada por uma mulher.  Jesus foi engendrado pelo Espírito de Deus, sem ter havido a intervenção de José, seu padrasto, um descendente corporal da linha adámica.  A encubadora, Maria, era como sabemos, também da linha adámica, portanto uma pecadora como eram todos os descendentes corporais de Adão dessa época.

      A edificação sobre os alicerces deixados por Paulo nos revela que Jesus de Nazaré era o mesmo Deus que nos visitou vestido de carne, na qualidade de um judeu para estar sob a Lei de Moisés e, por fim, cumpri-la.  Já antes havia visitado a humanidade, como Melchizadec por exemplo, mas dessa feita veio como um carpinteiro e mestre judeu. 

        Não quis identificar-se abertamente como Deus, pois se o fizesse, não o matariam.  Veio com o propósito de ser morto e assim constituir-se num sacrifício pelos pecados da carne do primeiro Adão. Se não o matassem, a raVa adámica jamais alcançaria a salvação, porquanto não haveria nenhum outro que qualificasse para fazer tal sacrifício.  Logo, Jesus não podia dizer que era Deus.  Jesus de Nazaré não veio para falar a verdade da sabedoria de Deus oculta, mas sim para cumprir a Lei e realizar um sacrifício.

        Jesus falava em linguagem codificada quando queria dizer algo, pois o momento não era para fazer revelações.  O inimigo, Satanás, estava vivo.  Não obstante, aos discípulos mais aproximados Ele deixou indícios da sua Divindade.  Estava no Pai, dizia, e que o Pai estava nele.  Quando lhe pediram que mostrasse o Pai, perguntou retoricamente como era possível que o pedissem que revelasse o Pai se eles estavam precisamente em sua presença.

       Jesus de Nazaré, senhores, falava do Filho porque foi dado a luz por uma mulher.  Todo aquele que nasce de uma mulher é um filho.  Mas ele não era filho de José.  Era, então,  Filho de Deus.  Ao útero dessa mulher, Maria, entrou  o Espírito de Deus que se vestiu da carne.  Tal como falava em parábolas, Jesus falava do Pai e do Filho para que a mensagem não estivesse completamente clara.  O momento da verdade, repito, não havia chegado.

        Como Jesus de Nazaré não era descendente directo de Adão, ele pode cumprir a Lei de Moisés.  Fê-lo por 30 anos passando por todas as provas.  Assim se qualificou para morrer num sacrifício de morte.

         Com essa morte, deu por terminada a Lei de Moisés, aniquilou Satanás, e aboliu o pecado.  ‘’ Está terminado’’, disse Ele na cruz segundos antes de dar o último fôlego e retirar-se da carne.  Como sinal de que a Lei estava cumprida e terminada, no templo Judaico onde se fazia sacrifícios dos cordeiros como mandava a Lei, o véu do altar se rasgou e dividiu em dois.  Para que não se dissesse que foi rasgado por mãos humanas, o rasgo foi de cima abaixo.           Já não deveria haver mais sacrifícios.  Jesus de Nazaré foi o último cordeiro, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, como dizia o Baptista no Rio Jordão.  O pecado foi retirado quando morreu o Cordeiro.  Já não deveria haver mais sacrifícios no templo judeu nem em nenhum outro lugar. Agora, entre nós os que nascemos depois da cruz, já não há pecado.

        Todos sabemos que ao terceiro dia Jesus ressuscitou, mas poucos sabem o que significa a ressurreição.  É que Jesus, uma vez ressuscitado, deixa de ser um judeu chamado Jesus de Nazaré e se manifesta como Jesus Cristo, o Ressuscitado.  Se constitui no resgatador dos Seus, entenda-se os filhos da salvação, filhos de Deus, ou os escolhidos, para que estes possam viver reinando em lugares celestiais, aqui e nesta época, sem terem que fazer nada. 

        A luta foi entre o Diabo e Deus, e já está terminada.  Ganhou Deus.  Da nossa parte já nada resta para fazer.  Se nos pomos a imitar Jesus de Nazaré nos adiremos aos apóstolos de Circuncisão.  Seguiríamos  um evangelho falso, um evangelho que tenciona manter viva a Lei de Moisés já caducada.  Quer dizer, consideraríamos inválida a morte de Jesus em nosso lugar. 

        Senhores, Jesus tudo fez para que nada tivéssemos que fazer ou imitar!  Ele sabia que apareceriam muitos querendo imita-lo, e por isso nos avisou que para muitos ele viria a ser uma pedra de tropeço.  Os chamados cristãos enfrentam essa pedra porque querem imitar Jesus de Nazaré, algo impossível para a raça humana por causa da carne adámica.  É um verdadeiro cristão  aquele que sabe que Jesus tudo fez no seu lugar, e sabe que seus imitadores são praticantes da Lei, portanto estão sob a maldição associada a essa Lei.     

