|
|
Estudante no Brasil pede
ajuda urgente do Governo

Ederlise Fernandes Jesus de Carvalho
Eu estou me
recorrendo a vocês para comunicar um facto que, infelizmente, não é
muito agradável.
Meu nome é
Ederlise Fernandes Jesus de Carvalho. Estou fazendo enfermagem e já
estou no 3º ano do curso e, pela primeira vez, estou recebendo a
bolsa do Governo.
Mas,
infelizmente, não estou conseguindo a liberação do dinheiro no banco,
porque a empresa que forneceu o dinheiro é uma empresa nigeriana e o
banco do Brasil aqui não está aceitando o documento que o Ministério de
Educação e a Embaixada do Brasil em SãoTomé me enviaram pelo fax. E isso
já tem duas semanas e, infelizmente, a comunicação de Brasil para
SãoTomé não é fácil. Já tentei comunicar e alguém do Ministério já
tentou umas três vezes falar comigo…mas, como já tinha dito, a
comunicação é difícil e não resultou em nada.
A minha
família entrou em contacto com a ministra e com alguém da embaixada de
Brasil em SãoTomé, mas eu fiquei sem saber o que fazer… porque na minha
opinião alguém do Ministério deveria entrar em contacto com o único
representante da empresa Addax Petroliun afim de resolver esse
caso… Eu acho que não sou a única nessa situação..... e também penso que
o Ministério não está levando a sério o meu caso.
Eu como todos
os estudantes fora do país, muitas vezes ficamos de mãos atadas sem
rumo, devido as dificuldades de comunicação, dificuldades financeiras e,
por isso, por favor, se me puderem ajudar, de qualquer forma, obrigada.
Ederlise Fernandes Jesus de Carvalho
Minas Gerais; Belo Horizonte
Brasil

PIC
desmantela paço
de bruxaria em Micoló
A
Polícia de Investigação Criminal (PIC) desmantelou, semana passada na
praia de Micoló, um paço destinado à prática de bruxaria. Foram
retirados do local pelos agentes desta polícia, doze crânios humanos e
outros utensílios.
Para a PIC, esta é uma forma de desencorajar tal
actividade um pouco enraizada na cultura são-tomense. O director dessa
polícia, Lázaro Afonso considera que se está diante de um crime, tendo
em conta que se trata da remoção de restos mortais por via ilegal.
Manuel Quaresma, curandeiro e proprietário do paço
desmantelado, assegurou que o mesmo se destinava a tratamentos
tradicionais. Refira-se, no entanto, que algumas curas tradicionais só
têm surtido efeitos aos doentes vindos de curandeiros honestos que, em
muitos casos, nem se quer cobram dinheiro, mandando os seus clientes à
medicina convencional. Aliás, devido a dificuldades de emprego, a
prática de curandeirismo tem vindo a aumentar no país, somente para
burlar os são-tomenses que acreditam na feitiçaria.
Mícoló é uma zona povoada dos arredores da Praia de
Fernão Dias, onde muitos filhos da terra perderam a sua vida nos
trabalhos forçados de 1953, desencadeados por então regime colonial
português. Quando as caveiras foram detectadas, as primeiras informações
circulavam como sendo restos mortais dos falecidos da guerra de três de
Fevereiro de 1953, conhecido por “massacre de 53” ou “massacre de Batepá”.

Retrato da coligação governamental MDFM/PCD/ADI
No silêncio do dia
cinzento de 14 de Fevereiro 2008, tépido como brasa arrefecida e
semelhante a raios do sol, quando beijam preguiçosamente a terra,
caracterizando o “leve-leve” da nova geração de 12 de Julho de
1975, cobarde como cardumes de peixe ou carneiros em fila indiana.
E, Fradique Menezes,
fechando, abrindo sorridente os seus olhos e as suas sobrancelhas
confusas, semelhantes a “ciganos” e “saloios” das terras
montanhosas do Alentejo e do Ribatejo, quando se sentem entusiasmados na
euforia de negócios com larga margem de lucros e privilégios especiais,
exclusivamente, atribuídos àqueles que trepam os degraus do poder; Nasce
à luz política novo governo de coligação MDFM/PCD/ADI, germinado em
terreno fértil á corrupção, à bandidagem, ao roubo composto por uma
equipa especializada em “bleffing” económico e de olhinhos “grossos”
(como diz a gíria são-tomense) fixos no produto bruto da exploração do
petróleo.
Aquela equipa,
chefiada por Patrice Trovoada, está composta também por indivíduos
“bacharéis” em negócios escuros (salvo uma ou duas excepções que nunca
estiveram no governo) tendo frequentado certamente um estabelecimento de
ensino onde aprenderam a conjugar os verbos fracos, somente, na primeira
pessoa do singular do presente do indicativo, sendo, primeiro eu;
segundo eu; terceiro eu; quinto eu como, aliás,
dizia um artista são-tomense.
E, o que sobrar como
remanescente destina-se ao povo – a maioria – outrossim, o principal réu
culpado no processo de exploração do homem pelo homem que ocorre no país
há pouco mais de três décadas, sendo aquela maioria, sobretudo, jovens
indecentes que tomam “banho” somente, de quatro em quatro anos ou
no fim de um mandato presidencial, mantendo-se como “porcos” com
o corpo sujo à espera da nova carruagem eleitoral para poderem reeleger
os seus patrões ao exercício da soberania, enquanto a minoria honesta,
em geral, os mais velhos, que durante 30, 40 anos investiram o seu
esforço físico, intelectual (e até mesmo mental) dedicados,
exclusivamente, à reconstrução nacional, hoje, arrastados ao contentor
do lixo com a etiqueta de prémio Nobel no rosto: “PODE MORRER”.
Assim, fazendo uma
análise lógica com sínteses da realidade completamente afastado de
preconceitos políticos e partidários, o diagnóstico primário iria
revelar, por certo, que o actual governo de coligação MDFM/PCD/ADI não é
solução aos problemas mais prioritários que mais apoquentam o povo de
SãoTomé e Príncipe na vertente económica e muito menos no plano de
melhorias de qualidade de vida, porquanto:
Mudam-se os governos
em SãoTomé e Príncipe semelhante a um “homossexualista” que troca de “calças”,
“cuecas” e “ceroulas” tantas vezes quantas elas forem
necessárias ao dia, para agradar os “puritanos”, e persuadir a opinião
pública de que são sérios enquanto não passam de delinquentes de difícil
correcção como acontece com os políticos/dirigentes destas ilhas.
Povo de SãoTomé e Príncipe, crianças, adolescentes, jovens e adultos!
Se, porventura, aquele
grupo de pressão política que defende injustamente, os políticos no
poder erguesse as mãos à consciência sobre o êxodo dos 33 anos após à
independência e um olhar honesto fixo em fenómenos políticos e sociais
novos introduzidos no país, sem antever as suas consequências (sempre
desastrosas) destacando a democracia libertinada de Miguel Trovoada, a
opção pelo multipartidarismo e outras aragens da “fantochada” que
ocorreram no país, concluiriam, por certo, que “tudo” e “todos”, como o
monolitismo, o multipartidarismo têm as mesmas origens e os mesmos
objectivos, sendo defender os interesses pessoais e de grupos, encher a
barriguinha e os bolsos do bom, do melhor e do óptimo; E, no fim do
mandato ou de cessação de funções, mandam aquele povo pacato que os
elege tomar banho de água gelada e comer o “pão que o diabo amassou”,
para que ganhem juízo, consciência, e é por conseguinte esta a
descrição, o mais exacto possível, e uma leitura cuidada que faço do
retrato do governo de coligação MDFM/PCD/ADI, recentemente, empossado.
Aliás, “Benover
Deladier Ávila, célebre psico-pedagogo Norte-americano, dizia muitas
vezes “ in discours”: negro, não se afasta muito, nem do reino animal
nem do reino mineral, por exemplo, o ferro, etc, etc que, para ser útil
a si próprio e prestável ao universo, à sociedade a que pertence ele (o
homem) teria que ser submetido a uma metamorfose, “batido” vivo à quente
em forja, para ser transformado num “modelo”.
Assim, no caso se os
políticos “entre aspas” de SãoTomé e Príncipe e, sobretudo, os que
formam a coligação MDFM/PCD/ADI, bem como as suas afinidades não
passarem primeiro por um sistema de transformação semelhante àquela,
demonstrada no exemplo do psico-pedagogo norte americano, jamais SãoTomé
e Príncipe, nem daqui por 100 anos, terá a oportunidade de encontrar um
governo e um Estado dotado de homens sérios com aptidão política e
maturidade profissional para dirigir e gerir, senão os pequenos grupos,
oportunistas influenciados pela “burricada” negra que tem vindo a
trepar, abusivamente, os degraus do poder sem qualquer “marketing” de
realizações na perspectiva de melhoria de qualidade de vida da
população, influenciados pela fúria esmagadora de ambição ao poder.
Armindo
Cardoso

