|
Eis-nos de novo no fim de mais um ano e o início, dentro de momentos, de um
novo ano - 2004. E cá estou para oferecer-vos, a todas e a todos, a minha
Mensagem, como Presidente da República e Chefe do Estado, marcando assim este
acontecimento, ocasião que procuramos sempre fazer uma avaliação daquilo que
foi o nosso desempenho durante o ano que termina, analisando os nossos êxitos e
os nossos fracassos, as nossas esperanças e as nossas frustrações, e
retemperamos para o ano próximo, partindo das estratégias que adoptamos e
colhendo experiências dos resultados menos bons que tivemos.
Podemos dizer que analisamos o presente para projectarmos o futuro! Mas com
determinação e com mais desejo de vencer!
Quero esta Mensagem uma mensagem de Paz, uma mensagem de apelo à unidade
nacional, ao diálogo entre todos os são-tomenses, em qualquer que seja o local
onde residam e trabalham, dentro do país ou no estrangeiro, qualquer que seja a
sua condição social, homens e mulheres, jovens, adultos e velhos, estudantes,
trabalhadores rurais, camponeses, trabalhadores do mar, pescadores, estivadores,
trabalhadores do sector comercial, palaiês, vendedores ambulantes, empregados
de balcão, trabalhadores industriais, taxistas, camionistas, trabalhadores e
funcionários do Estado, professores, enfermeiros, bombeiros, polícias,
militares milicianos e militares de carreira, quadros técnicos médios e
superiores tanto do sector privado como do sector público, todas as formações
e expressões confundidas incluindo os da comunicação social, dirigentes e
responsáveis dos partidos políticos, membros do Corpo Judiciário, deputados
à Assembleia Nacional, membros do Governo, os dois antigos Presidentes da
República, a Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, a Primeira Ministra e
Chefe do Governo, o Presidente da Assembleia Nacional e finalmente eu, este
vosso humilde servidor, aquele que vocês escolheram para ser o vosso actual
Presidente da República e Chefe do Estado, todos juntos, absolutamente todos,
de mãos dadas, num grande sonho jamais pensado ou vivido, deixemos este ano de
2003 e passemos para o de 2004, com vontade, decisão e determinação de sermos
tolerantes uns com outros, de aceitarmos de convivermos uns com outros no
respeito das nossas diferenças, e fazermos, de facto, de São Tomé e
Príncipe, um lugar de paz e de harmonia, de progresso e do saber.
O ano que vai terminar dentro de momentos, foi um ano difícil, muito
difícil por vezes, um ano de muita discórdia entre alguns de nós, um ano
muito conturbado, de muita crispação. Houve momentos, que devemos reconhecer,
o ódio habitou em alguns dos nossos corações. Houve momentos que parecia
vivermos num outro país, num outro planeta. Alguns de nós fomos extremamente
violentos uns com outros. De maneira gratuita, por vezes só para fazer mal uns
aos outros. Chegamos ao extremo por vezes. E todos esses extremos acabaram por
encorajar alguns a cometerem até um golpe de Estado.
Mas hoje, 31 de Dezembro, cá estamos para celebrarmos a passagem ao novo ano
de 2004. E é isto que conta neste momento: deixar para trás todos os nossos
conflitos, deixar para trás tudo o que nos pôde dividir, todo o rancor e o
ódio que ainda possa residir em nós, esquecer as nossas diferenças. Termos um
pensamento para aqueles que nos deixaram durante o ano de 2003, entes
familiares, amigos e conhecidos.
Não obstante tudo isto ouso esperar que o ano de 2003 tenha trazido alguns
êxitos nos vossos sonhos e projectos e que 2004 vos traga tudo o que pode haver
de melhor.
A apreciação que faço pessoalmente do nosso desempenho colectivo sobre o
ano transacto é que fizemos um bom percurso, muito embora tenha que reconhecer
que muito ainda ficou por concretizar.
Quando me reporto ao meu Projecto de Sociedade reconheço que ainda temos um
grande percurso pela frente. E é evidente que muitas das minhas aspirações
para com o povo são-tomense ainda não foram cumpridas.
Devemos relembrar-nos que a transição do ano 2002 para 2003 decorreu num
quadro de debate caloroso sobre a revisão Constitucional que culminou com a
introdução de algumas emendas, tendo algumas delas levantado tanta celeuma e
tantos conflitos, que para se sair deles foram precisos serem assumidos alguns
compromissos, dos quais gostaria de relembrar entre outros os que se refere à
realização de um Referendo, pela mesma ocasião quando da realização das
próximas eleições Legislativas, que em princípio, deverá ter lugar em
Março de 2006 - refiro-me à questão da definição do regime político que
melhor se adequa às aspirações de todos os são-tomense.
