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ARVO

P                                                                                                                                                               Edição: 57,Quarta-feira, 12 de Março de 2008                    

Estudante no Brasil pede ajuda urgente do Governo

 

Ederlise Fernandes Jesus de Carvalho

Eu estou me recorrendo a vocês para comunicar um facto que, infelizmente, não é muito agradável.

Meu nome é Ederlise Fernandes Jesus de Carvalho. Estou fazendo enfermagem e já estou no 3º ano do curso e, pela primeira vez, estou recebendo a bolsa do Governo.

Mas, infelizmente, não estou conseguindo a liberação do dinheiro no banco, porque a empresa que forneceu o dinheiro é uma empresa nigeriana e o banco do Brasil aqui não está aceitando o documento que o Ministério de Educação e a Embaixada do Brasil em SãoTomé me enviaram pelo fax. E isso já tem duas semanas e, infelizmente, a comunicação de Brasil para SãoTomé não é fácil. Já tentei comunicar e alguém do Ministério já tentou umas três vezes falar comigo…mas, como já tinha dito, a comunicação é difícil e não resultou em nada.

A minha família entrou em contacto com a ministra e com alguém da embaixada de Brasil em SãoTomé, mas eu fiquei sem saber o que fazer… porque na minha opinião alguém do Ministério deveria entrar em contacto com o único representante da empresa Addax Petroliun afim de resolver esse caso… Eu acho que não sou a única nessa situação..... e também penso que o Ministério não está levando a sério o meu caso.

Eu como todos os estudantes fora do país, muitas vezes ficamos de mãos atadas sem rumo, devido as dificuldades de comunicação, dificuldades financeiras e, por isso, por favor, se me puderem ajudar, de qualquer forma, obrigada.

Ederlise Fernandes Jesus de Carvalho

Minas Gerais; Belo Horizonte

 Brasil

PIC desmantela paço

de bruxaria em Micoló

A Polícia de Investigação Criminal (PIC) desmantelou, semana passada na praia de Micoló, um paço destinado à prática de bruxaria. Foram retirados do local pelos agentes desta polícia, doze crânios humanos e outros utensílios.

Para a PIC, esta é uma forma de desencorajar tal actividade um pouco enraizada na cultura são-tomense. O director dessa polícia, Lázaro Afonso considera que se está diante de um crime, tendo em conta que se trata da remoção de restos mortais por via ilegal.

Manuel Quaresma, curandeiro e proprietário do paço desmantelado, assegurou que o mesmo se destinava a tratamentos tradicionais. Refira-se, no entanto, que algumas curas tradicionais só têm surtido efeitos aos doentes vindos de curandeiros honestos que, em muitos casos, nem se quer cobram dinheiro, mandando os seus clientes à medicina convencional. Aliás, devido a dificuldades de emprego, a prática de curandeirismo tem vindo a aumentar no país, somente para burlar os são-tomenses que acreditam na feitiçaria.   

Mícoló é uma zona povoada dos arredores da Praia de Fernão Dias, onde muitos filhos da terra perderam a sua vida nos trabalhos forçados de 1953, desencadeados por então regime colonial português. Quando as caveiras foram detectadas, as primeiras informações circulavam como sendo restos mortais dos falecidos da guerra de três de Fevereiro de 1953, conhecido por “massacre de 53” ou “massacre de Batepá”.

Retrato da coligação governamental MDFM/PCD/ADI

No silêncio do dia cinzento de 14 de Fevereiro 2008, tépido como brasa arrefecida e semelhante a raios do sol, quando beijam preguiçosamente a terra, caracterizando o “leve-leve” da nova geração de 12 de Julho de 1975, cobarde como cardumes de peixe ou carneiros em fila indiana.

E, Fradique Menezes, fechando, abrindo sorridente os seus olhos e as suas sobrancelhas confusas, semelhantes a “ciganos” e “saloios” das terras montanhosas do Alentejo e do Ribatejo, quando se sentem entusiasmados na euforia de negócios com larga margem de lucros e privilégios especiais, exclusivamente, atribuídos àqueles que trepam os degraus do poder; Nasce à luz política novo governo de coligação MDFM/PCD/ADI, germinado em terreno fértil á corrupção, à bandidagem, ao roubo composto por uma equipa especializada em “bleffing” económico e de olhinhos “grossos” (como diz a gíria são-tomense) fixos no produto bruto da exploração do petróleo.

Aquela equipa, chefiada por Patrice Trovoada, está composta também por indivíduos “bacharéis” em negócios escuros (salvo uma ou duas excepções que nunca estiveram no governo) tendo frequentado certamente um estabelecimento de ensino onde aprenderam a conjugar os verbos fracos, somente, na primeira pessoa do singular do presente do indicativo, sendo, primeiro eu; segundo eu; terceiro eu; quinto eu como, aliás, dizia um artista são-tomense.

E, o que sobrar como remanescente destina-se ao povo – a maioria – outrossim, o principal réu culpado no processo de exploração do homem pelo homem que ocorre no país há pouco mais de três décadas, sendo aquela maioria, sobretudo, jovens indecentes que tomam “banho” somente, de quatro em quatro anos ou no fim de um mandato presidencial, mantendo-se como “porcos” com o corpo sujo à espera da nova carruagem eleitoral para poderem reeleger os seus patrões ao exercício da soberania, enquanto a minoria honesta, em geral, os mais velhos, que durante 30, 40 anos investiram o seu esforço físico, intelectual (e até mesmo mental) dedicados, exclusivamente, à reconstrução nacional, hoje, arrastados ao contentor do lixo com a etiqueta de prémio Nobel no rosto: “PODE MORRER”.

Assim, fazendo uma análise lógica com sínteses da realidade completamente afastado de preconceitos políticos e partidários, o diagnóstico primário iria revelar, por certo, que o actual governo de coligação MDFM/PCD/ADI não é solução aos problemas mais prioritários que mais apoquentam o povo de SãoTomé e Príncipe na vertente económica e muito menos no plano de melhorias de qualidade de vida, porquanto:

Mudam-se os governos em SãoTomé e Príncipe semelhante a um “homossexualista” que troca de “calças”, “cuecas” e “ceroulas” tantas vezes quantas elas forem necessárias ao dia, para agradar os “puritanos”, e persuadir a opinião pública de que são sérios enquanto não passam de delinquentes de difícil correcção como acontece com os políticos/dirigentes destas ilhas. Povo de SãoTomé e Príncipe,    crianças, adolescentes, jovens e adultos!

