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“Sapo da crise”
O Palácio do Povo não conseguiu esquivar-se desta vez. Tentou demonstrar que a crise estava somente na falta de entendimento entre os partidos políticos com assento parlamentar. Mas, na recta final, qualquer cidadão atento se apercebeu que a “casa cor-de-rosa” tinha as mãos no impasse à normalização da situação política que durou 25 dias contados. Factos visíveis e analíticos Consensualmente, o segundo partido mais votado, MLSTP/PSD foi chamado pelo Presidente da República a formar o governo, porque jamais havia entendimento na coligação que saiu vencedora das eleições de 2006. Quando este partido apresenta ao chefe de Estado o candidato a Primeiro Ministro, a lista dos governantes, estrutura do executivo e prova de sustentabilidade parlamentar pedidos, o Palácio do Povo mergulha-se no silêncio e ninguém se apercebia das suas razões. O MDFM/PL e ADI diziam que abandonariam as sessões Parlamentares se o Presidente da República nomeasse o governo do MLSTP/PSD Do silêncio, vem a convocatória aos membros do Conselho de Estado (CE) para decidir sobre a dissolução ou não da Assembleia Nacional. Horas antes da reunião dos conselheiros, Fradique Menezes em entrevista à Rádio Nacional deixava claro que só tinha objectivo de levar tudo as eleições antecipadas. Aliás, os seus comentários diziam que não ficava bem para o País um Parlamento estar a funcional com ausência de dois partidos com assento parlamentar. A pressão do MDFM/PL e ADI era visível junto do chefe de Estado que se encontrava na situação árbitro e jogador. Os conselheiros do Estado que não fizeram o jogo do Palácio do Povo, disseram “não às legislativas antecipadas, forçando Fradique Menezes a chamar novamente o MLSTP/PSD para formar o governo. O MDFM/PL que não quis fazer parte do executivo dos sociais-democratas, deu o dito por não dito, correndo imediatamente ao Riboque dizendo que o partido da favorita quer integrar o governo. O partido ADI não foi atrás da Favorita. Ou seja, não fez parte do governo de Rafael Branco, mas também não vai abandonar a Assembleia Nacional, porque ao longo do “deserto” a areia poderá esfolar os pés. O Presidente da República ao sofrer tamanha “humilhação política”, foi forçado a fazer recuo de 360 graus. Reforçou contacto junto de Rafael Branco, pedindo-lhe para dar “boleia” aos políticos da Favorita. É no governo que muitos conseguem sustentar-se e daí fabricar-se outros tantos “tachos”. Tanto o MLSTP/PSD como PCD não estão a gostar da “boleia” do MDFM/PL, porque não são coerentes, um facto que leva analistas dizerem que Rafael Branco já foi “caçado” pela rede mafiosa. Tudo em atenção às palavras do líder dos sociais-democratas que se referiam a não formação de qualquer governo. O qualquer executivo veio a tomar posse no dia 21 de Junho último e com perspectiva de durar 21 meses. Patrice Trovoada que já disse que vai utilizar todos os meios contra este governo, também não descansará na inviabilização das acções governativas do líder do partido do Riboque. O novo governo tem agora uma primeira oposição que sai do Palácio do Povo. A outra oposição, senão segunda virá da ADI e uma terceira “silenciosa” sairá do partido da “boleia” governativa. Parte do MDFM/PL vai funcionar como informador de tudo que se passa no interior do governo e é daí que o Palácio do Povo terá desenhado a sua estratégia de duplo comando à distância. O cenário de 2010, pode sair frustrado como não, porque a escola do poder e as estratégias refinadas estão nas mãos do partido da independência. Jamais o MLSTP/PSD iria entregar o poder de bandeja a MDFM/PL ou a PCD por “politiquice” de entendimento. Aliás, a escola dos “convergentes democráticos” também tem bons professores, quando politicamente diz ao MDFM/PL, “dá-me a condução do barco” durante a sessão da moção de censura, que foi mal interpretada pelos políticos da Favorita. E mais, Fradique Menezes não conseguia conter o “susto” da segunda estratégia derradeira contra o Palácio do Povo, quando ouviu do PCD na hipótese de o País enveredar-se pelas eleições gerais, para a clarificação de todos os órgãos de soberania de natureza política. Palácio avisa: “não haverá períodos fáceis de governação” Na cerimónia de empossamento o novo Primeiro Ministro disse que vai elaborar um programa objectivo, realista e com ideias claras, consubstanciadas em como fazer e o que fazer. O País precisa de igualdade de oportunidade na Educação e na justiça e, para isso, deve-se também fomentar a cooperação institucional. O novo governo subiu as escadas ministeriais no dia 23 de Junho para passagem de testemunho. Mas antes, Rafael Branco avisou aos seus colaboradores ainda na cerimónia de investidura que não é homem de promessas, senão “trabalhar sem olhar para o relógio” em atenção à situação económica e financeira difícil do País. Pediu ajuda da comunidade internacional porque “o povo de SãoTomé e Príncipe precisa do vosso apoio urgente”. Mas, para que esse apelo encontre apoio e eco, lembrou Rafael Branco que é necessário que as autoridades e os governantes demonstrem unidade e coesão nacionais para se construir um país de homens felizes. Na primeira pessoa acrescenta “não estou aqui para cumprir projectos pessoais. Governos estão ao serviço do bem público”. O Primeiro Ministro quer que o seu governo seja criticado, lançando assim um desafio aos partidos da oposição e não só, como aos órgãos da comunicação social. Indirectamente, para os media terá dito, senhores jornalistas ponham todas as vossas baterias na boca dos cidadãos de forma que o governo possa entender melhor as preocupações da sociedade! Fradique Menezes atento às breves palavras de Rafael Branco, também não falou muito. Limitou-se a dizer ao futuro governo que não terá períodos fáceis de governação e que vai estar atento ao desempenho do executivo, dizendo que o executivo pode contar com toda a solidariedade do Palácio do Povo. O Primeiro Ministro cessante não presenciou a cerimónia de empossamento. Cumpriu a sua palavra, manifestando hostilidade já avisada à formação do governo do MLSTP/PSD. Para não dar “bacalhaus e sorriso amarelo” aos novos membros do governo, preferiu ficar em casa. Mau político ou bom político, é uma questão de opção. A. Quaresma |
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