Apesar de introduzidas emendas à Constituição, podendo algumas delas
contribuir, numa certa medida, para o reforço da nossa democracia, força é de
constatarmos que ainda persistem sinais de certa fragilidade nas nossas
instituições, o que para todos nós deve ser um motivo de preocupação
constante.
No entanto, devo dizer que a minha apreciação geral sobre o funcionamento
das nossas instituições é que, durante o ano que agora termina, procurou-se
criar um ambiente de bom relacionamento entre os Órgãos de Soberania,
tentando-se obter na medida do possível, consensos que permitiram um
equilíbrio permanente na gestão do desenvolvimento nacional.
É certo que, registaram-se momentos de alguma divergência, o que nalguns
casos podemos ou poderíamos considerar como comuns quando num verdadeiro quadro
de convivência democrática. A democracia exige o debate de ideias e o respeito
pela diferença e pelo próximo!
Os debates políticos conhecidos durante o ano de 2003, embora alguns tenham
sido violentos resumindo-se quase em ataques pessoais sobretudo à pessoa do
Presidente da República, podemos dizer que a maioria desses debates tenha
criado condições ideais para realçar o contraditório e mostrar que a
tolerância e a aceitação das convicções dos outros, sejam quais forem,
podem ser conseguidas. Os partidos políticos em ocasiões necessárias,
souberam desempenhar o seu papel, contribuindo para o fortalecimento da
vivência democrática e a crítica às acções que se orientam no sentido
contrário as ideias que defendem. Esta é exactamente a regra do jogo na
democracia!
Eu e os meus colaboradores, membros do meu Gabinete na Presidência da
República, temos vindo a trabalhar conjuntamente com o Governo e apesar do
facto da gestão do país ter sido extremamente condicionado por uma maré de
acontecimentos tempestuosos, posso afirmar que diversas acções e realizações
foram conseguidas.
No plano interno, e tentando referir-me a todos os sectores de actividade do
país, começarei pelo sector da saúde, e com o paludismo, direi que a
luta contra essa pandemia tem merecido especial atenção de todos e prevê-se
melhorias importantes neste domínio. O ano de 2003 foi denominado o ANO DA LUTA
CONTRA O PALUDISMO, ou melhor, eu diria, o "Ano do Início da Luta contra o
Paludismo". E os primeiros resultados, já obtidos, seis meses após o
início do projecto, deixam-nos encorajados para o futuro.
No âmbito da luta contra HIV/SIDA, esforços foram concentrados na
elaboração dos instrumentos de política e de planificação, numa abordagem
multisectorial, onde instituições estatais, sociedade civil organizada,
igrejas, pessoas vivendo com o VIH/sida participaram intensamente propondo
estratégias de intervenções prioritárias a serem implementadas. Esperemos
que este importante instrumento seja validado o mais rapidamente possível de
forma a permitir-nos mobilizar recursos para a sua implementação.
Novas vacinas foram introduzidas no calendário nacional de imunização,
visando proteger as crianças menores de um ano contra a febre amarela e
hepatite B.
Foram iniciadas acções de formação de enfermeiros de formação média,
técnicos de laboratório, de estatística sanitária, dois postos comunitários
foram construídos no distrito de Caué, e está em curso o concurso público
visando a reabilitação do Hospital de Monte Café.
Várias outras obras de reabilitação e de ampliação no Hospital Ayres de
Menezes, tais como nos serviços de pediatria, psiquiatria, raios x,
maternidade, laboratório, estão em curso.
Muitas outras acções foram realizadas, no sector da Saúde, sobretudo com
impacto directo sobre as populações, nomeadamente a construção de 827
latrinas em 5 distritos.
No tocante ao sector da Educação e Cultura, várias acções tiveram
lugar no decorrer do ano que hoje termina. Foram definidos os objectivos
prioritários e estratégicos que por um lado deve nortear a vida quotidiana
desse sector e por outro contribuir para a reforma que se impõe. É de
encorajar as acções que estão a ser desencadeadas com vista a garantir a
universalização da escolaridade básica e obrigatória de 6 anos, a melhoria
da qualidade e da eficácia do ensino, o desenvolvimento do ensino
técnico-profissional, a promoção da participação da comunidade na gestão e
no financiamento da educação, o reforço da identidade nacional.
De igual modo foram formados duzentos jovens no âmbito da criação de micro
empresas com a participação de jovens com iniciativa empresarial de todos os
cantos do país.