Porquê ouvir o evangelho

Todo aquele que nasceu depois da cruz do Calvário, se é um escolhido, nasce como tesouros vestido de barro. Tem um corpo carnal proveniente de Adão, mas ao nível espiritual, chegam como filhos de Deus, da mesma maneira como havia chegado Jesus de Nazaré.  Mas, diferentemente de Jesus de Nazaré, têm pais carnais. Agora, depois do Calvário, isto é possível, pois o pecado já não existe na carne, se bem que ela tem ainda a mancha que se manifesta como obras da carne nos actos negativos que muitas vezes  nos separam de uma vida rica e feliz.  São obras da carne, a inveja, o ódio, os ciúmes, a avarícia, o homicídio, etc.

        Mas no homem interior, isto é, no espirito, estamos perfeitos, e Deus assim nos vê.  Estamos unidos com Ele.  Estamos abençoados com todas as bênçãos.  Do nosso interior brotam os frutos de espírito, opostos as obras da carne, frutos tais como amor, paz, gozo, etc.

         Contudo, precisamos de ouvir estas verdades, que é o evangelho ou boa nova, para que possamos recuperar as nossas verdadeiras identidades, falar de acordo ao evangelho, e começar  a reinar como deuses aqui na terra se bem que ainda neste corpo danificado.

         Ao nosso serviço temos um sem-número de anjos, espíritos invisíveis aos olhos carnais por não terem sido destinados a vestir-se de carne.  Esses anjos, delegados para diferentes funções,  actuam para trazer-nos as bênçãos quando ouvem as verdades do evangelho proferidas pelas nossas bocas. 

        Também o corpo responde as verdades do evangelho.  Quando as pronunciamos, as enfermidades começam a desaparecer e as células gradualmente se rejuvenescem.  A verdade do evangelho é saúde, vida, e prosperidade. 

        Não obstante, para conhecermos estas verdades, não basta ler os fundamentos deixados por Paulo.  São importantes, mas não são suficientes.  Uma casa não está construída se tem unicamente os alicerces sobre a terra.  Os blocos têm que ser postos, as paredes têm que ser levantadas, o teto tem que ser posto, e por aí fora.  Para termos um edifício, é preciso edificar sobre os alicerces.  Esta é a analogia sugerida por Paulo, tendo ele reconhecido que seu papel era de plantar os alicerces, e tendo anunciado que haveria outro cujo papel seria o de edificar sobre esses alicerces deixados, quem viria a clarificar e a dividir todas as coisas com as suas revelações.

      Entendendo as mensagens do referido edificador, começaríamos então a falar em consonância ao plano de Deus.  Diríamos, apesar das aparências contrarias, que somos ricos, que estamos de saúde, que tudo nos obra para bem.  Nos nossos cumprimentos não faltariam declarações de que estamos sentados em lugares celestiais e que estamos completos.  Repletas estariam as nossas conversas diárias informando que estamos livres do Diabo, redimidos, santificados, justificados, perdoados.  Perante a dificuldade diríamos  que Deus nos leva sempre ao triunfo  e que estamos abençoados com todas as bênçãos.  As nossas conversas simplesmente estariam repletas de confissões fundamentadas no evangelho da graça.  Tudo isso,  não só pensado, mas essencialmente dito pelas nossas bocas, nos faria livres.

        Os anjos ao nosso serviço não teriam outra opção senão a de trazer-nos as bênçãos a devido tempo, pois foram instruídos a actuar ao ouvirem de nós declarações em consonância com o evangelho da graça, e só este evangelho.

        O evangelho diz que estamos abençoados com todas as bendicoes e que somos deuses.  Como deuses, temos que falar de acordo a nossa identidade e de acordo ao evangelho. Podem ser perigosas as nossas palavras, como também podem ser chaves seguras às bênçãos, dependendo de quais proferimos.

          Antes de prosseguir, devo fazer saber que sou da opinião de que Tomé, um incrédulo das coisas espirituais, não deve ser celebrado por nós com tanto zelo. A nossa ilha maior, tal como o país em si, o nome da capital e lugares como Madre Deus,  Boa Morte, Folha Fede, e Caixão Grande, precisam mudar de nome.  Tudo tem que ver com o que dizemos pela boca. Por isso Deus mudou de nome a Abraão, Sarai, e outros. Para mim é melhor Boa Vida que boa morte, melhor Folha Aromática que folha fede, e é melhor Berço Grande que caixão grande.  Não sei que dizer de Madre Deus, mas sei que este nome não revela conhecimento do evangelho.