Se, porventura, aquele grupo de pressão política que defende injustamente, os políticos no poder erguesse as mãos à consciência sobre o êxodo dos 33 anos após à independência e um olhar honesto fixo em fenómenos políticos e sociais novos introduzidos no país, sem antever as suas consequências (sempre desastrosas) destacando a democracia libertinada de Miguel Trovoada, a opção pelo multipartidarismo e outras aragens da “fantochada” que ocorreram no país, concluiriam, por certo, que “tudo” e “todos”, como o monolitismo, o multipartidarismo têm as mesmas origens e os mesmos objectivos, sendo defender os interesses pessoais e de grupos, encher a barriguinha e os bolsos do bom, do melhor e do óptimo; E, no fim do mandato ou de cessação de funções, mandam aquele povo pacato que os elege tomar banho de água gelada e comer o “pão que o diabo amassou”, para que ganhem juízo, consciência, e é por conseguinte esta a descrição, o mais exacto possível, e uma leitura cuidada que faço do retrato do governo de coligação MDFM/PCD/ADI, recentemente, empossado.

Aliás, “Benover Deladier Ávila, célebre psico-pedagogo Norte-americano, dizia muitas vezes “ in discours”: negro, não se afasta muito, nem do reino animal nem do reino mineral, por exemplo, o ferro, etc, etc que, para ser útil a si próprio e prestável ao universo, à sociedade a que pertence ele (o homem) teria que ser submetido a uma metamorfose, “batido” vivo à quente em forja, para ser transformado num “modelo”.

Assim, no caso se os políticos “entre aspas” de SãoTomé e Príncipe e, sobretudo, os que formam a coligação MDFM/PCD/ADI, bem como as suas afinidades não passarem primeiro por um sistema de transformação semelhante àquela, demonstrada no exemplo do psico-pedagogo norte americano, jamais SãoTomé e Príncipe, nem daqui por 100 anos, terá a oportunidade de encontrar um governo e um Estado dotado de homens sérios com aptidão política e maturidade profissional para dirigir e gerir, senão os pequenos grupos, oportunistas influenciados pela “burricada” negra que tem vindo a trepar, abusivamente, os degraus do poder sem qualquer “marketing” de realizações na perspectiva de melhoria de qualidade de vida da população, influenciados pela fúria esmagadora de ambição ao poder.

            Armindo Cardoso

Análise

    Benefício da dúvida ou o princípio da suspeita instalada?!

 

Mário Gomes Bandeira

Pois é, é isso mesmo; a Patrice Trovoada diz-se: “águas passadas não movem moinhos”. O passado daquele que se diz, faz-se ou é político, não pode e nem deve ser reduzido, ou melhor, branqueado com coloridos discursos circunstanciais. Pois, o passado de um político é um bom indicador e revela bem o seu carácter.

O passado de um político, aquele que assume a responsabilidade dos destinos de um país deve ser posta em causa em todo o momento e deve ser merecedor de avaliação/escrutínio permanente sem qualquer constrangimento quando estamos em democracia. É falácia genética e tempo perdido, argumentos entendidos por alguns como politicamente correcto (o que recuso por principio) se afirmar “dar benefício da dúvida” a este governo liderado por Patrice Trovoada, concebido por Fradique de Menezes.

Não parece haver dúvidas que, quer Fradique, quer Patrice serão pintados de ouro nos próximos tempos. O dito benefício da dúvida tem um objectivo único: usar argumentos/descrições/explicações distintas para uma acção negativa. Contudo, uma coisa parece evidente, nunca mudamos a outra pessoa com a conversa de benefício da dúvida. Em contrapartida, e, em definitivo mudamos os nossos sentimentos e reduziremos a nossa dor de forma a lidar-mos com o mal. Este primeiro-ministro de Fradique, Patrice Trovoada, é o mesmo que foi e é dirigente do ADI mentor do banho em STP.

Basta olharmos a nossa volta para percebermos que, com a entrada do “banho” em STP, o estado calamitoso, a miséria esplendorosa a que o país chegou. Patrice Trovoada e maioria dos seus ministros têm uma figura estratificada, rígida e fechada sobre eles próprios na expectativa de criarem credibilidade – enganam-se. Quem não sabe ou se lembra que Patrice Trovoada é o ilustre e verdadeiro herdeiro das caducas tradições africanistas? Tradição pautada de mentiras, ingratidão, nepotismo, inveja, incompetência, autoritarismo, espírito de sabe-tudo, ganância, entre outros.

 

STP precisa de governo  de “construção”

A ganância e especulação através do “banho” imposto por ditos políticos como Patrice Trovoada “deram o cabo do país”. Ainda restam dúvidas? STP não precisa de governo de missão mas sim de construção. Foi com a entrada destes falsários políticos em STP que a miséria deu o seu verdadeiro sinal de ter vindo com eles para ficar. E, Fradique de Menezes é o responsável que tarde ou cedo será chamado pela nação através da justiça popular para prestar contas.

Prometeu sol para todos, mas criou, facilitou e desenvolveu mau tempo para maioria. Foi com entrada destes perjuros políticos em STP através de compra de consciências (votos) com moedas estrangeiras e nacionais, bicicletas, motorizadas e outros que a criminalidade tornou prato do dia no nosso país.

Agora, como a antepenúltima cartada para garantir um certo futuro aos corruptos, Fradique de Menezes lança em cena Patrice Trovoada. Que mais espera aos são-tomenses? Fradique esqueceu-se dos conhecidos ditados: “quem com ferro fere, com ferro será ferido e quem semeia vento colhe tempestade”. Hoje, termos como primeiro-ministro Patrice Trovoada escolhido por Fradique só se pode declarar: o princípio da suspeita está como nunca instalada em STP, porque Somos Santomenses  .

Urge a valorização

 e a preservação do nosso Património Imaterial!!

 

Hector Costa

Mestrando em Sociologia

na Universidade de Coimbra

 

Definição:

Do ponto de vista da Sociologia da cultura, o património imaterial representa um conjunto de elementos da cultura tradicional que as comunidades consideram como parte da sua identidade colectiva. As tradições orais, os sons, as festas, os rituais, as línguas e os seus dialectos, a música, a dança, a gastronomia, os pregões, a medicina tradicional, os jogos populares, assim como os objectos, artefactos e os espaços culturais com eles associados, são uma herança cultural, transmitida de geração em geração.

Todos estes elementos são utilizados pelos grupos sociais para sobreviverem juntos enquanto cultura ou sociedade. No entanto, são elementos culturais vulneráveis. Muitos já desapareceram e outros correm o risco de se perderem no tempo. É necessário promover as mais diversas formas culturais, no sentido de as valorizar e preservar.

Facto:

É com sentimento de luto que abordo tecnicamente este tema.

Pois, o património imaterial de São Tomé e Príncipe, enquanto o produto de uma tradição, e portanto, de uma cultura, isto é, testemunho vivo da aculturação centenária deste povo crioulo, (Fernando Reis, 1960) está a soçobrar-se na “maré” ignorante do poder político. Isto é, o investimento nesta área de identificação colectiva, visando a sua preservação e valorização é quase inexistente, é como quem diz, não faz parte do repertório central do Orçamento Geral do Estado são-tomense.