Análise
Benefício da dúvida ou o princípio da
suspeita instalada?!

Mário Gomes Bandeira
Pois é, é isso mesmo;
a Patrice Trovoada diz-se: “águas passadas não movem moinhos”. O
passado daquele que se diz, faz-se ou é político, não pode e nem deve
ser reduzido, ou melhor, branqueado com coloridos discursos
circunstanciais. Pois, o passado de um político é um bom indicador e
revela bem o seu carácter.
O passado de um
político, aquele que assume a responsabilidade dos destinos de um país
deve ser posta em causa em todo o momento e deve ser merecedor de
avaliação/escrutínio permanente sem qualquer constrangimento quando
estamos em democracia. É falácia genética e tempo perdido, argumentos
entendidos por alguns como politicamente correcto (o que recuso por
principio) se afirmar “dar benefício da dúvida” a este governo
liderado por Patrice Trovoada, concebido por Fradique de Menezes.
Não parece haver
dúvidas que, quer Fradique, quer Patrice serão pintados de ouro nos
próximos tempos. O dito benefício da dúvida tem um objectivo único: usar
argumentos/descrições/explicações distintas para uma acção negativa.
Contudo, uma coisa parece evidente, nunca mudamos a outra pessoa com a
conversa de benefício da dúvida. Em contrapartida, e, em definitivo
mudamos os nossos sentimentos e reduziremos a nossa dor de forma a
lidar-mos com o mal. Este primeiro-ministro de Fradique, Patrice
Trovoada, é o mesmo que foi e é dirigente do ADI mentor do banho em STP.
Basta olharmos a nossa
volta para percebermos que, com a entrada do “banho” em STP, o estado
calamitoso, a miséria esplendorosa a que o país chegou. Patrice Trovoada
e maioria dos seus ministros têm uma figura estratificada, rígida e
fechada sobre eles próprios na expectativa de criarem credibilidade –
enganam-se. Quem não sabe ou se lembra que Patrice Trovoada é o ilustre
e verdadeiro herdeiro das caducas tradições africanistas? Tradição
pautada de mentiras, ingratidão, nepotismo, inveja, incompetência,
autoritarismo, espírito de sabe-tudo, ganância, entre outros.
STP precisa de governo de “construção”
A ganância e
especulação através do “banho” imposto por ditos políticos como Patrice
Trovoada “deram o cabo do país”. Ainda restam dúvidas? STP não precisa
de governo de missão mas sim de construção. Foi com a entrada destes
falsários políticos em STP que a miséria deu o seu verdadeiro sinal de
ter vindo com eles para ficar. E, Fradique de Menezes é o responsável
que tarde ou cedo será chamado pela nação através da justiça popular
para prestar contas.
Prometeu sol para
todos, mas criou, facilitou e desenvolveu mau tempo para maioria. Foi
com entrada destes perjuros políticos em STP através de compra de
consciências (votos) com moedas estrangeiras e nacionais, bicicletas,
motorizadas e outros que a criminalidade tornou prato do dia no nosso
país.
Agora, como a antepenúltima cartada para garantir um certo futuro aos
corruptos, Fradique de Menezes lança em cena Patrice Trovoada. Que mais
espera aos são-tomenses? Fradique esqueceu-se dos conhecidos ditados:
“quem com ferro fere, com ferro será ferido e quem semeia vento colhe
tempestade”. Hoje, termos como primeiro-ministro Patrice Trovoada
escolhido por Fradique só se pode declarar: o princípio da suspeita está
como nunca
instalada em STP, porque Somos Santomenses .

Urge a valorização
e a preservação do
nosso Património Imaterial!!

