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São Tomé e Príncipe em política depressiva degenerativa
Caros compatriotas, “ninguém ama a sua terra por ser grande ou pequena, mas por ser sua”. Não foi com surpresa que venho acompanhando a política armadilhada do meu país. É que qualquer figura que for chamada para chefiar o governo são-tomense tem que ter a capacidade de nomear ministros fortes. Mas ministros fortes têm que ter directores, chefes de departamento, funcionários habilitados para essas funções. Todos aqueles que estão a exercer funções sem que estejam habilitados para as mesmas devem ser-lhes dadas oportunidades, através de bolsas de estudo ou de trabalho a fim de se formarem. O Presidente da República é, no contexto actual, um refém de muitas coisas. Por tudo isto, se houver qualquer tentativa de golpe-de-Estado, deve a comunidade internacional accionar os mecanismos legais a seu alcance, no sentido de, junto ao Tribunal Penal Internacional, emitir um mandado de captura internacional contra esses senhores. A começar, cassação dos seus bens, através do congelamento de suas contas em todos os bancos do mundo; impedir a deslocação dos seus familiares mais directos; etc. Porque, desde quando o Conselho Nacional de Defesa envia ultimato a um Presidente da República? Se o Presidente da República não reage a esse comunicado, tudo poderá levar a crer que estão mancomunados, o que não acredito que esteja a acontecer. Os militares, os que estão agora no poder, por ironia, foram até nossos instrutores, chefes de companhia, chefes de Estado-maior General, Ministros da Defesa. Ensinaram-nos que o soldado que partir para o golpe-de-Estado não passará de um reaccionário. Está a acontecer tudo isto e pouca gente protesta. Internamente, o povo não se manifesta. Na nossa diáspora, as pessoas cansaram-se? Onde estão os líderes das associações em Portugal? Não dizem nada? Estão comprometidos com alguma coisa? Não creio!!! Meus amigos, quando vi que me estavam a criar ratoeiras no Liceu Nacional, em S. Tomé, dei o fora. Acharam que fui parvo? Não! Sou mais que inteligente a sentir o fervilhar das ondas! Imaginemos que eu tivesse lá ficado? O que teria sido de mim? Comiam-me vivo, certamente! Mas sou também um homem de luta, para nadar contra a maré! Também, porque se não o fosse, não teria regressado à minha terra, vezes sem conta, com a esperança de que um dia desapareceria a “antropofagia política”. Sou, para todo o efeito, um verdadeiro puro-sangue GUADALUPENSE e TRINDADENSE. Mas com a morte de alguns GUADALUPENSES e TRINDADENSES, pensam que hoje não passamos de, desculpem-me o pleonasmo, uma simples passagem para a cidade das NEVES. Ora, não havendo gente para governar, que chamem os independentes. Todos os meus amigos, de Rafael ao Trovoada, de Trovoada ao Costa Alegre, dêem um sinal positivo para que as pessoas, as famílias, os investimentos voltem a São Tomé e Príncipe, para sermos, novamente, todos felizes. Que vergonha. Que estupidez a nossa! Que falta de gosto em relação a Cabo-verde! A solução, neste contexto, contrariando a posição do Honório da Associação do Príncipe em Portugal, é que seja chamado para a governação um homem dedicado, íntegro, educado, com princípios, para por fim a este FANDANGO (desconheço o significado): o TÓ ZÉ Cassandra! Por gente como ele, estou de malas aviadas; porque dá garantias! Imaginem só se eu dissesse à minha esposa: -Vamos abandonar os nossos afazeres em Portugal, “ela médica” e “eu engenheiro”, e “a minha filha, a entrar para a faculdade”; vamo-nos embora para SãoTomé e Príncipe, nossa terra – e uma desgraça destas nos acontecer? E como se sentirão os são-tomenses, nossos conterrâneos, que infelizmente votaram nesses senhores, mesmo ao calor de uma boa cacharramba? Confortavelmente contentes? Foi para isto que armaram cilada ao Engenheiro Tomé da Vera Cruz, ao Dr. Patrice Trovoada e ao Dr. Rafael Branco? A última hipótese para a salvação desta desgraça é chamarem os camaradas Dr. Manuel Pinto da Costa; o Dr. Leonel Mário D’Alva; o Sr. Miguel Trovoada; o Dr. Filinto da Costa Alegre; o Dr. Carlos Graça e outros, e criem um Directório para levar o governo até às próximas legislativas, sob a governação de Tó Zé Cassandra!