Prova disso, é que alguns dos nossos folclore (da noção inglesa “ folk” = povo) como “A Tragédia do Marquês de Mântua e do Imperador Carloto Magno”, “Auto das Floripes”, que foram introduzidos nas ilhas há séculos e que sobrevivem de uma forma amorfa. E na “Ússua” que lembra as danças de salão do fim do século (Fernando Reis, 1960). E nos “fundões”, onde se dançava à maneira metropolitana com a música de ritmo africano. (Fernando Reis, 1960). Depois, o “Danço Congo”, ou “a dança do capitão do Congo”, o “Socopé” que, segundo à História é a nossa única inspiração, o “Plo Mon Dessu”...etc. Estão a asfixiar-se nas “profundezas” do tempo, devido a inexistência de uma política que vise à valorização e à preservação dos memos.

É, portanto, necessário que o poder político centralize e invista vigorosamente na cultura, e tenha presente que, o campo cultural faz parte do nosso processo mais geral de transformação social. Pois, a cultura constitui hoje um contributo precioso e imprescindível para a criação de atractividade turística e, consequentemente, também por esta via, para o desenvolvimento endógeno do País. Se o turismo é inquestionavelmente uma das nossas fontes de riqueza, inquestionável é também que a cultura constitui uma das suas fortes vertentes.

Para que a cultura seja potenciada como um factor de progresso, urge em primeiro lugar, que o poder político e a sociedade civil, ultrapassem a visão anacrónica e reducionista da cultura nacional – infelizmente ainda vigente em alguns meios. E por outro lado, o governo deve dar atenção devida à diversidade de projectos e iniciativas nesta área. Só assim é possível dinamizarmos, preservarmos e valorizarmos a nossa identidade colectiva. Porque, num mundo globalizado, as práticas culturais ganham dimensão crescente enquanto elementos diferenciadores, conferindo personalidade própria a cada região, a cada comunidade ou nação. 

 

 

“Zé Brigada” faleceu

numa vila de Viseu

Faleceu no dia 31 de Janeiro, vítima de doença prolongada, numa vila nos arredores de Viseu – Portugal – o famoso (carrasco) Brigada, um dos protagonistas do histórico massacre de 1953 do regime colonial português.

Trata-se de um homem que mereceu e merece condenação de todos os são-tomenses que lutaram e lutam pelo bem-estar do povo de SãoTomé e Príncipe. E, por ironia do destino, ele morreu três dias antes do 55º aniversário do histórico Massacre de Batepá de 1953.

Até ao fecho desta edição, foram muito escassas as informações sobre aquele homem que terá saído de SãoTomé poucos meses depois da independência. Aliada à escassas informações sobre os últimos dias de vida daquele homem, não se sabe com que idade ele faleceu, com quem vivia e se faleceu em casa ou no hospital, que doença vinha padecendo, assim como a sua actividade laboral antes da morte. Em SãoTomé exercia as funções de marceneiro.

Por ocasião desta morte, Jerónimo Sousa Pontes diz:

A história do MASSACRE de 1953 ou ” GUERRA de BA-TEPÁ”,  foi, do meu ponto de vista, produto da ganância, da e corrupção de alguns funcionários públicos, que terão convencido o Governador Gorgulho, que poderiam contratar os filhos da terra para a lavoura. Sabe-se que, perante a opinião pública internacional e o bloqueio dos chocolateiros ingleses, os plantadores de cacau perderam a capacidade de importar mais serviçais.

 Ora, não cumprindo a palavra dada, pagaram os JUSTOS pelos PECADORES. O Zé Brigada, na altura, não passava de um recluso, assassino nato, a cumprir pena de prisão efectiva, nos calabouços de S. Tomé. Ora, vendo uma magistral oportunidade de se ver livre e prosseguir na profissão de matar, aproveitou-a. Um aliado desta estirpe, serviria, obviamente, os interesses do Governador Gorgulho. A partir daí, toda a justificação para a carnificina que se seguiu, não passou de simples orquestração dos mandantes!

 Só que, 55 anos depois do MASSACRE, não nos deixamos de banhar na lama, na presunção, na intriga, na blindagem institucional,  esquecendo-nos da solidariedade - de tão poucos que somos!

 Zé Brigada, nos primeiros anos da nossa Independência, arranjou uma oficina de marcenaria no coração da cidade. Andava para onde bem quisesse e ninguém lhe pediu contas. Quando, por acaso, começaram a surgir rumores de que estaria na iminência de ser preso e entregue à justiça, simplesmente esfumou-se de S. Tomé. Como saiu? Quem organizou a fuga? Alguém se terá lembrado de assinar uma lei com Portugal, para efeitos de repatriamento de indivíduos dessa índole?

 Para as memórias futuras, aí fica, para o “Zé Mulato” ou “Zé Brigada”, o que tantos os outros nossos irmãos não tiveram direito, mortos, às suas mãos:

 REQUIESCAT IN PACE “DESCANSE EM PAZ”

A “lixificação”

das comunidades imigrantes

 em Portugal

 Hector Costa

 Mestrando em Sociologia

 

Definição:

A “lixificação” é o produto da ausência de comunicações humanas. A distância social e cultural, criam dificuldades ou incapacidades de compreensão. Daí resulta uma predisposição para a hostilidade, desprezo, preconceitos e estereótipos depreciativos, numa recusa de troca, numa vontade de ignorar os estrangeiros, considerados diferentes. A “lixificação” dos estrangeiros é mais intensa quanto mais o agregado nacional se julga importante e “centro do universo”.Isto é, ela alimenta-se pelo etnocentrismo ou pelo espírito nacionalista.

Factos:

O quotidiano das comunidades imigrantes em Portugal, sobretudo, Africana, Brasileira e a Ucraniana é de profunda perturbação e marginalização. Todas essas comunidades têm um rótulo. Por exemplo, a Africana têm o rótulo de criminosa, a Brasileira está associada à prostituição, a ucraniana tem o rótulo de mafiosa.

 Todo este sofrimento das comunidades imigrantes é, legitimado pela sociedade portuguesa que ainda continua introvertida no seu conservadorismo. O caso “arrastão” é Exemplo disso mesmo, que foi exibido troçadamente nos meios de comunicação social, mas que não passou de um equívoco cognitivo.

Perante este cenário da autêntica diabolização do “outro”, faz-me pensar muito sinceramente que os portugueses têm memórias curtas ou são maus à História. Esqueceram-se que entre os anos de 1855 até o final de 1930 perto de 2 milhões de portugueses saíram de Portugal. 95% Rumaram ao Brasil e aos EUA, devido ao desequilíbrio económico que caracterizou à economia portuguesa durante o século e, que teve reflexo na distribuição regional das áreas migratórias. Os portugueses iam para às Américas a procura da “Terra Prometida”.