Hector Costa
Mestrando em
Sociologia
na Universidade de
Coimbra
Definição:
Do ponto de vista da Sociologia da
cultura, o património imaterial representa um conjunto de elementos da
cultura tradicional que as comunidades consideram como parte da sua
identidade colectiva. As tradições orais, os sons, as festas, os
rituais, as línguas e os seus dialectos, a música, a dança, a
gastronomia, os pregões, a medicina tradicional, os jogos populares,
assim como os objectos, artefactos e os espaços culturais com eles
associados, são uma herança cultural, transmitida de geração em geração.
Todos estes elementos são utilizados
pelos grupos sociais para sobreviverem juntos enquanto cultura ou
sociedade. No entanto, são elementos culturais vulneráveis. Muitos já
desapareceram e outros correm o risco de se perderem no tempo. É
necessário promover as mais diversas formas culturais, no sentido de as
valorizar e preservar.
Facto:
É com sentimento de luto que abordo
tecnicamente este tema.
Pois, o património imaterial de São
Tomé e Príncipe, enquanto o produto de uma tradição, e portanto, de uma
cultura, isto é, testemunho vivo da aculturação centenária deste povo
crioulo, (Fernando Reis, 1960) está a soçobrar-se na “maré” ignorante do
poder político. Isto é, o investimento nesta área de identificação
colectiva, visando a sua preservação e valorização é quase inexistente,
é como quem diz, não faz parte do repertório central do Orçamento Geral
do Estado são-tomense.
Prova disso, é que alguns dos nossos
folclore (da noção inglesa “ folk” = povo) como “A Tragédia do Marquês
de Mântua e do Imperador Carloto Magno”, “Auto das Floripes”, que foram
introduzidos nas ilhas há séculos e que sobrevivem de uma forma amorfa.
E na “Ússua” que lembra as danças de salão do fim do século (Fernando
Reis, 1960). E nos “fundões”, onde se dançava à maneira metropolitana
com a música de ritmo africano. (Fernando Reis, 1960). Depois, o “Danço
Congo”, ou “a dança do capitão do Congo”, o “Socopé” que, segundo à
História é a nossa única inspiração, o “Plo Mon Dessu”...etc. Estão a
asfixiar-se nas “profundezas” do tempo, devido a inexistência de uma
política que vise à valorização e à preservação dos memos.
É, portanto, necessário que o poder
político centralize e invista vigorosamente na cultura, e tenha presente
que, o campo cultural faz parte do nosso processo mais geral de
transformação social. Pois, a cultura constitui hoje um contributo
precioso e imprescindível para a criação de atractividade turística e,
consequentemente, também por esta via, para o desenvolvimento endógeno
do País. Se o turismo é inquestionavelmente uma das nossas fontes de
riqueza, inquestionável é também que a cultura constitui uma das suas
fortes vertentes.
Para que a cultura seja potenciada
como um factor de progresso, urge em primeiro lugar, que o poder
político e a sociedade civil, ultrapassem a visão anacrónica e
reducionista da cultura nacional – infelizmente ainda vigente em alguns
meios. E por outro lado, o governo deve dar atenção devida à diversidade
de projectos e iniciativas nesta área. Só assim é possível dinamizarmos,
preservarmos e valorizarmos a nossa identidade colectiva. Porque, num
mundo globalizado, as práticas culturais ganham dimensão crescente
enquanto elementos diferenciadores, conferindo personalidade própria a
cada região, a cada comunidade ou nação.

“Zé
Brigada” faleceu
numa vila
de Viseu
Faleceu no dia 31 de
Janeiro, vítima de doença prolongada, numa vila nos arredores de Viseu –
Portugal – o famoso (carrasco)
Zé
Brigada, um dos protagonistas do histórico massacre de 1953 do
regime colonial português.
Trata-se de um homem que mereceu e
merece condenação de todos os são-tomenses que lutaram e lutam pelo
bem-estar do povo de SãoTomé e Príncipe. E, por ironia do destino, ele
morreu três dias antes do 55º aniversário do histórico Massacre de
Batepá de 1953.
Até ao fecho desta edição, foram
muito escassas as informações sobre aquele homem que terá saído de
SãoTomé poucos meses depois da independência. Aliada à escassas
informações sobre os últimos dias de vida daquele homem, não se sabe com
que idade ele faleceu, com quem vivia e se faleceu em casa ou no
hospital, que doença vinha padecendo, assim como a sua actividade
laboral antes da morte. Em SãoTomé exercia as funções de marceneiro.
Por ocasião desta
morte, Jerónimo Sousa Pontes diz:
A história do
MASSACRE de 1953 ou ” GUERRA de BA-TEPÁ”, foi, do meu ponto de vista,
produto da ganância, da e corrupção de alguns funcionários públicos, que
terão convencido o Governador Gorgulho, que poderiam contratar os filhos
da terra para a lavoura. Sabe-se que, perante a opinião pública
internacional e o bloqueio dos chocolateiros ingleses, os plantadores de
cacau perderam a capacidade de importar mais serviçais.
Ora, não cumprindo
a palavra dada, pagaram os JUSTOS pelos PECADORES. O Zé Brigada, na
altura, não passava de um recluso, assassino nato, a cumprir pena de
prisão efectiva, nos calabouços de S. Tomé. Ora, vendo uma magistral
oportunidade de se ver livre e prosseguir na profissão de matar,
aproveitou-a. Um aliado desta estirpe, serviria, obviamente, os
interesses do Governador Gorgulho. A partir daí, toda a justificação
para a carnificina que se seguiu, não passou de simples orquestração dos
mandantes!
Só que, 55 anos
depois do MASSACRE, não nos deixamos de banhar na lama, na presunção, na
intriga, na blindagem institucional, esquecendo-nos da solidariedade -
de tão poucos que somos!
Zé Brigada, nos
primeiros anos da nossa Independência, arranjou uma oficina de
marcenaria no coração da cidade. Andava para onde bem quisesse e
ninguém lhe pediu contas. Quando, por acaso, começaram a surgir rumores
de que estaria na iminência de ser preso e entregue à justiça,
simplesmente esfumou-se de S. Tomé. Como saiu? Quem organizou a fuga?
Alguém se terá lembrado de assinar uma lei com Portugal, para efeitos de
repatriamento de indivíduos dessa índole?
Para as memórias
futuras, aí fica, para o “Zé Mulato” ou “Zé Brigada”, o que tantos os
outros nossos irmãos não tiveram direito, mortos, às suas mãos:
REQUIESCAT
IN PACE “DESCANSE EM PAZ”

A “lixificação”
das comunidades imigrantes
em Portugal

Hector Costa
Mestrando em Sociologia
Definição:
A “lixificação” é o produto da
ausência de comunicações humanas. A distância social e cultural, criam
dificuldades ou incapacidades de compreensão. Daí resulta uma
predisposição para a hostilidade, desprezo, preconceitos e estereótipos
depreciativos, numa recusa de troca, numa vontade de ignorar os
estrangeiros, considerados diferentes. A “lixificação” dos estrangeiros
é mais intensa quanto mais o agregado nacional se julga importante e
“centro do universo”.Isto é, ela alimenta-se pelo etnocentrismo ou pelo
espírito nacionalista.
Factos:
O quotidiano das comunidades
imigrantes em Portugal, sobretudo, Africana, Brasileira e a Ucraniana é
de profunda perturbação e marginalização. Todas essas comunidades têm um
rótulo. Por exemplo, a Africana têm o rótulo de criminosa, a Brasileira
está associada à prostituição, a ucraniana tem o rótulo de mafiosa.
Todo este sofrimento das
comunidades imigrantes é, legitimado pela sociedade portuguesa que ainda
continua introvertida no seu conservadorismo. O caso “arrastão” é
Exemplo disso mesmo, que foi exibido troçadamente nos meios de
comunicação social, mas que não passou de um equívoco cognitivo.
Perante este cenário da autêntica
diabolização do “outro”, faz-me pensar muito sinceramente que os
portugueses têm memórias curtas ou são maus à História. Esqueceram-se
que entre os anos de 1855 até o final de 1930 perto de 2 milhões de
portugueses saíram de Portugal. 95% Rumaram ao Brasil e aos EUA, devido
ao desequilíbrio económico que caracterizou à economia portuguesa
durante o século e, que teve reflexo na distribuição regional das áreas
migratórias. Os portugueses iam para às Américas a procura da “Terra
Prometida”.
O destino brasileiro foi largamente
dominado durante o século XIX, prolongando-se pela primeira metade do
século XX. A partir da independência do Brasil, veio a afirmar-se
naquele país, progressivamente, o predomínio da “política imigrantista”,
por oposição à tradicional corrente” esclavagista”, ambas obviamente
inspiradas na necessidade de assegurar mão-de-obra para o povoamento e
para o desenvolvimento económico do novo Estado.
Embora com menor dimensão, o destino
dos estados Unidos da América foi muito importante para a emigração
portuguesa durante o século XIX, mantendo assinalável regularidade no
século seguinte e mesmo até ao presente.
Os anos de 1963 marca a transição da
emigração dominantemente transatlântica para a dominante continental,
sendo Brasil ultrapassado em efectivos, pela primeira vez, pelo destino
francês. Constituído este fluxo, na sua maior parte, pela emigração
clandestina para França (onde chegaram a estar imigrados mais de um
milhão de portugueses), essa corrente dirigiu-se também para Alemanha,
Luxemburgo, Suíça, Bélgica, Holanda e Grã-Bretanha.
A imigração intra-europeia
caracterizou-se pela procura de realização económica a curto prazo,
traduzidas por trabalho intensivo e prolongado, despesas reduzidas ao
mínimo essencial e, consequentemente, pela realização de aforros
significativos, quase integralmente investidos em Portugal.
Todo
este enquadramento histórico acima aludido foi para demonstrar por um
lado, que Portugal foi e continua a ser um país de emigração, isto é,
mais de 50 mil portugueses saem por ano de Portugal com destino à países
diversificados. Por outro lado, quero apelar ao diálogo e a compreensão
inter e multicultural e que façamos deste diálogo e desta compreensão,
verdadeiros alicerces para erguermos a convivência e o relacionamento
pacífico internacional.

