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P     on line                                                                                                                                                            Edição: 57,Quarta-feira, 12 de Março de 2008                

     

Independência de SãoTomé e Príncipe

Rostos dos 33 anos

17-07-08 Estes rostos já entraram na História socio-política e económica dos 33 anos da Independência de SãoTomé e Príncipe (ainda) sem norte de desenvolvimento. São “figuras-espelho” que não conseguiram satisfazer as aspirações colectivas dos são-tomenses e o espírito e premissas de 12 de Julho de 1975. De mentalidade “monolítica”, ninguém poderia esperar outra coisa dessas figuras, senão mergulhar o País na desorientação, desorganização e na destruição.

Os representantes do então MLSTP e o povo, testemunhavam há 12 de Julho de 1975 a declaração da independência das ilhas na maior Praça da cidade de SãoTomé que ficara baptizada Praça da Independência. Naquela altura pairava muita tristeza por parte  dos defensores do regime colonial e muito júbilo aos amantes da liberdade e da independência. Dirigentes da então potencia colonizadora portuguesa eram vistos como “inimigos”, enquanto que os de SãoTomé e Príncipe eram recebidos pelos são-tomenses com todo carinho, respeito e estimação.

Mas, a liberdade e a cidadania aos são-tomenses que davam a luz nos primeiros dias e meses, começaram a mergulhar-se muito cedo na desilusão, com o excessivo “culto de personalidade” do então líder da Revolução, Manuel Pinto da Costa. Ou seja, por onde passava o Presidente Pinto da Costa, todos olhavam-no e recebiam-no como Deus dos são-tomenses e gente libertadora do povo.

Nas estradas, por exemplo, o peão deveria pôr-se de pé se estivesse sentado, seria forçado a pôr-se de sentinela enquanto se caminhava e os automobilistas tinham que travar os seus carros e estacionar-se imediatamente. Era uma exibição exagerada que normalmente é característica dos líderes jovens africanos, principalmente àqueles que desconheciam “tapete” na casa dos pais. Aliás, na nossa língua materna se designa “denche cu ná concê cuacu fá”, ou seja, “dentes que não conhecem a escova”.

Passados dois anos da independência, a liberdade popular se transformava aos poucos em ditadura popular em todos os cantos do país com a criação de vários representantes do partido (comités de zona ou bairro), quando se proliferava a chamada “bufaria”, ou seja, agentes preparados para ouvir quem falasse contra Pinto da Costa ou qualquer outro dirigente. E daí o regime começou a endurecer-se com prisões arbitrárias, perseguição de quadros e outras anomalias contra as aspirações dos são-tomenses, actos que duraram 15 anos e meses.

A célebre Conferencia Nacional de 1989 é que dava assim novas orientações para a abertura do regime, motivado por pressões internas e externas. Daí surgiu o movimento para o referendo da nova Constituição Política do país que abriu caminho ao multipartidarismo. Pinto da Costa abandona o cadeirão do Palácio do Povo sem mérito na condução das aspirações dos são-tomenses e da independência, contrariando o espírito da proclamação da independência das ilhas.

Veio o regime multipartidário democrático em 1991, liderado por Miguel Trovoada, então figura temível do regime ditatorial de Pinto da Costa que o considerava de cidadão contra-revolucionário. De 1991 a 2001, com a liderança ao mais alto nível por Miguel Trovoada era o culminar da segunda desilusão completa dos são-tomenses. Foram estes anos que a corrupção, a desorganização, o deixar andar, a imoralidade e a “elitização”, o nepotismo e a preguiça no País cresceram.

É a partir de 2001 até à presente data com o Palácio do Povo sob controlo de Fradique Menezes que os males suportados e promovidos na época de Miguel Trovoada continuaram a crescer com maior rapidez. Devido à velocidade cruzeiro, esses males atingiram muito cedo o seu clímax, estando os são-tomenses mergulhados agora numa podridão total do regime democrático e multipartidário.

A interrogação que todos fazem nas ruas, nos transportes públicos e em conversas de grupos aqui e acolá diz o seguinte: “Como vai ser o desfecho da situação em que o país atravessa neste momento?” As respostas e os palpites de cada um são frustrantes, desencorajadoras e pessimistas. O descontentamento é geral, salvo algumas almas vivas beneficiárias da situação reinante.

O País atingiu trinta e três anos de discursos floridos, da pândega, da preguiça, do luxo, da incompetência, do deixar andar, da perseguição, da inveja, da corrupção e do roubo. Estão ainda associadas a esta pálida meta, a proliferação de partidos políticos sem orientação ideológica clara, a destruição das infra-estruturas económicas e produtivas, bem como criação de vários projectos que, na prática, só servem para sobrevivência de uma elite de partidos políticos e endividar o país sem contrapartidas visíveis a curto, médio ou a longo prazo.

E de quem é a culpa? Do povo, também não. Este ou qualquer povo, só lhe falta um guia honesto, patriótico e defensor da sua verdadeira causa. Esse guia, na actual situação, parece ser difícil dar a cara, devido a proliferação de oportunistas na classe média que deveria desencadear uma “revolução” para a instauração de uma verdadeira liberdade e de oportunidades sadias aos são-tomenses.

O País é democrático e multipartidário, mas na prática, os são-tomenses vivem uma liberdade falsa e sinuosa. Os poucos que tentam exercê-la sabem de quanto custa e de que lados são colocados, devido ao seu pleno exercício da cidadania.

Mas tudo tem uma explicação e sua lógica, razão pela qual se pode perguntar, nestes 33 anos, o que mudou? A principal mudança que se deveria esperar deveria ser no homem. Continuamos com os mesmos políticos, com os mesmos homens e seus correligionários na orientação da sociedade política imbuídos de mentalidade monolítica do primeiro EU; segundo, PARTIDO, terceiro, DO GRUPO e quarto, se sobrar, é para o povo anónimo, humilde, triste, trabalhador, desenrascador e explorado.

No acto central dos festejos deste 33º aniversário, todos tiveram oportunidade de escutar os mesmos discursos de rotina, falando de instabilidade, como se o povo tivesse contribuído para o “pivot” das crises cíclicas. Aliás, quem vem violando os princípios do “12 de Julhos” são as mesmas figuras, umas à distância e outras no activo, razão pela qual os órgãos da comunicação social, da mesma forma, vão-se batendo na mesma tecla para levar ao auditório nacional os palavreados rotineiros.

Não tendo nada de novo que dê esperança aos são-tomenses para simbolizar a passagem da festa nacional, inventaram uma “fantochada” de comemoração itinerante que não traz trabalho, emprego, saúde e melhoria da condição de vida às populações. São formas que utilizam para diminuir a frustração do povo nesta data, gastando esse pouco (que deveria injectar na agricultura ou noutros incentivos produtivos) em combustível e nos demais aparatos de segurança e deslocação de pessoas convidadas. Não sabem quando custa produzir uma dobra, por isso, o lema é “vamos gastar, gastar…” e o povo vai pagando.

Nesta síntese pela passagem dos 33 anos de SãoTomé e Príncipe como Estado soberano, livre e independente, o País não passou por nenhum período de guerra que pudesse justificar o atraso e destruição das suas infra-estruturas económicas, produtivas e sociais.

Concluindo, diz-se que o atraso de SãoTomé e Príncipe deveu-se a má distribuição da riqueza que o País produz, concentrada em mãos alheias de grupos visíveis e invisíveis. Isso leva qualquer são-tomense a observar aquilo que alguém já escreveu sobre a situação de um país dos PALOP’s “Ricos na pobreza, pobres na riqueza”.

A.      Quaresma

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