Vinte e nove estudantes receberam os seus diplomas do nível bacharelado em
diversas áreas, nomeadamente línguas e Literaturas Modernas, Química,
Matemática e Biologia no ISP "Instituto Superior Politécnico".
Partiram para Cuba e Portugal, no mês de Outubro, cerca de 230 jovens
bolseiros com o objectivo de prosseguirem os seus estudos.
No domínio do Trabalho Emprego e Solidariedade foram aumentadas
pensões de reforma com várias intervenções nos lares dos idosos e
atendimento à população carenciada.
Foi realizado o estudo para a elaboração da Carta Social e realizada
várias acções de formação no domínio profissional.
Foi elaborada a Lei de Base da protecção Social e aprovada a Convenção
Bilateral de Segurança Social entre São Tomé e Príncipe e Portugal.
E por falar em Segurança Social, é de saudar aqui a iniciativa que foi a de
ter-se assumida a parte do déficit que esse sector tinha acumulado.
No decurso de mais um ano do meu mandato, a apreciação que se pode fazer da
situação económica e social do são-tomense é que globalmente fizemos
realizações importantes, embora resta-nos ainda um caminho longo a percorrer.
De facto o dia a dia da vida do são-tomense continua sendo caracterizado por
carências de toda a natureza, embora seja de reconhecer também, que a maioria
destes problemas encontram a sua origem nas deficiências estruturais e só
poderão ser resolvidos satisfatoriamente a médio e longo prazo. Não será
exagero se é disser que conseguimos realizações visíveis no domínio das
infraestruturas económicas, estradas e vias de acesso, créditos aos pequenos
agricultores, melhoria dos transportes aéreos com a inauguração de novas
linhas a preços concorrenciais entre outros. No quadro de reformas, o Governo
continuou a aperfeiçoar os mecanismos de gestão, no sentido da manutenção de
um quadro macro-económico estável, atingindo níveis de déficit e inflação
comportáveis. Esforços foram feitos no sentido da continuidade da aplicação
de medidas no âmbito da iniciativa HIPIC e do perdão da nossa dívida externa.
Igualmente, devemos constatar que no âmbito da captação do investimento
tanto público como privado, várias iniciativas tiveram lugar, nomeadamente o
programa de apoio aos agricultores, o programa de recuperação das
infra-estruturas, estradas, o programa de electrificação de zonas rurais e o
abastecimento de água em diversas zonas do país. Infelizmente tudo ainda não
pôde ser feito. Há dias pude constatar o descontentamento das populações
residentes ao longo da estrada Almas, Ribamato, S.Finícia, Caixão Grande,
quando ao passar por aquela zona fizera-me saber sobre o estado degradante em
que se encontra aquela estrada. A verba era pouca e tivemos que iniciar as obras
de reparação por algum sítio e foi assim que começou-se pela parte
Cidade-Capital, Pantufo, Praia Melão, Almas. Eu sei que o Governo encontrará
uma solução, em 2004, para a continuação da reabilitação do troço
Almas-Caixão Grande. Mas com alegria vimos concluída a reabilitação da
estrada de Folha Fede que tinha sido iniciada em 2002! Sabemos que muitas outras
zonas do país queixam-se do estado das estradas, de falta de água e de luz.
Continuamos esperançados que paulatinamente o Governo encontrará soluções,
não esquecendo nunca as possibilidades financeiras do país.
Devo relembrar a elaboração de um plano de emergência, que foi concebido
na sequência dos acontecimentos de 16 de Julho com vista a colmatar as
dificuldades mais prementes da população e de algumas instituições. Este
plano teve e tem como objectivo fundamental implementar projectos e acções com
impacto directo na vida das comunidades e no âmbito do alívio da pobreza.
No quadro das tarefas preliminares para o programa de redução da pobreza,
revestiu-se de grande importância a validação do documento da Estratégia
Nacional para a Redução da Pobreza.
No domínio da agricultura, foram formados pescadores e palaiês, em matéria
de reparação e de manutenção dos motores fora de bordo, de manuseamento,
conservação e comercialização de pescado para as comunidades piscatórias em
São Tomé e na Região Autónoma do Príncipe.
Foi retomado o programa de crédito às palaiês.
Deu-se continuidade a estruturação de Financiamento Agrícola e retomou-se
o programa de concessão de créditos às Associações Comunitárias de
Pequenos Agricultores e às médias empresas agrícolas.
Foram adquiridos meios rolantes no âmbito do programa de crédito colectivo
aos pequenos agricultores.