Crónica
MDFM/PCD: sol que nasce no
poente
O Partido da Convergência
Democrática, PCD, e parte do Movimento Democrático, Força da
Mudança/Partido Liberal, MDFM/PL ficaram “congelados” na tarde de
domingo, três de Fevereiro, quando Tomé Vera Cruz foi à sede do PCD,
num carro irreconhecível, para anunciar que ia apresentar demissão
do cargo ao Presidente da República. Um expediente que Fradique de
Menezes aguardava, desde que Vera Cruz chegou de Lisboa, por razões
de saúde no princípio da última semana de Janeiro.
No final da
“teimosia feia” do PCD que aguentava Vera Cruz, Fradique
Menezes terá ficado mais “esperto”. Tomé Vera Cruz,
voluntariamente, decidiu colocar o seu lugar à disposição, devido ao
desleixo de deixa andar dos ministros à semelhança de uma manada sem
pastor. No fim das brincadeiras do “boneco de corda” nem o MDFM/PL,
politicamente, já não serve para nada.
Muitos
calmantes foram ao estômago na tarde e noite de sete deste mês e
houve quem terá permanecido horas numa das clínicas com problemas de
hipertensão. A surpresa de Vera Cruz não estava para brincar, depois
de uma reunião na Favorita, presidida por Fradique Menezes.
O antigo
Primeiro-Ministro, Damião Vaz de Almeida também já viu que a “cabala”
politica contra si sobrou de forma mais pesada para o MDFM/PL de Vera
Cruz Ou seja, falta de “imaginação” no defunto governo de
Damião Vaz d’Almeida e falta de “imaginação” e de “energia”
no de Tomé Vera Cruz.
Agora, a
iniciativa do ADI engrossar às fileiras governativas do MDFM/PCD
sozinho que não conseguiu fazer passar o OGE, Patrice Trovoada teve
agora luz verde do Presidente Fradique Menezes para remodelar o
governo ao seu “paladar”. O único intocável poderá ser Ovidio
Pequeno?
Muita “aflição”
no derradeiro governo de Vera Cruz remodelação no dia 26 de
Novembro/07. Delfim Neves, Óscar Sousa e Manuel Deus Lima se não
encontrarem um bom “curandeiro”, não terão facilidade para o
governo de Patrice Trovoada com intenções de formar um executivo
forte, sério e exemplar para conseguir chegar ao
Palácio do Povo em 2011.
A intenção
falhada de Fradique Menezes, quando a coligação MDFM/PCD venceu as
legislativas em Março de 2006, só agora terá dado o fruto, com o
patrocínio, se calhar, de alguns líderes vizinhos de SãoTomé e
Príncipe. Aliás, na altura daquela vitória legislativa, se ADI
entrasse no governo, o cenário actual poderia criar “careca”
à oposição do MLSTP/PSD que voltou a ganhar terreno nos últimos
meses.
ADI vai “salvar”
ou “complicar” a coligação MDFM/PCD? Se vier a “salvar”,
toda a sabedoria vai para Fradique Menezes e Patrice Trovoada. A
ver, vamos no meio de cenários de vários interesses que “atrapalham”
os homens quando estiverem sentados na mesa com faca e queijo nas
mãos.
Desta vez,
Fradique terá batido a mão na mesa durante uma reunião da Comissão
politica do MDFM./PL. Solução derradeira foi o convite feito ao ADI para
“salvar” ou “complicar” a coligação MDFM/PCD, não
importa. O que importa é mandar para casa um governo com “faca”
e “queijo” na mão, mas que não consegue cortar nada. A
arrogância, vaidade, prepotência e ausência de solidariedade na
solução dos problemas comuns é “o sol que nasce no poente”.
Com Patrice
Trovoada, toda a opinião pública está a espera das caras que vão
constituir o seu governo. Se for um “governo de missão e não de
tacho”, conforme já disse, poderá assim ser “o sol da
nascente”.
João
da Costa