O destino brasileiro foi largamente dominado durante o século XIX, prolongando-se pela primeira metade do século XX. A partir da independência do Brasil, veio a afirmar-se naquele país, progressivamente, o predomínio da “política imigrantista”, por oposição à tradicional corrente” esclavagista”, ambas obviamente inspiradas na necessidade de assegurar mão-de-obra para o povoamento e para o desenvolvimento económico do novo Estado.

Embora com menor dimensão, o destino dos estados Unidos da América foi muito importante para a emigração portuguesa durante o século XIX, mantendo assinalável regularidade no século seguinte e mesmo até ao presente.

Os anos de 1963 marca a transição da emigração dominantemente transatlântica para a dominante continental, sendo Brasil ultrapassado em efectivos, pela primeira vez, pelo destino francês. Constituído este fluxo, na sua maior parte, pela emigração clandestina para França (onde chegaram a estar imigrados mais de um milhão de portugueses), essa corrente dirigiu-se também para Alemanha, Luxemburgo, Suíça, Bélgica, Holanda e Grã-Bretanha.

A imigração intra-europeia caracterizou-se pela procura de realização económica a curto prazo, traduzidas por trabalho intensivo e prolongado, despesas reduzidas ao mínimo essencial e, consequentemente, pela realização de aforros significativos, quase integralmente investidos em Portugal.

Todo este enquadramento histórico acima aludido foi para demonstrar por um lado, que Portugal foi e continua a ser um país de emigração, isto é, mais de 50 mil portugueses saem por ano de Portugal com destino à países diversificados. Por outro lado, quero apelar ao diálogo e a compreensão inter e multicultural e que façamos deste diálogo e desta compreensão, verdadeiros alicerces para erguermos a convivência e o relacionamento pacífico internacional.

Crónica

 MDFM/PCD: sol que nasce no poente

O Partido da Convergência Democrática, PCD, e parte do Movimento Democrático, Força da Mudança/Partido Liberal, MDFM/PL ficaram “congelados” na tarde de domingo, três de Fevereiro, quando Tomé Vera Cruz foi à sede do PCD, num carro irreconhecível, para anunciar que ia apresentar demissão do cargo ao Presidente da República. Um expediente que Fradique de Menezes aguardava, desde que Vera Cruz chegou de Lisboa, por razões de saúde no princípio da última semana de Janeiro.

No final da “teimosia feia” do PCD que aguentava Vera Cruz, Fradique Menezes terá ficado mais “esperto”. Tomé Vera Cruz, voluntariamente, decidiu colocar o seu lugar à disposição, devido ao desleixo de deixa andar dos ministros à semelhança de uma manada sem pastor. No fim das brincadeiras do “boneco de corda” nem o MDFM/PL, politicamente, já não serve para nada.

Muitos calmantes foram ao estômago na tarde e noite de sete deste mês e houve quem terá permanecido horas numa das clínicas com problemas de hipertensão. A surpresa de Vera Cruz não estava para brincar, depois de uma reunião na Favorita, presidida por Fradique Menezes.

O antigo Primeiro-Ministro, Damião Vaz de Almeida também já viu que a “cabala” politica contra si sobrou de forma mais pesada para o MDFM/PL de Vera Cruz Ou seja, falta de “imaginação” no defunto governo de Damião Vaz d’Almeida e falta de “imaginação” e de “energia” no de Tomé Vera Cruz.

Agora, a iniciativa do ADI engrossar às fileiras governativas do MDFM/PCD sozinho que não conseguiu fazer passar o OGE, Patrice Trovoada teve agora luz verde do Presidente Fradique Menezes para remodelar o governo ao seu “paladar”. O único intocável poderá ser Ovidio Pequeno?

Muita “aflição” no derradeiro governo de Vera Cruz remodelação no dia 26 de Novembro/07. Delfim Neves, Óscar Sousa e Manuel Deus Lima se não encontrarem um bom “curandeiro”, não terão facilidade para o governo de Patrice Trovoada com intenções de formar um executivo forte, sério e exemplar para conseguir chegar ao Palácio do Povo em 2011.

A intenção falhada de Fradique Menezes, quando a coligação MDFM/PCD venceu as legislativas em Março de 2006, só agora terá dado o fruto, com o patrocínio, se calhar, de alguns líderes vizinhos de SãoTomé e Príncipe. Aliás, na altura daquela vitória legislativa, se ADI entrasse no governo, o cenário actual poderia criar “careca” à oposição do MLSTP/PSD que voltou a ganhar terreno nos últimos meses.

ADI vai “salvar” ou “complicar” a coligação MDFM/PCD? Se vier a “salvar”, toda a sabedoria vai para Fradique Menezes e Patrice Trovoada. A ver, vamos no meio de cenários de vários interesses que “atrapalham” os homens quando estiverem sentados na mesa com faca e queijo nas mãos.

Desta vez, Fradique terá batido a mão na mesa durante uma reunião da Comissão politica do MDFM./PL. Solução derradeira foi o convite feito ao ADI para “salvar” ou “complicar” a coligação MDFM/PCD, não importa. O que importa é mandar para casa um governo com “faca” e “queijo” na mão, mas que não consegue cortar nada. A arrogância, vaidade, prepotência e ausência de solidariedade na solução dos problemas comuns é “o sol que nasce no poente”.

Com Patrice Trovoada, toda a opinião pública está a espera das caras que vão constituir o seu governo. Se for um “governo de missão e não de tacho”, conforme já disse, poderá assim ser “o sol da nascente”.

      João da Costa

 

Crónica

          MDFM/PCD: sol que nasce no poente

18-02-08 O Partido da Convergência Democrática, PCD, e parte do Movimento Democrático, Força da Mudança/Partido Liberal, MDFM/PL ficaram “congelados” na tarde de domingo, três de Fevereiro, quando Tomé Vera Cruz foi à sede do PCD, num carro irreconhecível, para anunciar que ia apresentar demissão do cargo ao Presidente da República. Um expediente que Fradique de Menezes aguardava, desde que Vera Cruz chegou de Lisboa, por razões de saúde no princípio da última semana de Janeiro.

No final da “teimosia feia” do PCD que aguentava Vera Cruz, Fradique Menezes terá ficado mais “esperto”. Tomé Vera Cruz, voluntariamente, decidiu colocar o seu lugar à disposição, devido ao desleixo de deixa andar dos ministros à semelhança de uma manada sem pastor. No fim das brincadeiras do “boneco de corda” nem o MDFM/PL, politicamente, já não serve para nada.

Muitos calmantes foram ao estômago na tarde e noite de sete deste mês e houve quem terá permanecido horas numa das clínicas com problemas de hipertensão. A surpresa de Vera Cruz não estava para brincar, depois de uma reunião na Favorita, presidida por Fradique Menezes.

O antigo Primeiro-Ministro, Damião Vaz de Almeida também já viu que a “cabala” politica contra si sobrou de forma mais pesada para o MDFM/PL de Vera Cruz Ou seja, falta de “imaginação” no defunto governo de Damião Vaz d’Almeida e falta de “imaginação” e de “energia” no de Tomé Vera Cruz.

