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                                                             Ano IV Edição n.º 22  Segunda-feira, 17 de Julho de 2006

 

 COMO VOTAR

 

Se queremos ver um rosto novo na política das Ilhas do Amador, as horas de dar uma mão de ajuda  batem as portas.      Meu dia de anos, 30 de Julho, será justamente o dia para escolher quem vai guiar o palácio. Será uma decisão que, boa ou má, cairá sobre nossas vidas na marcha dos cinco anos vindouros.  Uma longa temporada. Se nos fazemos de loucos soltando agora votos ao azar ou por amizade, teremos adiante um tempo longo demais para  aguardar por outro dia igual.

            Temos nas mãos umas cartas e, mesmo que   nenhuma seja az de triunfo, nos tocará lançar à mesa a melhor.  Cada cidadão, portanto, precisa escutar atento tanto aos gritos como aos sussurros dos pretendentes, e então pensar.  E pensar sóbrio.  Nos cabe ponderar sobre as promessas e tapar as nossas orelhas à oratória vazia.  Se as palavras ouvidas soam práticas e carregam garantias, há que então pesar as viáveis e, entre elas, buscar as prioritárias.

            Posso para já dizer que errariam de maneira redonda os aspirantes que não abordassem o tema da educação.  Isto porque, como tenho afirmado tantas vezes, a educação ocupa o primeiro banco na fila de trabalho para o avanço dum país.  Eu não votaria por aquele que não toque o tema das escolas, dos professores, da formação de mentes capazes, e de como atraí-las ao solo pátrio.

            E os meios têm um labor crucial nas mãos.  Devem lançar ao ar e imprimir entrevistas e discussões com os aspirantes, e suas perguntas devem ter na mira, em essência, o alvo educativo.  Que fariam com os graduados do liceu? Se criará por fim uma universidade que tanta falta faz?  Não conheço, nem nunca ouvi falar duma sociedade que se progressou atirando aos outros mares todos seus estudantes. 

Que farão os pretendentes quanto ao acesso grátis à rede informática para toda a cidadania?  A Internet é uma biblioteca sem paredes de tamanho galáctico e, por conseguinte, todo estudante, todo técnico, todo profissional, todo cidadão corrente deve ter entrada a ela. E mais porque as escolas nossas, em todos os escalões e degraus, sofrem e gemem. 

Não há países desenvolvidos que não tenham gigantescas universidades e bibliotecas abarrotadas com livros aos milhões.  Falei neste tenor muitíssimas vezes nos artigos passados, e já estou farto.  Nos andam enganando os políticos que nada fazem ao respeito, mas não estamos livres da culpa, pois não temos exigido que invistam nesse sentido.

Julgo que o lucro do negócio do petróleo não seria uma cura, mas sim um atalho para trazer vida à educação, ao turismo, à agricultura, à pesca e à saúde.  Diria que pela primeira próxima década, quarenta ou cinquenta por cento do dinheiro do petróleo deverá, se estamos em sério, ir à educação, sendo o resto repartido entre as outras áreas. Isto se deve pôr sobre a mesa de debate antes do bendito dia trinta. Quer dizer, há muito trabalho e o prazo está curto.

Logo, antes de votar, será preciso decidir sem se levar pelo dinheiro ou favores dos pretendentes ou dos seus partidos, pois em causa está toda uma sociedade e não as nossas algibeiras pessoais.  Há que não se deixar comprar, votando pelo pretendente com a melhor oferta, mesmo que tenhamos recebido, se é esse o triste caso, algum dinheiro.  Por isso o voto é secreto.  Se vota e não se deve explicação a ninguém. 

Mãos à obra, patrícios. Espero que algo bom saia no meu dia de anos.  Declaro a nossa terra abençoada com todas as benções como ensina o evangelho da graça plasmado por Paulo e hoje explicado por Jesus Cristo Homem.      

 

GERVASIO FRANCISCO DAS NEVES