Crónica
MDFM/PCD: sol que nasce no poente
18-02-08
O Partido da Convergência
Democrática, PCD, e parte do Movimento Democrático, Força da
Mudança/Partido Liberal, MDFM/PL ficaram “congelados” na tarde de
domingo, três de Fevereiro, quando Tomé Vera Cruz foi à sede do PCD,
num carro irreconhecível, para anunciar que ia apresentar demissão
do cargo ao Presidente da República. Um expediente que Fradique de
Menezes aguardava, desde que Vera Cruz chegou de Lisboa, por razões
de saúde no princípio da última semana de Janeiro.
No final da
“teimosia feia” do PCD que aguentava Vera Cruz, Fradique
Menezes terá ficado mais “esperto”. Tomé Vera Cruz,
voluntariamente, decidiu colocar o seu lugar à disposição, devido ao
desleixo de deixa andar dos ministros à semelhança de uma manada sem
pastor. No fim das brincadeiras do “boneco de corda” nem o MDFM/PL,
politicamente, já não serve para nada.
Muitos
calmantes foram ao estômago na tarde e noite de sete deste mês e
houve quem terá permanecido horas numa das clínicas com problemas de
hipertensão. A surpresa de Vera Cruz não estava para brincar, depois
de uma reunião na Favorita, presidida por Fradique Menezes.
O antigo
Primeiro-Ministro, Damião Vaz de Almeida também já viu que a “cabala”
politica contra si sobrou de forma mais pesada para o MDFM/PL de Vera
Cruz Ou seja, falta de “imaginação” no defunto governo de
Damião Vaz d’Almeida e falta de “imaginação” e de “energia”
no de Tomé Vera Cruz.
Agora, a
iniciativa do ADI engrossar às fileiras governativas do MDFM/PCD
sozinho que não conseguiu fazer passar o OGE, Patrice Trovoada teve
agora luz verde do Presidente Fradique Menezes para remodelar o
governo ao seu “paladar”. O único intocável poderá ser Ovidio
Pequeno?
Muita “aflição”
no derradeiro governo de Vera Cruz remodelação no dia 26 de
Novembro/07. Delfim Neves, Óscar Sousa e Manuel Deus Lima se não
encontrarem um bom “curandeiro”, não terão facilidade para o
governo de Patrice Trovoada com intenções de formar um executivo
forte, sério e exemplar para conseguir chegar ao
Palácio do Povo em 2011.
A intenção
falhada de Fradique Menezes, quando a coligação MDFM/PCD venceu as
legislativas em Março de 2006, só agora terá dado o fruto, com o
patrocínio, se calhar, de alguns líderes vizinhos de SãoTomé e
Príncipe. Aliás, na altura daquela vitória legislativa, se ADI
entrasse no governo, o cenário actual poderia criar “careca”
à oposição do MLSTP/PSD que voltou a ganhar terreno nos últimos
meses.
ADI vai “salvar”
ou “complicar” a coligação MDFM/PCD? Se vier a “salvar”,
toda a sabedoria vai para Fradique Menezes e Patrice Trovoada. A
ver, vamos no meio de cenários de vários interesses que “atrapalham”
os homens quando estiverem sentados na mesa com faca e queijo nas
mãos.
Desta vez,
Fradique terá batido a mão na mesa durante uma reunião da Comissão
politica do MDFM./PL. Solução derradeira foi o convite feito ao ADI para
“salvar” ou “complicar” a coligação MDFM/PCD, não
importa. O que importa é mandar para casa um governo com “faca”
e “queijo” na mão, mas que não consegue cortar nada. A
arrogância, vaidade, prepotência e ausência de solidariedade na
solução dos problemas comuns é “o sol que nasce no poente”.
Com Patrice
Trovoada, toda a opinião pública está a espera das caras que vão
constituir o seu governo. Se for um “governo de missão e não de
tacho”, conforme já disse, poderá assim ser “o sol da
nascente”.
João
da Costa

Análise
SãoTomé
e Príncipe sob os escombros
das desigualdades sociais
30-01-08
A situação real e
actual de SãoTomé e Príncipe é de profunda perturbação, por vezes
uma perturbação ainda mais infernal do que a ocorrida nos piores
momentos dos anos mono-partidário.
Factos:
1-Há
algum tempo que se verifica que as desigualdades sociais estão cada
vez mais intensas, isto é, os grupos sociais mais desfavorecidos são
quotidianamente, vítimas de profunda opressão económica, são
privados do exercício de cidadania, empurrados para os escombros da
profunda pobreza material.
2-O
projecto turístico do ilhéu das Rolas, arquitectado pela companhia
Rotas de África e legitimado pelo Estado, foi uma acção lúcida. Mas
os efeitos sociais dessa acção foram perversos. Pois, conduziu à
segregação social dos excluídos, através de uma cartografia
espacial, dividida em zonas “selvagens” e “civilizadas”.(BSS)
3
- Nas
zonas “selvagens” (zona dos “indígenas”), o Estado age
fastidiosamente, como Estado predador, sem qualquer veleidade de
observância, mesmo aparente, do direito. As zonas “civilizadas”
(zonas hoteleiras) são zonas de contrato social e vivem sob a ameaça
constante das zonas “selvagens”. Para se defenderem, transformam-se
em “castelos neo-feudais.
4-
O desespero e o medo culturalmente legitimado estão, a apodrecer e a
silenciar sociedade civil. O Estado torna-se um inimigo, os
comportamentos e as condutas anti-sociais (prostituição, crimes
organizados, tráficos de droga, violência doméstica e sexual etc.)
surgem de Norte à Sul das ilhas.
5-No
contexto sócio-político, o desempenho das funções judiciais, tem
traduzido na emergência de situações de tensão institucional entre o
sistema político e o sistema judicial e no maior protagonismo social
e político dos tribunais.
Neste sentido,
podemos encontrar duas grandes formas de justiça: justiça de rotina
e a justiça dramática/teatralizada (BSS).
A justiça de
rotina é aquela que ocupa 99% do trabalho dos magistrados. Isto é,
feita para “matar” a liberdade da maioria da população marginalizada
pelo sistema.
A justiça
dramática/teatralizada, representa uma pequena fracção do trabalho
judicial, ela tem lugar sempre que os tribunais “ julgam” arguidos
económicos, sociais, ou politicamente poderosos.
A justiça
dramática traz os tribunais para a ribalta mediática e não envolve
necessariamente problemas juridicamente complexos.
Em S.Tomé e
Príncipe, nós temos vários casos de justiça dramática, caso”GGA”,
caso “ Banco Central” etc.
Isto é, justiça
feita para legitimar e reproduzir em moldes diferentes à corrupção e
as desigualdades sociais.
6-
Perante toda esta perplexidade, eu julgo que nós precisamos
urgentemente de alguém (político) que saiba utilizar à sua sapiência
de uma forma edificante e não heróica ou eleitoralista, para o
engrandecimento socio-económico de São Tomé e Príncipe. Precisamos
de alguém que consiga “casar” a busca da verdade e a busca do bem.
Pois, nesta fase de grande agitação emocional e psíquica é
perigosíssimo dividir a busca da verdade da busca do bem.
Hector Costa
Mestrando em Sociologia