Agora, a iniciativa do ADI engrossar às fileiras governativas do MDFM/PCD sozinho que não conseguiu fazer passar o OGE, Patrice Trovoada teve agora luz verde do Presidente Fradique Menezes para remodelar o governo ao seu “paladar”. O único intocável poderá ser Ovidio Pequeno?

Muita “aflição” no derradeiro governo de Vera Cruz remodelação no dia 26 de Novembro/07. Delfim Neves, Óscar Sousa e Manuel Deus Lima se não encontrarem um bom “curandeiro”, não terão facilidade para o governo de Patrice Trovoada com intenções de formar um executivo forte, sério e exemplar para conseguir chegar ao Palácio do Povo em 2011.

A intenção falhada de Fradique Menezes, quando a coligação MDFM/PCD venceu as legislativas em Março de 2006, só agora terá dado o fruto, com o patrocínio, se calhar, de alguns líderes vizinhos de SãoTomé e Príncipe. Aliás, na altura daquela vitória legislativa, se ADI entrasse no governo, o cenário actual poderia criar “careca” à oposição do MLSTP/PSD que voltou a ganhar terreno nos últimos meses.

ADI vai “salvar” ou “complicar” a coligação MDFM/PCD? Se vier a “salvar”, toda a sabedoria vai para Fradique Menezes e Patrice Trovoada. A ver, vamos no meio de cenários de vários interesses que “atrapalham” os homens quando estiverem sentados na mesa com faca e queijo nas mãos.

Desta vez, Fradique terá batido a mão na mesa durante uma reunião da Comissão politica do MDFM./PL. Solução derradeira foi o convite feito ao ADI para “salvar” ou “complicar” a coligação MDFM/PCD, não importa. O que importa é mandar para casa um governo com “faca” e “queijo” na mão, mas que não consegue cortar nada. A arrogância, vaidade, prepotência e ausência de solidariedade na solução dos problemas comuns é “o sol que nasce no poente”.

Com Patrice Trovoada, toda a opinião pública está a espera das caras que vão constituir o seu governo. Se for um “governo de missão e não de tacho”, conforme já disse, poderá assim ser “o sol da nascente”.

      João da Costa

                                                     Análise    

   SãoTomé e Príncipe sob os escombros 

 das desigualdades sociais

 

30-01-08 A situação real e actual de SãoTomé e Príncipe é de profunda perturbação, por vezes uma perturbação ainda mais infernal do que a ocorrida nos piores momentos dos anos mono-partidário.

 

 Factos:

1-Há algum tempo que se verifica que as desigualdades sociais estão cada vez mais intensas, isto é, os grupos sociais mais desfavorecidos são quotidianamente, vítimas de profunda opressão económica, são privados do exercício de cidadania, empurrados para os escombros da profunda pobreza material.

 2-O projecto turístico do ilhéu das Rolas, arquitectado pela companhia Rotas de África e legitimado pelo Estado, foi uma acção lúcida. Mas os efeitos sociais dessa acção foram perversos. Pois, conduziu à segregação social dos excluídos, através de uma cartografia espacial, dividida em zonas “selvagens” e “civilizadas”.(BSS)

 3 - Nas zonas “selvagens” (zona dos “indígenas”), o Estado age fastidiosamente, como Estado predador, sem qualquer veleidade de observância, mesmo aparente, do direito. As zonas “civilizadas” (zonas hoteleiras) são zonas de contrato social e vivem sob a ameaça constante das zonas “selvagens”. Para se defenderem, transformam-se em “castelos neo-feudais.

 4- O desespero e o medo culturalmente legitimado estão, a apodrecer e a silenciar sociedade civil. O Estado torna-se um inimigo, os comportamentos e as condutas anti-sociais (prostituição, crimes organizados, tráficos de droga, violência doméstica e sexual etc.) surgem de Norte à Sul das ilhas.

 5-No contexto sócio-político, o desempenho das funções judiciais, tem traduzido na emergência de situações de tensão institucional entre o sistema político e o sistema judicial e no maior protagonismo social e político dos tribunais.

Neste sentido, podemos encontrar duas grandes formas de justiça: justiça de rotina e a justiça dramática/teatralizada (BSS).

A justiça de rotina é aquela que ocupa 99% do trabalho dos magistrados. Isto é, feita para “matar” a liberdade da maioria da população marginalizada pelo sistema.

A justiça dramática/teatralizada, representa uma pequena fracção do trabalho judicial, ela tem lugar sempre que os tribunais “ julgam” arguidos económicos, sociais, ou politicamente poderosos.

A justiça dramática traz os tribunais para a ribalta mediática e não envolve necessariamente problemas juridicamente complexos.

Em S.Tomé e Príncipe, nós temos vários casos de justiça dramática, caso”GGA”, caso “ Banco Central” etc.

 Isto é, justiça feita para legitimar e reproduzir em moldes diferentes à corrupção e as desigualdades sociais.

 6- Perante toda esta perplexidade, eu julgo que nós precisamos urgentemente de alguém (político) que saiba utilizar à sua sapiência de uma forma edificante e não heróica ou eleitoralista, para o engrandecimento socio-económico de São Tomé e Príncipe. Precisamos de alguém que consiga “casar” a busca da verdade e a busca do bem. Pois, nesta fase de grande agitação emocional e psíquica é perigosíssimo dividir a busca da verdade da busca do bem.

                                                                             Hector Costa

                                                                  Mestrando em Sociologia

 

 

Colonialismo? Ilhéu das Rolas,

 Meu Amor Roubado!

07-01-08 Que analogia existe entre o apartheid sul-africano, situação israelo-palestino, a ilha Diego Garcia controlada pelos britânicos no arquipélago de Chagos no Oceano Índico e o nosso ilhéu das Rolas (Ver O Parvo n.º 277 de 29.12. 2006, página 10), desorientado por um Estado, cuja autoridade é imposta e demonstrada pelo poder das balas compradas no ocidente – mortes cobardes de cidadãos? O conflito presente latente, sobre a usurpação abusiva e o embuste do ilhéu das Rolas é uma nova versão do colonialismo.

A defraudação e “expulsão” da população autóctone do ilhéu das Rolas e arredores das suas terras é semelhante ao que aconteceu com os negros da África do Sul, com os colonizadores da Palestina e o engano e expulsão dos habitantes da ilha Diego Garcia pelo governo inglês enviando-os para o exílio. É esta a verdadeira significância do fradiquismo.

 Apesar das condições históricas e económicas diferentes, o que está em causa, tal como no ilhéu das Rolas é o domínio da terra por grupos cujo interesse é subjugação de um povo. O ilhéu das Rolas transformou-se num projecto tipo sionista, cujos membros de governo e restantes representantes do Estado de STP, deturpam a imunidade política com a impunidade, tentam negar a existência de uma população nativa vivendo neste espaço, parte integrante do país, conforme a Constituição da República Democrática de STP.

