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P     on line                                                                                                                                                            Edição: 57,Quarta-feira, 12 de Março de 2008                

     

Bom sinal da campanha anti-Sida no País:

Procura de preservativos está a aumentar

16-07-08 Aumenta a cada dia que passa a procura de preservativos em São Tomé Príncipe. Em seis meses, os são-tomenses consumiram cerca de 1 milhão de "camisinhas" numa população residente no País a rondar cerca de cem mil.

“Pensei que os preservativos tinham acabado no País, vocês estão a falhar demais”, desabafou Palmira Torres, dona do restaurante Alfa, em frente do Porto de São Tomé. Foram reclamações como essa que Almerindo Ferreira e Desinela Barros, educadores de pares da ALISEI (uma organização não-governamental italiana), ouviram ao reabastecer os depósitos de preservativos, espalhados nalguns centros frequentados diariamente por inúmeras pessoas.

A avaria numa das viaturas da Alisei e a falta de pessoal causaram falha de abastecimento durante 30 dias nos distritos de Água Grande, Mé-Zóchi, Caué, Lobata, Cantagalo e Lembá, deixando muitos estabelecimentos sem as referidas “camisinhas”. “No domingo passado, veio cá uma miúda bastante aflita à procura de preservativos e não havia. Sabe-se lá o que a ela aconteceu ”? – interroga.

O restaurante Alfa, cuja clientela inclui funcionários públicos, marinheiros e profissionais de sexo, é um dos postos de distribuição que a ALISEI considera “quentes”, onde um pacote com 144 “camisinhas” acaba em menos de duas semanas.

Essa procura constante por preservativos é um fenómeno novo em São Tomé e Príncipe. A iniciativa de depósito de preservativos nalguns locais muito frequentados por pessoas de todas as idades e sexo é da Alisei, juntamente com o Programa Nacional de Luta contra a SIDA (PNLS). Restaurantes, discotecas, barbearias e algumas lojas são alguns locais onde se pode encontrar aqueles depósitos de distribuição dos preservativos.

Cada estabelecimento recebe três embalagens por mês.  De Janeiro a Junho deste ano já foram distribuídos quase um milhão de preservativos nos 376 postos distribuidores espalhados pelo país dentro. A seroprevalência no arquipélago de 155 mil habitantes na costa do Gabão é de menos de dois por cento.

“Salva-vidas”

Eram cerca das 8h30 de 10 de Julho quando a carrinha da ALISEI, carregada de preservativos fez o abastecimento no restaurante Boca Loca, no Ponte Tavares. O último abastecimento havia sido feito na primeira semana de Maio último.

“O “salva-vidas” chegou”, disse Nuno Santos, 25 anos, após ter retirado duas carteiras de “camisinhas” do distribuidor, enquanto tomava o pequeno-almoço. “Foi difícil funcionar sem camisinha, todos os clientes interrogavam-nos bastante devido a ausência”, afirmou Valdemar Paquete, balconista do Boca Loca.

Também considerado “quente”, o restaurante fica aberto 24 horas, sete dias por semana. A movimentação nocturna atinge o “pico” e aos sábados e domingos, quem sai das discotecas Dolores, Tropicana Club, Kizomba, no centro da capital, fazem a última paragem em Boca Loca. “O preservativo é procurado por todo mundo, mas parece-me que os jovens são os que mais levam. As meninas também vêm aqui buscar”, explica Paquete.

Segundo Alzira do Rosário, directora do PNLS, os números são animadores, mas falta saber se as pessoas realmente estão a utilizar os preservativos. “Nós recomendamos também aos distribuidores que dêem duas carteiras utentes, correspondente a 12 camisinhas, disse.

Os preservativos são financiados pelo Projecto de Apoio ao Sector Social, Fundo da Nações Unidas para a População e pelo Fundo Global de Luta contra SIDA, Tuberculose e Malária. As autoridades sanitárias temem uma rotura do stock das “camisinhas”, razão pela qual já submeteram uma proposta de reforço no início de Julho ao Fundo Global.

 Mais camisinhas disponíveis

 De acordo com pedidos feitos pelos já tradicionais centros de distribuição dos preservativos, ALISEI vai dar início à nova fase de colocação de novos distribuidores ainda esta semana. Antes de receber os distribuidores, os novos pontos passam por uma inspecção e ALISEI leva em conta a movimentação de pessoas e a localização do estabelecimento.

As autoridades sanitárias pretendem atingir 400 postos de distribuição até ao final do ano, para garantir um maior acesso da população aos preservativos.

Em 2005 um inquérito do PNLS realizado em 49 localidades, demonstrou que 95 por cento da população são-tomense tem conhecimento do preservativo. Das 921 pessoas entrevistadas, 125 homens disseram que utilizam o preservativo nas relações sexuais. A média de relações ocasionais no último ano em São Tomé e Príncipe é de 21,9 por cento, um inquérito que exige uma actualização, desde que se começou com o projecto de depósito de preservativos nos citados centros.

            AL

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