Colonialismo? Ilhéu das Rolas,
Meu
Amor Roubado!
07-01-08
Que
analogia existe entre o apartheid sul-africano, situação
israelo-palestino, a ilha Diego Garcia controlada pelos britânicos
no arquipélago de Chagos no Oceano Índico e o nosso ilhéu das Rolas
(Ver O Parvo n.º 277 de 29.12. 2006, página 10), desorientado por um
Estado, cuja autoridade é imposta e demonstrada pelo poder das balas
compradas no ocidente – mortes cobardes de cidadãos? O conflito
presente latente, sobre a usurpação abusiva e o embuste do ilhéu das
Rolas é uma nova versão do colonialismo.
A defraudação e “expulsão” da
população autóctone do ilhéu das Rolas e arredores das suas terras
é semelhante ao que aconteceu com os negros da África do Sul, com os
colonizadores da Palestina e o engano e expulsão dos habitantes da
ilha Diego Garcia pelo governo inglês enviando-os para o exílio. É
esta a verdadeira significância do fradiquismo.
Apesar das condições históricas
e económicas diferentes, o que está em causa, tal como no ilhéu das
Rolas é o domínio da terra por grupos cujo interesse é subjugação
de um povo. O ilhéu das Rolas transformou-se num projecto tipo
sionista, cujos membros de governo e restantes representantes do
Estado de STP, deturpam a imunidade política com a impunidade,
tentam negar a existência de uma população nativa vivendo neste
espaço, parte integrante do país, conforme a Constituição da
República Democrática de STP.
Tal como sionismo evoca uma
terra sem povo para um povo sem terra. Este projecto sionista do
século XXI em STP visa estabelecer uma dominação demográfica
estrangeirada onde o são-tomense paga e caro para deslocar dentro da
sua terra. Esta brutalidade do fradiquismo na repressão das
rebeliões e o sistema de interdição aos são-tomenses dentro do seu
território faz nascer um ressentimento popular que está na origem da
tradição anti-colonial da sociedade são-tomense.
Que fique explicito: nós, os
são-tomenses sabemos distinguir o detestado colonialismo português e
a cultura portuguesa, que faz parte da nossa vida. A política em
STP está cada vez mais distante da vida quotidiana dos são-tomenses.
As tarefas do dia-a-dia estão bloqueadas de rupturas e se acomodam à
um cenário institucional incerto e mutante. A dita democracia, a
democracia do papel não é assegurada.
Os que utilizam o direito à
livre expressão, aqueles que se manifestam opiniões contrárias aos
governantes são tidos como que despreocupados e desinteressados com
o desenvolvimento do país – são tidos como indesejados no país. A
suposta inteligência são-tomense é hoje dirigida por usurpadores,
farsantes e, na melhor das hipóteses, cegos guias de cegos.
O governo, o Estado de STP tem
uma postura autoritária, vive à custa do silêncio anestésico do
parlamento e dos partidos políticos. O governo, o Estado de STP
entende que não deve satisfações aos cidadãos, age de acordo com a
sua conveniência e interesse. Daí a usurpação para recompensar os
interesses de alguns habitantes do ilhéu das Rolas, meu amor
rou-bado.
Este Estado, este governo não
tem uma outra caracterização senão autoritária porque por
excelência, representa interesse dos governantes em detrimento do
bem geral, nega direitos aos cidadãos e impõe ao país a miséria. Não
é por acaso que segundo a Lusa citando a Vitrina afirma que: “altos
dirigentes do estado têm sido vistos, nas últimas semanas a tomarem
refeições com responsáveis do Grupo Pestana Equador, onde pouco mais
de 100 naturais e residentes da ilha recebem ordem de expulsão”.
Também não será a mera
verborreia que caracteriza o Presidente Fradique que segundo a Lusa
ele afirmara: “é o único grupo que está a investir no turismo,
tivemos um outro, mas a capacidade e gabarito do grupo Pestana
não há”.
Tenho que questionar o que
leva, que interesse tem o Sr. Presidente Fradique no tal
empreendimento no Ilhéu das Rolas do Grupo Pestana Equador, para que
peça a seriedade e não é capaz de pedir seriedade a si próprio e ao
seu governo no que diz respeito a bem de todos? Por-que Somos
São-tomenses!
Mário
Gomes Bandeira

Crónica de
Luanda
“Comissão Mista STP- Angola ou
turismo de borla”!
O governo da
coligação MDFM/PCD terá sido humilhado em Luanda, durante a Vl
reunião da Comissão Mista entre Angola e São Tomé e Príncipe, 26 a
30 de Novembro/07. Terá sido também um “turismo de borla”
para os viajantes ministeriais.
À chegada da
delegação são-tomense ao aeroporto 4 de Fevereiro, ela foi dividida
em duas partes: corte alta e corte baixa. Corte
alta, para os ministros Óscar Sousa, Manuel Deus Lima e Delfim
Neves, presidente do Governo Regional, Tozé Cassandra, presidente da
Câmara de Comercio, Abílio Afonso Henriques e alguns directores.
Corte baixa, para os directores que seguiram para uma pensão à
maneira no Morro Bento.
Frustração da
corte baixa era grande. Queriam mesmo regressar no dia seguinte,
uma quinta-feira, para São Tomé. Os trabalhos e as refeições
decorriam no Centro de Convenção de Talatona e tinham
que desafiar engarrafamento diário e era a pensão que não oferecia
conforto.
Comissão Mista de autentico “baile” que Angola deu a
delegação de Óscar Sousa, mostrando o seu desagrado com a liderança
do governo de coligação de Tomé Vera Cruz. Um governo sem hipótese
em Luanda. Um governo que terá que ir à igreja da Sé pedir clemência
e piedade a São Tomé Poderoso para conseguir qualquer coisa como
bênção.
Foram três
ministros de São Tomé e Príncipe contra o Ministro de Petróleo de
Angola. Desidério Costa se não fosse co-presidente da Comissão
Mista, se calhar, nem ele comparecia.
Na visita a Rádio
Nacional de Angola e Televisão Publica de Angola, o ministro da
Comunicação Social Manuel Reberais, recebeu a comitiva são-tomense
na sala de reunião da Rádio Nacional num encontro-relâmpago.
Desapareceu imediatamente. Na Televisão, nem sequer viram a presença
do Director Geral da estação.
Só visto e nem se
acredita numa soberania a ser “humilhada” em grande área. Até houve
ousadia de alguém cantar vitoria para confundir a cor do céu
azul-marinho para os são-tomenses. Objectivamente, os
são-tomenses estão a ver que a cor é negra.
Muitos
são-tomenses residentes em Angola já viram que a côr é mesmo negra.
Já reconheceram o fracasso desta Comissão Mista. O “caso nijas”
e a falta de credibilidade do governo são-tomense estão para durar.
Angola gastou muito dinheiro com a formação dos jovens “ninjas”
e terá estado bem aborrecido. Nijas, hoje, maltratados são um
dos maiores pecados da “corte alta”.
Comunidade são-tomense acredita que o “caso nijas” não é um problema
do Estado são-tomense. É tão-somente um problema da coligação
MDFM/PCD. Reconheceu publicamente que há mutilados e quer mandar os
rapazes para casa de mãos vazias ou doentes até a morte. Os “búfalos”
que eram considerados criminosos e diabos, hoje, são
santos da coligação MDFM/PCD.
O governo não
abandona o cúmulo de atraso e de pouca vergonha. O ministro da
Defesa foi visto muito mal à frente da Comissão Mista. Preferiram
que fosse o ministro “minho”, dos petróleos de STP ou que
fosse “pequeno”, dos Negócios Estrangeiros. Recados e avisos
sem eco estão a mergulhar-se no ambiente dos surdos e mudos.
Militares deram
golpe de Estado, não lhes passou nada. “Búfalos”, idem, foram
amnistiados e hoje acarinhados. “Ninjas” só reivindicaram os
seus direitos. Hoje, são criminosos para a morte e, antes, terão de
responder num tribunal marcial. As letras do compromisso público
assumido pelo Estado apagaram-se no “dossier” do Parlamento.
Angola
divertiu-se que farta. “Feriu” com adjectivos diplomáticos o chefe
da delegação são-tomense que organizou a formação dos agentes da
PIR. Óscar Sousa, nos dias 26 a 30 de Novembro terá fartado de ver
no rodapé da TPA: “7 ninjas estão sob custódia militar e vão ser
julgados por um tribu-nal marcial porque atentaram contra a
segurança de Estado”. O que já não era noticia, voltou a sê-lo
na Comissão Mista nos quartos do hotel.
O
perdão da divida e a viagem de são-tomenses para Angola sem visto
terão sido a maior desilusão para os governantes da coligação
MDFM/PCD. No final dos trabalhos, os acordos deveriam ter sido
assinados às 16:30 horas. Só aconteceu às 22 horas e muitos
angolanos não compareceram ao jantar no Hotel Trópico.
A delegação
deveria regressar no dia três de Dezembro. Angola estava “farta” de
ver as “caras” no solo angolano. Fez as contas e despachou de
imediato a delegação logo no avião da Sonair no dia 1 de Dezembro
para São Tomé.
O Presidente do
governo regional do Príncipe saiu melhor do que o governo central.
Foi bem tratado pelo governador de Luanda e foi recebido em Cabinda
pelo Governador local com honras culturais. Assegurou, para as
respeitosas figuras do Príncipe, formação profissional para os
filhos do Príncipe. O Governador de Cabinda Aníbal Rocha aceitou o
convite de Tozé Cassandra para a festa da Autonomia no Príncipe.
Não importa é
mais uma história de figuras mal colocadas e mal sentadas nos
gabinetes ministeriais de SãoTomé e Príncipe.
“Freelancer
O Parvo”