 Tal como sionismo evoca uma terra sem povo para um povo sem terra. Este projecto sionista do século XXI em STP visa estabelecer uma dominação demográfica estrangeirada onde o são-tomense paga e caro para deslocar dentro da sua terra. Esta brutalidade do fradiquismo na repressão das rebeliões e o sistema de interdição aos são-tomenses dentro do seu território faz nascer um ressentimento popular que está na origem da tradição anti-colonial da sociedade são-tomense.

 Que fique explicito: nós, os são-tomenses sabemos distinguir o detestado colonialismo português e a cultura portuguesa, que faz parte da nossa vida. A política em STP está cada vez mais distante da vida quotidiana dos são-tomenses. As tarefas do dia-a-dia estão bloqueadas de rupturas e se acomodam à um cenário institucional incerto e mutante. A dita democracia, a democracia do papel não é assegurada.

 Os que utilizam o direito à livre expressão, aqueles que se manifestam opiniões contrárias aos governantes são tidos como que despreocupados e desinteressados com o desenvolvimento do país – são tidos como indesejados no país. A suposta inteligência são-tomense é hoje dirigida por usurpadores, farsantes e, na melhor das hipóteses, cegos guias de cegos.

O governo, o Estado de STP tem uma postura autoritária, vive à custa do silêncio anestésico do parlamento e dos partidos políticos. O governo, o Estado de STP entende que não deve satisfações aos cidadãos, age de acordo com a sua conveniência e interesse. Daí a usurpação para recompensar os interesses de alguns habitantes do ilhéu das Rolas, meu amor rou-bado.

Este Estado, este governo não tem uma outra caracterização senão autoritária porque por excelência, representa interesse dos governantes em detrimento do bem geral, nega direitos aos cidadãos e impõe ao país a miséria. Não é por acaso que segundo a Lusa citando a Vitrina afirma que: “altos dirigentes do estado têm sido vistos, nas últimas semanas a tomarem refeições com responsáveis do Grupo Pestana Equador, onde pouco mais de 100 naturais e residentes da ilha recebem ordem de expulsão”.

Também não será a mera verborreia que caracteriza o Presidente Fradique que segundo a Lusa ele afirmara: “é o único grupo que está a investir no turismo, tivemos um  outro, mas a capacidade e gabarito do grupo Pestana não há”.

 Tenho que questionar o que leva, que interesse tem o Sr. Presidente Fradique no tal empreendimento no Ilhéu das Rolas do Grupo Pestana Equador, para que peça a seriedade e não é capaz de pedir seriedade a si próprio e ao seu governo no que diz respeito a bem de todos? Por-que Somos São-tomenses!

     Mário Gomes Bandeira

Crónica de Luanda

 “Comissão Mista STP- Angola ou turismo de borla”!

 

O governo da coligação MDFM/PCD terá sido humilhado em Luanda, durante a Vl reunião da Comissão Mista entre Angola e São Tomé e Príncipe, 26 a 30 de Novembro/07. Terá sido também um “turismo de borla” para os viajantes ministeriais.

À chegada da delegação são-tomense ao aeroporto 4 de Fevereiro, ela foi dividida em duas partes: corte alta e corte baixa. Corte alta, para os ministros Óscar Sousa, Manuel Deus Lima e Delfim Neves, presidente do Governo Regional, Tozé Cassandra, presidente da Câmara de Comercio, Abílio Afonso Henriques e alguns directores. Corte baixa, para os directores que seguiram para uma pensão à maneira no Morro Bento.

Frustração da corte baixa era grande. Queriam mesmo regressar no dia seguinte, uma quinta-feira, para São Tomé. Os trabalhos e as refeições decorriam no Centro de Convenção de Talatona e tinham que desafiar engarrafamento diário e era a pensão que não oferecia conforto.

   Comissão Mista de autentico “baile” que Angola deu a delegação de Óscar Sousa, mostrando o seu desagrado com a liderança do governo de coligação de Tomé Vera Cruz. Um governo sem hipótese em Luanda. Um governo que terá que ir à igreja da Sé pedir clemência e piedade a São Tomé Poderoso para conseguir qualquer coisa como bênção.

Foram três ministros de São Tomé e Príncipe contra o Ministro de Petróleo de Angola. Desidério  Costa se não fosse co-presidente da Comissão Mista, se calhar, nem ele comparecia.

 Na visita a Rádio Nacional de Angola e Televisão Publica de Angola, o ministro da Comunicação Social Manuel Reberais, recebeu a comitiva são-tomense na sala de reunião da Rádio Nacional num encontro-relâmpago. Desapareceu imediatamente. Na Televisão, nem sequer viram a presença do Director Geral da estação.

 Só visto e nem se acredita numa soberania a ser “humilhada” em grande área. Até houve ousadia de alguém cantar vitoria para confundir a cor do céu azul-marinho para os são-tomenses. Objectivamente, os são-tomenses estão a ver que a cor é negra.

 Muitos são-tomenses residentes em Angola já viram que a côr é mesmo negra. Já reconheceram o fracasso desta Comissão Mista. O “caso nijas” e a falta de credibilidade do governo são-tomense estão para durar. Angola gastou muito dinheiro com a formação dos jovens “ninjas” e terá estado bem aborrecido. Nijas, hoje, maltratados são um dos maiores pecados da “corte alta”.  

    Comunidade são-tomense acredita que o “caso nijas” não é um problema do Estado são-tomense. É tão-somente um problema da coligação MDFM/PCD. Reconheceu publicamente que há mutilados e quer mandar os rapazes para casa de mãos vazias ou doentes até a morte. Os “búfalos” que eram considerados criminosos e diabos, hoje, são santos da coligação MDFM/PCD.

 O governo não abandona o cúmulo de atraso e de pouca vergonha. O ministro da Defesa foi visto muito mal à frente da Comissão Mista. Preferiram que fosse o ministro “minho”, dos petróleos de STP ou que fosse “pequeno”, dos Negócios Estrangeiros. Recados e avisos sem eco estão a mergulhar-se no ambiente dos surdos e mudos.

Militares deram golpe de Estado, não lhes passou nada. “Búfalos”, idem, foram amnistiados e hoje acarinhados. “Ninjas” só reivindicaram os seus direitos. Hoje, são criminosos para a morte e, antes, terão de responder num tribunal marcial. As letras do compromisso público assumido pelo Estado apagaram-se no “dossier” do Parlamento.

 Angola divertiu-se que farta. “Feriu” com adjectivos diplomáticos o chefe da delegação são-tomense que organizou a formação dos agentes da PIR. Óscar Sousa, nos dias 26 a 30 de Novembro terá fartado de ver no rodapé da TPA: “7 ninjas estão sob custódia militar e vão ser julgados por um tribu-nal marcial porque atentaram contra a segurança de Estado”. O que já não era noticia, voltou a sê-lo na Comissão Mista nos quartos do hotel.