         A partir de agora, de maneira informal até uma possível oficialização, utilizo nos meus escritos o nome de República do Amador  para as nossas ilhas e amodorense como nacionalidade. Para a ilha maior gostaria que a déssemos um nome diferente, talvez Ilha da Graça, ou qualquer outro. Aviso que isto não é uma brincadeira.

        Senhores, o evangelho nos fala de riquezas nunca antes imaginada e nos indica o caminho correcto a boa colheita.  Os nossos países estão todos abençoados desde a ressurreição do Cristo, e isto faz 2000 anos.  Tem-nos travado porém, o silencio imposto pela morte de Paulo, a venda da mentira orquestrada pelos religiosos, e a repetição da mentira pelas nossas bocas através dos séculos.   

        Quando cheguemos a entender a edificação evangélica, evitamos destemperadamente o uso de quaisquer palavras que  contradigam o evangelho.  Evitamos a continuação da vida infernal do mundo da escuridão, evitando desmentir o evangelho. Não gritamos nunca a expressão aleluia, pois se trata de  apelo a um Deus distante do pacto antigo onde haviam pecadores desamparados.  Em vez disso gritamos Abba Pai, como expressava Paulo, pois temos o Pai celestial ao nosso lado.  A ninguém diríamos Deus te abençoe visto que Ele já nos abençoou ha dois mil anos.  Diríamos palavras consistentes ao evangelho, como Abençoado és, ou Abençoado.  A ninguém julgaríamos de acordo as obras da carne. Quando falássemos forro, não usaríamos o vocábulo pecadô, pois já não há pecadores.  É que entre nós não há sobreviventes da era antes da cruz do Calvário!

         A inexistência do pecado nesta era foi revelada por Paulo nas suas reuniões com as primeiras congregações cristãs, mas não por muito.

Um golpe de estado

Vários anos depois de Paulo ter recebido o verdadeiro evangelho, ele teve a oportunidade de se encontrar com os apóstolos da circuncisão e as suas congregações.  Passou uns quinze dias com Pedro, a quem ele revelou a mensagem da graça, e a quem chamou atenção e confrontou publicamente, pois Pedro actuava como um hipócrita.  Pedro fazia o que todos os religiosos estão condenados a fazer. À vista pública, obrigava as congregações a cumprir a Lei de Moisés, mas, privadamente, ele mesmo não a seguia. As palavras duras de Paulo não caíram de agrado aos ouvidos do líder do evangelho da circuncisão.  Não foi fortuito quando Jesus lhe dissera ‘’Afasta-te de mim Satanás,’’ precisamente quando quis travar o processo da morte do cordeiro que terminaria com o pecado do mundo.   

        Paulo seguramente lhe teria também revelado que Deus estava prestes a instalar um governo mundial sobre todas as nações, um governo em que o mesmo Paulo seria a cabeça, um governo sob o qual todos os reis e outros chefes de estado estariam submetidos.   Pedro não pode esperar por muito para ver a morte do seu adversário directo.  Assim os apóstolos de circuncisão, encabeçados por Pedro, juraram não sair de um jejum até verem a morte de Paulo.  

        Aos cegos religiosos, os que lêem a Bíblia por décadas sem realmente entendê-la, quero gritar alto e bom som que Pedro e Paulo nunca foram amigos e nunca estiveram juntos por mais de uns quinze dias.  Pedro e Paulo eram adversários, este defendendo o evangelho da incircuncisao ou graça e aquele defendendo um evangelho falso fundamentado na Lei de Moisés.   

        Pedro e os seus conseguiram a desejada execução de Paulo.  Foi um golpe de estado antecipado, pois sem muito tardar Pedro tomou as rédeas entre os crentes gentios, controlando as congregações previamente criadas por Paulo.  Estabeleceu em Roma o início do governo mundial que Pedro pensava que devia ser para ele, enquanto na verdade estava limitado as congregações judaicas de Jerusalém. Por outras palavras,  Pedro usurpou o poder designado a Paulo.  Logo começou a germinação da chamada igreja universal, ou católica como a melhor conhecemos.  Desde então apareceu a apostasia de que falava Paulo, um período que chega aos nossos dias.  