Primeiro
o Desenvolvimento Endógeno e depois
a Integração Económica e
Monetária
O
processo de desenvolvimento económico supõe a
necessidade de ajustes institucionais, fiscais e
jurídicos, incentivos às inovações e investimentos,
assim como fornecimento de condições para um sistema
eficiente de produção e distribuição de bens e serviços
à população.
Crescimento significa aumento do
tamanho mediante a absorção de recursos externos.
Desenvolvimento significa desdobrar plenamente
potencialidades, elevando-se a uma condição
qualitativamente superior. Crescimento e desenvolvimento
económico regem-se por leis diferentes. O crescimento
tem limites, enquanto que o desenvolvimento é
teoricamente ilimitado. O crescimento é tributário de
elementos exógenos, enquanto que o desenvolvimento é por
definição endógeno.
Globalização é vista como o
conjunto de transformações na ordem política e económica
mundial que vem acontecendo nas últimas décadas. O ponto
central da mudança é a integração dos mercados numa
“aldeia-global”. Os Estados abandonam gradualmente as
barreiras tarifárias para proteger sua produção da
concorrência dos produtos estrangeiros e abrem-se ao
comércio e ao capital internacional.
A
liberdade de trocas tornou-se num fenómeno de moda e
levou à constituição de zonas de total liberdade
económica, como é o exemplo da criação do mercado único
entre os Estados Unidos e o Canadá, desde 1988, e do
mercado único europeu, desde 1993, a assinatura de
acordos de livre-troca entre o Brasil e a Argentina e a
Austrália e a Nova Zelândia, União económica e Monetária
de Oeste de África (UEMOA) desde 1994, Comunidade
Económica e Monetária da África Central (CEMAC) desde
1994,
Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral
(SADC) desde 1992
etc.
O
que acontece em São Tomé e Príncipe?
Nos
dias de hoje, no nosso país debate-se com a questão de
integração económica e monetária e as diferentes
alternativas de ancorar a nossa moeda. Contudo,
observa-se na literatura económica corrente, poucos
estudos que explicitem os limites a que podem chegar
políticas de estabilização baseadas em âncoras monetária
e cambial, principalmente numa economia caracterizada
por fortes desequilíbrios fiscais como a nossa.
Na
minha opinião, este é um assunto bastante importante
desde o ponto de vista do desenvolvimento económico. Mas
a minha desilusão em tudo isto, é a pouca, ou mesmo, a
falta de discussões sobre o desenvolvimento endógeno em
STP. Não se deve pensar na integração económica e
monetária nem na ancoragem monetária como forma de
valorização da nossa moeda vendo somente os aspectos
exógenos ligada a economia. Primeiro devemos estudar os
aspectos internos que contribuem para a desvalorização
da nossa economia e consequentemente da nossa moeda e
analisá-los de forma tal, que medidas de política
económica correctivas e coerentes sejam tomadas para o
efeito.
Não
devemos incutir na cabeça do nosso povo que “a Dobra já
deu o que tinha para dar”. Devemos sim dizer que é
possível valorizar a nossa Dobra, mas primeiro, devemos
tomar medidas de política económica nos sectores
estruturais da economia, isto é, sector real, fiscal,
monetário e externo com o objectivo de procurar
equilíbrio macro-económico conducente essencialmente a
criação de riqueza e redução de inflação e só depois é
que devemos pensar sobre a questão de ancoragem
monetária como via de assegurar o tal equilíbrio e
estabilidade já conseguido. A ancoragem monetária por si
só não resolverá o problema de inflação nem da
competitividade económica enquanto continuarmos com uma
economia completamente desorganizada nos seus aspectos
vitais. Por tudo isto e muito mais, digo que a Dobra
poderá ter muito para dar.
A
vontade política e a participação da sociedade civil
nestes aspectos, devem estar viradas à promoção de
discussões profundas sobre a nossa situação
macroeconómica, neste caso, como produzir mais para
abastecer o mercado interno e obter excedentes para a
exportação, como resolver o problema da indisciplina
fiscal que tem como consequência o crónico déficit
fiscal, como resolver o problema do comercio interno que
nalguns casos vêm sendo realizado em moedas
estrangeiras, que políticas concretas para atracção de
capital externo de modo a termos uma boa situação de
reservas liquidas externas. Estas e outras questões
merecem ser debatidas profundamente no nosso país.
Lições importantes da integração económica e monetária
Muitos perguntam: porquê a Guine Bissau integrou-se na
União Económica Monetária de Oeste Africano (UEMOA) e
neste momento apresenta fortes problemas na sua
economia?
A 2
de Maio de 1997, Guiné-Bissau tornou-se o 8º Estado
membro da referida União. Certamente ao integrar-se
neste grupo, fê-lo mais por conveniência política e não
pelas análises de uma série de factores macroeconómicos
pré e pós integração. O objectivo não deve ser
simplesmente integrar-se ou ancorar-se, mas também,
definir e ter a coragem política para levar a cabo
políticas de estabilização e de suporte aos critérios
predefinidos.
Para os países que participam na integração económica ou
monetária a sua vulnerabilidade ao fluxo de capitais
privados aumenta, enquanto que para aqueles que não
participam, aumenta o risco de marginalização de fluxo
do comércio internacional e da prosperidade global.
Portanto, a integração é boa sempre quando haja criadas
condições internas para sua efectivação.
Numa política de
integração, não deve haver incertezas no comportamento
dos preços dos produtos básicos, a inflação deve estar
sob controlo, deve haver melhorias significativas das
finanças públicas e os agregados monetários devem
reflectir uma política de prudência conveniente.
Há cada vez
maior confirmação de que as economias que registaram
maior progresso e que mais beneficiaram de tendências da
integração económica e monetária foi devido à aplicação
de um conjunto de políticas destinadas a atingir três
objectivos principais:
-
Alcançar e
manter a estabilidade macroeconómica;
-
Promover a
abertura ao comércio e aos fluxos internacionais de
capital e;
-
Limitar a
intervenção do Governo nas áreas de verdadeiras
falhas de mercado e fornecer as infra-estruturas
económicas e sociais necessárias.
Estes três
objectivos de política económica devem complementar-se e
reforçar-se mutuamente com:
·
Estabilidade
macroeconómica traduzida em inflação baixa, taxas de
câmbio realistas e prudência fiscal, essencial para
expandir a actividade económica interna, a qual é uma
pré-condição para se beneficiar de fluxos de capital
sustentados.
·
A
liberalizarão do regime comercial e cambial que leva a
economia a explorar as suas vantagens comparativas
através do comércio.
-
O papel primário
dos Governos na criação de um ambiente que encoraje
o investimento interno e estrangeiro assim como
dotar o país de uma sólida infra-estrutura para
apoiar a expansão da economia.
Conclusão
É bom reconhecer que
todos os países que tiveram ou têm estado a experimentar
êxitos com a integração das suas economias, foi porque
ao fazê-la, primeiro tiveram que estabelecer
internamente políticas socioeconómicas coerentes e
efectivas. Por isso, são-tomenses, reflictamos e
concluamos que o desenvolvimento deste país depende de:
a)
Assumir que
somos são-tomenses e que o nosso interesse deverá ser o
de desenvolver o país contrariamente daquilo que tem
estado a acontecer.
b)
Activar e
desenvolver as capacidades produtivas do país.
c)
Conceber
estratégias de politicas exógenas para assegurar a
estabilização e crescimento económico de modo a garantir
o desenvolvimento socioeconómico e prosperidade desejada
por todos nós
Mãos à obras são-tomenses!
Célsio Quaresma
(Economista)
E-mail:
celsioq@hotmail.com