   O perdão da divida e a viagem de são-tomenses para Angola sem visto terão sido a maior desilusão para os governantes da coligação MDFM/PCD. No final dos trabalhos, os acordos deveriam ter sido assinados às 16:30 horas. Só aconteceu às 22 horas e muitos angolanos não compareceram ao jantar no Hotel Trópico.

A delegação deveria regressar no dia três de Dezembro. Angola estava “farta” de ver as “caras” no solo angolano. Fez as contas e despachou de imediato a delegação logo no avião da Sonair no dia 1 de Dezembro para São Tomé.

O Presidente do governo regional do Príncipe saiu melhor do que o governo central. Foi bem tratado pelo governador de Luanda e foi recebido em Cabinda pelo Governador local com honras culturais. Assegurou, para as respeitosas figuras do Príncipe, formação profissional para os filhos do Príncipe. O Governador de Cabinda Aníbal Rocha aceitou o convite de Tozé Cassandra para a festa da Autonomia no Príncipe.

 Não importa é mais uma história de figuras mal colocadas e mal sentadas nos gabinetes ministeriais de SãoTomé e Príncipe.

                                                                                                             “Freelancer O Parvo”

 

Primeiro o Desenvolvimento Endógeno e depois

a Integração Económica e Monetária

O processo de desenvolvimento económico supõe a necessidade de ajustes institucionais, fiscais e jurídicos, incentivos às inovações e investimentos, assim como fornecimento de condições para um sistema eficiente de produção e distribuição de bens e serviços à população.

 

Crescimento significa aumento do tamanho mediante a absorção de recursos externos. Desenvolvimento significa desdobrar plenamente potencialidades, elevando-se a uma condição qualitativamente superior. Crescimento e desenvolvimento económico regem-se por leis diferentes. O crescimento tem limites, enquanto que o desenvolvimento é teoricamente ilimitado. O crescimento é tributário de elementos exógenos, enquanto que o desenvolvimento é por definição endógeno.  

Globalização é vista como o conjunto de transformações na ordem política e económica mundial que vem acontecendo nas últimas décadas. O ponto central da mudança é a integração dos mercados numa “aldeia-global”. Os Estados abandonam gradualmente as barreiras tarifárias para proteger sua produção da concorrência dos produtos estrangeiros e abrem-se ao comércio e ao capital internacional.

A liberdade de trocas tornou-se num fenómeno de moda e levou à constituição de zonas de total liberdade económica, como é o exemplo da criação do mercado único entre os Estados Unidos e o Canadá, desde 1988, e do mercado único europeu, desde 1993, a assinatura de acordos de livre-troca entre o Brasil e a Argentina e a Austrália e a Nova Zelândia, União económica e Monetária de Oeste de África (UEMOA) desde 1994, Comunidade Económica e Monetária da África Central (CEMAC) desde 1994, Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC) desde 1992 etc.

O que acontece em São Tomé e Príncipe?

Nos dias de hoje, no nosso país debate-se com a questão de integração económica e monetária e as diferentes alternativas de ancorar a nossa moeda. Contudo, observa-se na literatura económica corrente, poucos estudos que explicitem os limites a que podem chegar políticas de estabilização baseadas em âncoras monetária e cambial, principalmente numa economia caracterizada por fortes desequilíbrios fiscais como a nossa.

Na minha opinião, este é um assunto bastante importante desde o ponto de vista do desenvolvimento económico. Mas a minha desilusão em tudo isto, é a pouca, ou mesmo, a falta de discussões sobre o desenvolvimento endógeno em STP. Não se deve pensar na integração económica e monetária nem na ancoragem monetária como forma de valorização da nossa moeda vendo somente os aspectos exógenos ligada a economia. Primeiro devemos estudar os aspectos internos que contribuem para a desvalorização da nossa economia e consequentemente da nossa moeda e analisá-los de forma tal, que medidas de política económica correctivas e coerentes sejam tomadas para o efeito.

Não devemos incutir na cabeça do nosso povo que “a Dobra já deu o que tinha para dar”. Devemos sim dizer que é possível valorizar a nossa Dobra, mas primeiro, devemos tomar medidas de política económica nos sectores estruturais da economia, isto é, sector real, fiscal, monetário e externo com o objectivo de procurar equilíbrio macro-económico conducente essencialmente a criação de riqueza e redução de inflação e só depois é que devemos pensar sobre a questão de ancoragem monetária como via de assegurar o tal equilíbrio e estabilidade já conseguido. A ancoragem monetária por si só não resolverá o problema de inflação nem da competitividade económica enquanto continuarmos com uma economia completamente desorganizada nos seus aspectos vitais. Por tudo isto e muito mais, digo que a Dobra poderá ter muito para dar.

A vontade política e a participação da sociedade civil nestes aspectos, devem estar viradas à promoção de discussões profundas sobre a nossa situação macroeconómica, neste caso, como produzir mais para abastecer o mercado interno e obter excedentes para a exportação, como resolver o problema da indisciplina fiscal que tem como consequência o crónico déficit fiscal, como resolver o problema do comercio interno que nalguns casos vêm sendo realizado em moedas estrangeiras, que políticas concretas para atracção de capital externo de modo a termos uma boa situação de reservas liquidas externas. Estas e outras questões merecem ser debatidas profundamente no nosso país. 

Lições importantes da integração económica e monetária

Muitos perguntam: porquê a Guine Bissau integrou-se na União Económica Monetária de Oeste Africano (UEMOA) e neste momento apresenta fortes problemas na sua economia?

A 2 de Maio de 1997, Guiné-Bissau tornou-se o 8º Estado membro da referida União. Certamente ao integrar-se neste grupo, fê-lo mais por conveniência política e não pelas análises de uma série de factores macroeconómicos pré e pós integração. O objectivo não deve ser simplesmente integrar-se ou ancorar-se, mas também, definir e ter a coragem política para levar a cabo políticas de estabilização e de suporte aos critérios predefinidos.

Para os países que participam na integração económica ou monetária a sua vulnerabilidade ao fluxo de capitais privados aumenta, enquanto que para aqueles que não participam, aumenta o risco de marginalização de fluxo do comércio internacional e da prosperidade global. Portanto, a integração é boa sempre quando haja criadas condições internas para sua efectivação.

Numa política de integração, não deve haver incertezas no comportamento dos preços dos produtos básicos, a inflação deve estar sob controlo, deve haver melhorias significativas das finanças públicas e os agregados monetários devem reflectir uma política de prudência conveniente.

Há cada vez maior confirmação de que as economias que registaram maior progresso e que mais beneficiaram de tendências da integração económica e monetária foi devido à aplicação de um conjunto de políticas destinadas a atingir três objectivos principais:

  • Alcançar e manter a estabilidade macroeconómica;
  • Promover a abertura ao comércio e aos fluxos internacionais de capital e;
  • Limitar a intervenção do Governo nas áreas de verdadeiras falhas de mercado e fornecer as infra-estruturas económicas e sociais necessárias.