        Durante a apostasia, se propagou o evangelho falso encabeçado por Pedro e seus sucessores.  Por exemplo, diziam, e ainda dizem, que Maria foi concebida sem pecado.  Mas sabemos que ela havia nascido antes da morte de Jesus de Nazaré, e sabemos hoje que todos que nasceram naquela época eram pecadores.  Estava virgem quando concebeu Jesus, mas sempre foi uma pecadora, e essa condição não tinha nada que ver com o que ele tivesse feito, mas pelo que fez Adão. 

        A pratica de confessar pecados não está consistente com o evangelho pois, como já vimos, o pecado deixou de existir, como tampouco existe a Lei.  Para isso morreu Jesus, e essa morte não foi em vão. 

        A santa cena é igualmente contraditória a graça, pois é uma representação da prática judaica de comer a carne do cordeiro sacrificado  como foi estabelecido numa das pragas do Egipto para evitar a morte dos primogénitos, pratica deixada aos que estavam sob a Lei de Moisés.  Já o sacrifício máximo foi realizado na Cruz pelo cordeiro de Deus que tira o pecado do mundos Jesus de Nazaré foi o ultimo cordeiro sacrificado. 

        Senhores, se é certo que os comunistas nos venderam, com perseguição, a maior mentira do século XX, não é menos certo que os missionários nos venderam, também com perseguição, a maior mentira de todas as mentiras desde a morte de Jesus até os nossos dias. Foram terríveis mentiras que deram inclusivamente a origem da cristianização do manicongo Nzinga Mbemba e da consequente queda  e desmembramento do Império do Congo, e daí a aceleração da queda da África nas mãos dos colonizados.  Mas disso e doutros aspectos da história africana falarei em escritos futuros em momentos adequados.

       O recém falecido papa polaco pediu perdão em nome dos seus pelos actos cometidos, mas a verdade é que as feridas deixadas em todas as esquinas do mundo ainda não estão curadas.  Através dos séculos, os missionários deveras pintaram manta.

       Quero deixar bem assentado que os comunistas acertaram  em algo correcto no meio das suas mentiras quando disseram que a religião era o ópio do povo. Luziram, lamento dizer, melhor que os apóstolos da circuncisão e os seus seguidores que são os religiosos de hoje, pois os religiosos dizem que a fé e a graça nada valem se não estão acompanhadas pelas obras da Lei, vendendo-nos portanto uma constituição caducada sobre a qual apoia a religião.

       Ora bem, como já vimos, foi Pedro, a cabeça dos religiosos romanos, quem conspirou pela morte do único homem que tinha os fundamentos do evangelho. E, com a morte de Paulo, já não havia a voz da verdade.  Pedro tomar poder. Introduziu entre os gentios a sua ignorância e falsa doutrina.  O mundo, posto na escuridão, comprou enganos por dois milénios. 

        Tendo dito tudo isso, torna-se imperativo que África abandone, de uma vez por todas, todo tipo de práticas religiosas, desde o animismo ao catolicismo, não deixando excluídos os protestantes, pois todos acreditam na existência do diabo, do pecado, ou das obras e sacrifícios para limpar o pecado.  África entrará em nova glória quando deixar as religiões e seus ritos e abraçar a Graça.  Temos que seguir o critério que formara Amilcar Cabral, exortando-nos a abandonar os conceitos e as praticas negativas e a abraçar tudo tínhamos de positivo, um critério que seguramente não entra em contradição com o evangelho da graça.

O Edificador

Bem, as verdades foram mantidas ocultas com o assassinato de Paulo e a instauração da apostasia, mas já chegou o anunciado edificador do seu evangelho para trazer-nos tudo à luz.  Sabemos que já chegou porque, como se havia anunciado nos fundamentos de Paulo, lhe acompanham sinais indicadores.

         Dizia o Apóstolo Paulo que o edificador seria aquele capaz de julgar ou dividir os evangelhos, e isto está passando.  Só essa entidade explica as palavras de Paulo com coerência.  Só ele, semana após semana, traz ao mundo novos blocos para edificar sobre os alicerces do evangelho da graça para os escolhidos.  Só ele fala de coisas bíblicas nunca antes explicadas, e posso dizer com toda a segurança que sem ele não se pode compreender a Bíblia.

        O que aqui exponho não é fruto da minha imaginação.  Não poderia falar dessas coisas sem ter sido iluminado pelo Edificador dado aos escolhidos.  Ele se chama Dr. José Luís de Jesus Miranda, um homem natural da humilde colónia americana de Porto Rico. 

        Tive o privilegio de ser o primeiro africano em seguir-lhe como pai espiritual, mas espero que muitos trilhem o mesmo caminho, especialmente os nossos dirigentes, pastores, e sacerdotes católicos, para