Crónica
“Terrorismo psicológico”afecta são-tomenses!
O medo,
a desilusão, o deixar andar e a
resignação estão a tomar conta dos são-tomenses em
plena liberdade política constitucional. As dificuldades
de sobrevivência do cidadão comum são cada vez maiores.
Os lamentos aqui e acolá sobre a situação social e
económica das pessoas e o comportamento egocentrista
dos dirigentes políticos estão no auge das piadas
citadinas.
Todos os
transeuntes terão estado zangados e
reticentes. Lê-se também nas almas vivas que umas
estão intrigadas e outras se mostram expectantes
no que pode ou vai acontecer. Os resignados, se
calhar, os mais iluminados, dizem que os
são-tomenses foram anestesiados depois de Março
de 2006. Obra divina? Obra dos pecadores políticos que
gerem o país?
Anestesia
terá sido aquilo que impedira o “choro” dos
trabalhadores da Função Pública. A maioria não chora e
não vai chorar tão já. Em sua substituição, só uma
minoria é que “canta”. De Março/06 em diante, SãoTomé e
Príncipe mergulhou-se na autocensura colectiva. A
cidadania está à procura de um esconderijo
voluntário enquanto a anestesia continuar a surtir
os seus efeitos.
O
são-tomense “desatento” está a aumentar em números cada
vez maiores num Estado dentro de vários Estados de mesma
cultura e nacionalidade. Os preços de tudo que seja de
consumo básico da população continuam a disparar.
Ninguém se atreve a ter uma outra voz moralista e
despertadora. Deixar para ver como fica é uma das partes
das piadas.
O ano
lectivo 2007/08 abre as portas no meio de carências
docentes gritantes e camufladas. E, não se sabe se
Ayres de Menezes e outros centros de saúde estarão
preparados para receber num futuro próximo o ataque de
uma epidemia de fraqueza e de fome no
próximo ano escolar. Desorientação parece ser total e em
todos os sentidos. O governo, só agora, quer contrair
novas dívidas para aliviar a situação!
Escolas
sujas e sem casas de banho para alunos e professores,
carteiras partidas, falta de professores qualificados
são, entre outras, anomalias que podem constituir
grandes manchetes em surdina. O Sindicato dos
Professores, se calhar, não terá mais voz para levá-la
ao céu. Aurélio Silva do Sindicato dos Trabalhadores do
Estado já não "existe", por sua própria culpa e dos
funcionários públicos infiéis a classe a que pertencem.
A tarifa
da água e energia da EMAE terá de sofrer alterações à
luz dos novos aumentos do preço dos combustíveis da
ENCO. É uma questão de gestão para actualizar e pôr em
dia as contas de uma empresa super-rentável, mas que só
acusa défice na contabilidade financeira. Um povo
anestesiado não reage, porque os efeitos da
inibição são para durar.
Como é
que estão as contas da Segurança Social? Quem são os
maiores devedores? Os saldos desta instituição são cada
vez mais negativos? Quem paga e quem não paga? Todas as
empresas e sectores têm as suas contas regularizadas
nesta instituição de solidariedade?
A EMAE,
super-rentável, é uma empresa falida? ENASA é também uma
empresa falida? A ENCO, também super-rentável está no
mesmo gráfico da EMAE? E o Banco Central está a “chorar”
divisas, porque a escassez do arroz deixou entender essa
dificuldade! A ENAPORT também quer cheirar falência? A
CST e o BISTP dentro do Estado são-tomense é que não
estarão a reclamar risco de falência! Que segredo de
gestão está na CST e no BISTP?
Sem
dinheiro e sem meio, o trabalhador comum continua a
abastecer o mercado nacional com banana, fruta-pão,
matabala, jaca, búzio, vinho da palma, cebola,
batata-doce, tomate, quiabo, cenoura, peixe e carne de
porco e ovos. Que segredo tem o “Zé-povinho” para estar
ainda a abastecer o Mercado Municipal e o do Côco-Côco
com esses produtos?
Os
dirigentes e governantes que nada produzem são os que
ostentam melhores condições sociais, financeiras e
demais regalias. As teorias, muitas das quais, copiadas
e sem qualquer aplicação prática, seminários, ateliers e
retiros aqui e acolá repetitivos e viagens é que fazem
da sua exclusiva sustentação? As coisas básicas e
indispensáveis para o arranque do desenvolvimento,
ninguém sabe conceber e materializar.
Esta é a
razão por que o povo terá decidido mergulhar na
autocensura. Ou seja, só fala aquilo que agrada o poder.
A maioria decidiu pelo zémé çá tamé di flá = mergulho
ao silêncio. Os cidadãos estão a viver um
terrorismo psicológico em SãoTomé e Príncipe. Ou
seja, quem se atreve abrir a boca para criticar e dizer
a verdade, já sabe que vai sofrer as suas represálias de
mãos visíveis em pequena escala e invisíveis na maior
dimensão.
O povo de
STP sairá do silêncio se as últimas propostas de
Fradique Menezes junto do governo taiwanês forem
materializadas, para resolver definitivamente o problema
de energia eléctrica, água potável e
saúde para o povo. Fradique terá dado mais ouvido às
opções da oposição parlamentar do MLSTP/PSD e ADI a
propósito do Orçamento Rectificativo. Centro de
Conferências, lota/doca e outras obras ficariam para o
segundo plano. Só assim, o povo de STP, se calhar,
tentará sair da autocensura. A maioria terá uma e
única opinião pública: “mudança já entrou em SãoTomé
e Príncipe”!!!
Hanek |