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A fila de “tachos”
Dos nove nomes da lista à espera de “tachos”, só dois até este momento foram confirmados. Um para o Banco Central de SãoTomé e Príncipe e o outro de Embaixador de SãoTomé e Príncipe na Bélgica. Um terceiro deverá confirmar-se oficialmente dentro de dias ou semanas na Agência Nacional de Petróleo. “O Parvo” sabe que o gabinete executivo desta agência irá ser ocupado por uma figura do MDFM/PL ou pessoa muito próxima ao Presidente da República, Fradique Menezes. Quem poderá substituir o comandante “Kapala”, deverá falar e escrever correctamente o inglês, dada a natureza específica do sector. Mas, ao que se sabe, essa condição não será determinante, porque o que mais conta e que já entrou na moda é a cor política que deve destacar-se na corrida aos “tachos”. Os dois primeiros “tachos” já oficializados, só o de Embaixador de São-Tomé e Príncipe na Bélgica não é censurável, pelo facto de Gustavo dos Anjos, ex-ministro dos Negócios Estrangeiros possuir currículo na diplomacia. Mas, o do Banco Central foi entregue a uma figura que não tem formação em Economia e em Direito, premissas contidas no estatuto orgânico da instituição para as funções de Administradora da área de Gestão e dos Recursos Humanos. Trata-se da ex-ministra da Educação, Fátima Leite que vem do Ministério da Educação, Cultura e Desporto que terá que fazer um salto de aprendizagem no Banco Central (embora chefe) para conseguir dar conta de recado no meio de tanta gente que deveria ser promovida para ocupar essas funções. No meio dos constrangimentos criados com esta nomeação política – segundo fonte do BCSTP – a antiga ministra da Educação “vai levar algum tempo para se “engrenar” nas novas funções. Até lá - acrescenta - ela terá necessariamente que ser “manipulada” ou forçada a muitos “yes”. O novo Governador do BCSTP solicitado telefonicamente para comentar se essa situação não estaria ligado ao clientelismo político que decorre na Administração Pública de SãoTomé e Príncipe, Luís de Sousa preferiu não responder esta questão. Mas, concorda que algo não vai bem em consonância com a lei orgânica da instituição, acrescentando que a esse respeito, “estamos perante muitas outras situações”. Não explicou que situações, mas disse que quando se trata de questões técnicas bancárias o Governador está rodeado de um “staff próprio para decidir colegialmente com pessoas capacitadas”. Uma terceira fonte do BCSTP, com quem “O Parvo” cruzou, foi peremptório em dizer-nos que, mesmo uma administradora para a Administração e Gestão dos Recursos Humanos que não tem nada a ver com questões técnicas bancárias, deveria ter, pelo menos, uma formação em gestão, para credibilizar a própria instituição. “Mas – conforme ironizou a fonte – os políticos mandam e nós só temos que ver e aceitar”. Aliás, a situação de Fátima Leite não é nova no BCSTP, porque já ouve pessoas que também ocuparam cargos de chefia e que também não tinham formação correspondente aos estatutos orgânicos da instituição. Neste momento, o BCSTP está preparado para injectar boas noções de sociologia e psico-pedagogia bancárias. “Caso Alamão” do INAC O pedido de demissão do Presidente do Conselho de Administração do Instituto Nacional de Aviação Civil, Isidoro da Costa Alamão, enquadra-se perfeitamente naquela ofensiva de despromoção de figuras, para a abertura de vagas previamente orquestradas. Aliás, pode dizer-se que Isidoro Alamão ao aperceber-se de que o chefe do governo via o INAC como sendo um lugar de “tachos” para gentes do seu governo ou do partido, não permitiu mais argumentos, pediu demissão do cargo no dia 19 de Abril. Na sua carta de demissão dirigida ao ministro tutelar, o Presidente do Conselho de Administração do INAC começou por evocou as razões à letra: “Ao ter tido conhecimento da pressão que V. Excelência vem sofrendo deste o início das suas funções relativamente à minha presença no INAC como Presidente do Conselho de Administração desta instituição e considerando que o meu desempenho nessas funções não reúne consenso ao nível da chefia do actual governo, tomo a liberdade de, através da presente carta, informar a V. Exa. de que não estou disponível a partir desta data a continuar a desempenhar as funções que me foram confiadas, pelo que muito respeitosamente ponho o lugar de Presidente do Conselho de Administração do INAC à disposição de V. Exa.”. As coisas acontecem nos dias traçados. Já era do conhecimento de “O Parvo”, 20 dias antes, que Isidoro Alamão, Eng. Aeronáutico, se preparava para se demitir do cargo. As quatro paredes do centro comercial Internar podem confirmar isso mesmo, quando o Presidente do INAC, numa conversa relâmpago num dia de compras, dizia que estava a pensar nas tramitações que deve seguir para afastar-se do cargo. A conversa não se prolongou porque já se estava na hora do encerramento da loja. O incidente ocorrido 18 de Abril na pista do Aeroporto Internacional de São-Tomé com a transportadora angolana TAAG que originou rebentamentos dos pneus, devido a uma alegada ordem para abortar a descolagem do aparelho, foi para o presidente do INAC uma gota de água. Ou seja, não deu ordem ao controlador do tráfego para abortar a descolagem e o seu pedido de demissão em nada se relacionava com o incidente. O incidente com aquele pedido de demissão terá sido uma mera coincidência. Um inquérito sobre o caso decorre os seus termos e segundo uma fonte digna de crédito do ministério tutelar, tudo deverá estar concluído antes do fim deste mês. O ministro já aceitou o pedido de demissão do Isidoro Alamão, tendo o governo nomeado o substituto do demissionário, recaído na pessoa de Marco Conceição, um quadro também idóneo nestas coisas de aviação. Do ponto de vista de “O Parvo”, o ministro tutelar não deveria aceitar o pedido de demissão de Alamão sem apurar as conclusões do inquérito do incidente. Ao ter que aceitar a pressão do 1º ministro é porque terá colaborado com violação de gestão dos assuntos do Estado e do seu ministério. Nenhum ministro deve funcionar no seu ministério sob vontade aleatória de um chefe. Para isso, o Ministério de Arzemiro dos Prazeres deveria estar sob tutela do gabinete do Primeiro Ministro e sem um ministro tutelar. Mas nem todos os alegados “tachos” encomendados servem para quem os requisita. Por esse raciocínio soube “O Parvo” que o candidato apresentado ao Conselho de Ministros para a presidência do Conselho de Administração do INAC não terá sido de preferência do primeiro-ministro, Patrice Trovoada. (…)
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