Estes três objectivos de política económica devem complementar-se e reforçar-se mutuamente com:

·        Estabilidade macroeconómica traduzida em inflação baixa, taxas de câmbio realistas e prudência fiscal, essencial para expandir a actividade económica interna, a qual é uma pré-condição para se beneficiar de fluxos de capital sustentados.

·        A liberalizarão do regime comercial e cambial que leva a economia a explorar as suas vantagens comparativas através do comércio.

  • O papel primário dos Governos na criação de um ambiente que encoraje o investimento interno e estrangeiro assim como dotar o país de uma sólida infra-estrutura para apoiar a expansão da economia.

Conclusão

É bom reconhecer que todos os países que tiveram ou têm estado a experimentar êxitos com a integração das suas economias, foi porque ao fazê-la, primeiro tiveram que estabelecer internamente políticas socioeconómicas coerentes e efectivas. Por isso, são-tomenses, reflictamos e concluamos que o desenvolvimento deste país depende de:

a)     Assumir que somos são-tomenses e que o nosso interesse deverá ser o de desenvolver o país contrariamente daquilo que tem estado a acontecer.

b)     Activar e desenvolver as capacidades produtivas do país.

c)      Conceber estratégias de politicas exógenas para assegurar a estabilização e crescimento económico de modo a garantir o desenvolvimento socioeconómico e prosperidade desejada por todos nós

                   Mãos à obras são-tomenses!

           Célsio Quaresma

              (Economista) 

E-mail: celsioq@hotmail.com

 

Crónica

“Terrorismo psicológico”afecta são-tomenses! 

O medo, a desilusão, o deixar andar e a resignação estão a tomar conta dos são-tomenses em plena liberdade política constitucional. As dificuldades de sobrevivência do cidadão comum são cada vez maiores. Os lamentos aqui e acolá sobre a situação social e económica das pessoas e o comportamento egocentrista dos dirigentes políticos estão no auge das piadas citadinas.

Todos os transeuntes terão estado zangados e reticentes. Lê-se também nas almas vivas que umas estão intrigadas e outras se mostram expectantes no que pode ou vai acontecer. Os resignados, se calhar, os mais iluminados, dizem que os são-tomenses foram anestesiados depois de Março de 2006. Obra divina? Obra dos pecadores políticos que gerem o país?

Anestesia terá sido aquilo que impedira o “choro” dos trabalhadores da Função Pública. A maioria não chora e não vai chorar tão já. Em sua substituição, só uma minoria é que “canta”. De Março/06 em diante, SãoTomé e Príncipe mergulhou-se na autocensura colectiva. A cidadania está à procura de um esconderijo voluntário enquanto a anestesia continuar a surtir os seus efeitos.

O são-tomense “desatento” está a aumentar em números cada vez maiores num Estado dentro de vários Estados de mesma cultura e nacionalidade. Os preços de tudo que seja de consumo básico da população continuam a disparar. Ninguém se atreve a ter uma outra voz moralista e despertadora. Deixar para ver como fica é uma das partes das piadas.

O ano lectivo 2007/08 abre as portas no meio de carências docentes gritantes e camufladas. E, não se sabe se Ayres de Menezes e outros centros de saúde estarão preparados para receber num futuro próximo o ataque de uma epidemia de fraqueza e de fome no próximo ano escolar. Desorientação parece ser total e em todos os sentidos. O governo, só agora, quer contrair novas dívidas para aliviar a situação!

Escolas sujas e sem casas de banho para alunos e professores, carteiras partidas, falta de professores qualificados são, entre outras, anomalias que podem constituir grandes manchetes em surdina. O Sindicato dos Professores, se calhar, não terá mais voz para levá-la ao céu. Aurélio Silva do Sindicato dos Trabalhadores do Estado já não "existe", por sua própria culpa e dos funcionários públicos infiéis a classe a que pertencem.

A tarifa da água e energia da EMAE terá de sofrer alterações à luz dos novos aumentos do preço dos combustíveis da ENCO. É uma questão de gestão para actualizar e pôr em dia as contas de uma empresa super-rentável, mas que só acusa défice na contabilidade financeira. Um povo anestesiado não reage, porque os efeitos da inibição são para durar.

Como é que estão as contas da Segurança Social? Quem são os maiores devedores? Os saldos desta instituição são cada vez mais negativos? Quem paga e quem não paga? Todas as empresas e sectores têm as suas contas regularizadas nesta instituição de solidariedade?

A EMAE, super-rentável, é uma empresa falida? ENASA é também uma empresa falida? A ENCO, também super-rentável está no mesmo gráfico da EMAE? E o Banco Central está a “chorar” divisas, porque a escassez do arroz deixou entender essa dificuldade! A ENAPORT também quer cheirar falência? A CST e o BISTP dentro do Estado são-tomense é que não estarão a reclamar risco de falência! Que segredo de gestão está na CST e no BISTP?

Sem dinheiro e sem meio, o trabalhador comum continua a abastecer o mercado nacional com banana, fruta-pão, matabala, jaca, búzio, vinho da palma, cebola, batata-doce, tomate, quiabo, cenoura, peixe e carne de porco e ovos. Que segredo tem o “Zé-povinho” para estar ainda a abastecer o Mercado Municipal e o do Côco-Côco com esses produtos?

Os dirigentes e governantes que nada produzem são os que ostentam melhores condições sociais, financeiras e demais regalias. As teorias, muitas das quais, copiadas e sem qualquer aplicação prática, seminários, ateliers e retiros aqui e acolá repetitivos e viagens é que fazem da sua exclusiva sustentação? As coisas básicas e indispensáveis para o arranque do desenvolvimento, ninguém sabe conceber e materializar.

Esta é a razão por que o povo terá decidido mergulhar na autocensura. Ou seja, só fala aquilo que agrada o poder. A maioria decidiu pelo zémé çá tamé di flá = mergulho ao silêncio. Os cidadãos estão a viver um terrorismo psicológico em SãoTomé e Príncipe. Ou seja, quem se atreve abrir a boca para criticar e dizer a verdade, já sabe que vai sofrer as suas represálias de mãos visíveis em pequena escala e invisíveis na maior dimensão.

O povo de STP sairá do silêncio se as últimas propostas de Fradique Menezes junto do governo taiwanês forem materializadas, para resolver definitivamente o problema de energia eléctrica, água potável e saúde para o povo. Fradique terá dado mais ouvido às opções da oposição parlamentar do MLSTP/PSD e ADI a propósito do Orçamento Rectificativo. Centro de Conferências, lota/doca e outras obras ficariam para o segundo plano. Só assim, o povo de STP, se calhar, tentará sair da autocensura. A maioria terá uma e única opinião pública: “mudança já entrou em SãoTomé e Príncipe”!!!                                     

   Hanek

 

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