Ponto de exclamação sobre o artigo “serviço Consular de STP faz falta em Cabo-Verde” Tive a oportunidade de ler com acentuada atenção e enorme cuidado no eixo da interpretação e da análise, aquele artigo “Serviço Consular de SãoTomé e Príncipe faz falta em cabo Verde”, da autoria do Eng. José Luís Martinho o qual requer uma profunda reflexão do autor e, sobretudo, o leitor, porquanto: Um serviço consular de SãoTomé e Príncipe em Cabo Verde não iria, de certeza quase absoluta, solucionar os problemas que, neste momento, mais apoquentam a comunidade são-tomense (embora meia dúzia) radicada naquele país irmão. Pelo contrário, aquela opção iria aumentar, somente, o índice de oportunismo e fúria ao chamado “tacho”, isto é, criando-se postos de emprego de alto nível sem qualquer “marketing” de realização na perspectiva de melhoria de qualidade de vida do povo, mas apenas à solução das ambições de uma minoria que possui influência na hierarquia política e social. Outrossim, o ponto de vista do Eng. José Luís Martinho é legítimo e de bom senso patriótico. Porém, a sua concepção – aliás, co-mo já tivemos a oportunidade de sublinhar – só iria proporcionar “tachos” a mais um político (em geral, preguiçoso) uma viatura de luxo e outras regalias não prevista nas leis civis nem constitucionais, enquanto a comunidade são-tomense permanecerá no cortejo das dificuldades como acontece nas nossas Embaixadas em Portugal, Angola, etc, etc, instaladas como diz o provérbio “para o inglês ver” ou a desempenhar função de uma estátua para enfeitar o município. Pois, Eng. José Luís Martinho! Existe no léxico da linguagem portuguesa de origem latina que diz: “burros velhos, são teimosos e incorrigíveis”. Reflectindo suficientemente bem sobre o valor semântico daquela expressão e na sua sequência lógica, poder-se-ia concluir sem ajuda de “lupa” ou de microscópio que, felizmente, os políticos e os dirigentes são-tomenses não são “burros” (embora com aspecto comportamental para que assim os qualifiquem). Eles são, de facto, muito teimosos como as ovelhas, os carneiros e, sobretudo, muito incorrigíveis como um louco embriagado, porquanto não se pode admitir e, muito menos, consentir que ao longo de pouco mais de três décadas não foi possível, até hoje, encontrar um “homem” ou um “partido” capaz de governar o país (pelo menos copiar, como fazem estudantes às “cábulas”) para libertar o país da crise? Aliás, aquela reflexão, ou seja, copiar dos outros o que é “bom” é nula (ou absolutamente nula, para não fugir o horizonte das realidades) não flutua no pensamento, nem na imaginação dos dirigentes de SãoTomé e Príncipe que, em vez de seguir o exemplo deixado pelos portugueses nas “roças” (base de economia do país) não o fizeram. Preferiram, adoptar fenómenos políticos e sociais novos que arrastaram o país a “caos” total, como, a malograda nacionalização das roças – se é que se pode referir-se a isso? – a sua posterior distribuição e lotes e parcelas distribuídas a meia dúzia de “vadios”, (sem políticas de desenvolvimento e rentabilização) que não fizeram nada senão derrubar árvores, convertendo-as em deserto e floresta virgem e impenetrável. Até quando? O artigo refere-se também à Embaixada de Angola em SãoTomé e Príncipe onde radica, talvez, meia dúzia de Angolanos, ou seja, os chamados “tongas” descendentes dos contratados. A institucionalização daquele órgão diplomático no nosso país bem como as “FAPLAS” (Forças Armadas de Libertação de Angola) tinha um objectivo previamente definido completamente afastado da defesa dos interesses dos angolanos mas sim, segurança pessoal de Pinto da Costa, desde que se pré-fabricou a tentativa de golpe de Estado em 1977. Armindo Cardoso (Lisboa, Julho de 2008) |
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