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S. Tomé e Príncipe
O Esquema Do “Banho” Nas Campanhas Eleitorais
08-03-2010 - Todos falam do fenómeno de compra de votos “Banho” que ocorrem nas campanhas eleitoras. Ouvem-se críticas “aqueles que criticam”, diz-se que é feio deixar comprar a consciência do individuo, sobre a incompreensão de como este acto pode influênciar os resultados das eleições, se resulta, é porque o povo é muito burro ou pouco instruído e porquê que as autoridades competentes não tomam nenhuma medida!?
Não será justo receber “Banho”?!
Pois bem, entende-se que tudo que seja compra de consciência do individuo é mau, uma vez que, devemos fazer as nossas escolhas em consciência e de consciência livre.
Contudo, numa situação de Pobreza e carência à nível de tudo ou quase tudo no país, da falta de electricidade até a falta das três refeições diárias, derivado de Má Gestão da coisa pública, dos poucos bens que o país possuí, desde da independência até o descalabro da abertura democrática, o que não quer dizer que a chegada da Democracia fosse mau, destruição das infra-estruturas e todo o resto.
Colocou-se o país numa situação de pobreza extrema, que atingi não só o mais humilde dos cidadãos, como toda a classe social do país.
Isto é, quando não há energia elétrica, atingi à todos, mesmo que não seja de forma igual, mesmo que haja quem tenha dinheiro para importar um gerador. Quando não há um bem de primeira necessidade no país, atinge a todos, mesmo que haja quem tenha dinheiro para importar.
Desta forma parece evidente, que se começa a criar uma Instabilidade Social, pois a população em geral, se encontra insatisfeita, acabando assim por culpar os seus lideres no poder, da razão resultante da sua pobreza vivente.
É deste tipo insatisfação generalizada que ajuda o surgimento de revoluções ou apenas de reformas, no caso, na política. Primeiro, origina uma Instabilidade Política, que resultou na abertura democrática, por exemplo, e agora, resultando nas Eleições democráticas, que é a única saída legal e que satisfaz todos em geral, por enquanto.
Encontrando-se o país, numa situação de Pobreza, será lógico que os políticos, sabendo das necessidades desta população invistam máxima quantia que poderem para comprarem aquilo que nas eleições é o mais importante, os votos. Pois os discursos de melhoria da condição de vida dos cidadãos, já não são convincentes. Também parece normal que, o povo, esteja disponível para trocar um dos seus maiores bens do momento, a consciência de voto, por favores, que só nessa altura das eleições encontram toda abertura, por parte da classe política, para realizá-las. E desta forma melhorar, ainda que individualmente e temporária, a sua vida diária.
Como por exemplo, poder ter três refeições diárias durante uns bons meses, fazer uma estrada numa determinada localidade, comprar um bom candeeiro, um gerador de energia elétrica, ou mesmo trocar uma grade de cerveja pelo seu voto. Os que não conseguirem receber esse tal “Banho” não se sentiram com disposição para votar, pois julgam que não ganharam nada com isso e as coisas continuaram nas mesmas, quer votem ou não. Dai que abstenção é um factor a ter em conta.
As Eleições e o “Banho” nas campanhas eleitoras acabam sendo, o momento em que o país parece revitalizar-se, pela entrada de capital, pela movimentação dinheiro, de mercadorias e de pessoas, durante a campanha. Movimentação esta, anormal para um país calmo, como S.Tomé e Príncipe. Logicamente, que toda a população, fica a espera e, as vezes até pressiona, para que ocasiões como essas, voltem a se reproduzir, por muitas vezes mais.
Entretanto, tanto os actores da compra de votos como os que receberam o “Banho” acabam se prejudicando automáticamente, pois com a entrada excessiva de capital, dinheiro no país, permitiu o aumento do poder de compra do cidadão e consequêntemente, quando a procura é muita, o preço da mercadoria aumenta. E as vezes, muita acima das possibilidades do comprador.
Temos de tal modo, a Inflacção a pressionar a economia do país, associado à Má Gestão, recorrente, do estado e por falta, supõe-se, de boa assessória de gestores no governo, aprofunda-se ou afunda-se, cada vez mais, o país em dívidas externas e a população volta a sentir o fraco poder de compra, de maneira mais intensa do que anteriormente e o calor forte da pobreza se faz sentir. Permite-se, por conseguinte, que todos voltem a pensar nas Eleições, no “Banho” que não têm já há algum tempo e durante algum tempo os fez viver, bem melhor que agora.
Num país onde a população é o numero de empregados de um dessas grandes empresas multinacionais, existentes pelo o mundo a fora, é claro que o problema se encontra na falta de bons assessores na área de gestão do governo. Salvaguardando sempre, que gerir um país, não é o mesmo que gerir uma empresa. Isso todos já sabemos.
Veja-se, pensar-se que o povo é burro, ou seja, analfabeto, pode ser bastante ilusório quando se esta avaliar a questão do “Banho” em S.Tomé e Príncipe, até porque S.Tomé e Príncipe é considerado um dos estados mais alfabetizados de África. Certamente que quando aparecer alguém ou um movimento, que possa alterar o curso das coisas, seguramente que o posso São-tomense não hesitará a escolhê-lo(s), para liderança rumo ao desenvolvimento.
Nota: O esquema apresentado não tem nenhuma pretensão de ser cientifico, é apenas uma maneira de fazer entender melhor ao leitor, o conteúdo do artigo.
Humbah Aguiar
Leeds 01-03-2010 |