O Governo continuou a política de distribuição de terras e deste modo
foram beneficiadas cerca de 200 famílias com a distribuição de parcelas
pertencentes às dependências de Novo Destino e Bemposta, da empresa Monte
Café.
Deu-se início ao projecto de desenvolvimento da horticultura e pecuária no
Príncipe.
Foram importados mais de 200 caprinos, no quadro da cooperação espanhola,
para serem concedidos, à crédito, aos pequenos criadores de animais.
Considerando a importância do Sector privado para a redinamização da
economia, constatamos que o Governo envidou esforços no sentido de por um lado,
criar condições de regulamentação do sector, nomeadamente no que diz
respeito ao Regime Geral do Exercício do Comércio, a organização da
inscrição dos importadores por classes e a tabela geral do comércio,
indústria e turismo.
É de louvar o empenho do Governo em tentar mobilizar apoio financeiro
directo ao Sector Privado sendo de destacar os fundos provenientes dos projectos
com os Fundos da OPEC, do Banco Africano de Desenvolvimento, da Cooperação
Taiwanesa, etc.
Foi atribuída uma linha de crédito no valor de 1 500 mil dólares
americanos aos empresários nacionais.
Não poderemos nunca esperar um verdadeiro desenvolvimento sustentado do
nosso país enquanto as nossas infra-estruturas portuárias e aeroportuárias
serem o que são actualmente ou continuarem no estado em que estão. Por isso é
de felicitar o Governo pela decisão enfim tomada com lançamento, neste mês de
Dezembro de 2003, os concursos públicos para estudos de viabilidade da
construção de um porto em água profundas e da ampliação e modernização do
Aeroporto Internacional de São Tomé.
Relembremos que o Aeroporto do Príncipe, beneficiou este ano de uma
intervenção de urgência ao nível de pista.
Ainda com relação às realizações importantes, devo sublinhar que um
grande passo foi conseguido em 27 de Outubro com a realização do primeiro
leilão de blocos na zona de exploração conjunta de São Tomé e Príncipe e
da Nigéria que de acordo com as ofertas feitas, indiciam a disponibilidade de
um potencial importante em matéria de recursos financeiros, que ajudarão a
projectar São Tomé e Príncipe para uma economia moderna.
É certo que ainda estamos longe das primeiras descobertas comerciais, o que
nos permitirá entrar em fase de produção e assim dispor de fluxo de recursos
substancial para o nosso desenvolvimento. Este facto deverá conduzir-nos a
moderação das nossas expectativas, pois devemos estar conscientes das
características e complexidade desta indústria.
Estamos em fase de apreciação do relatório de avaliação das propostas
técnicas, o que nos permitirá passar à discussão dos contratos de partilha
de produção. Estamos convictos do êxito alcançado nesta etapa, o que deve
ser um motivo de felicitação e orgulho para todos. Devemos aqui felicitar o
trabalho realizado pela Autoridade Conjunta Nigéria-São Tomé e Príncipe.
Contudo, não posso deixar de relembrar a todos nesta ocasião, que ainda
estamos a dar os primeiros passos neste processo e que é minha convicção que
só a transparência, o bom senso e o envolvimento de todos cidadãos poderá
levar-nos ao êxito nesta grande tarefa.
Quanto à situação de São Tomé e Príncipe na arena internacional,
devemos dizer que o nosso país nunca outrora ocupou um tal lugar de destaque,
quer na imprensa internacional quer nas administrações dos outros países quer
nos meios comerciais e económicos estrangeiros quer no sector do turismo
mundial.
É evidente que também falam de nós quando acontece algo de mal no nosso
seio, como foi quando dos acontecimentos de 16 de Julho passado.
Também é evidente que o nosso país parece merecer colunas de jornais e
revistas estrangeiros devido ao dossier petróleo, mas não concordo com aqueles
que pretendem limitar essa popularidade externa somente devido aos interesses
que grupos económicos estrangeiros possam ter em nós em matéria do petróleo.
Paralelamente, não há dúvida que a possível existência do ouro negro nas
nossas águas marítimas tem chamada a atenção sobre nós, mas também devemos
atribuir à seriedade com que temos abordada a questão da exploração
petrolífera uns dos factores da nossa popularidade, que é sã. Tenho a certeza
que os turistas que estão neste momento no nosso país a passarem connosco as
festas do Fim do Ano, quanto não seja uma parte deles, não escolheram este
destino nesta ocasião devido ao petróleo, pois não jorra ainda nem uma gota
do petróleo das nossas águas!...
Devemos continuar a entreter as nossas relações externas com todo o
cuidado, com todo o pragmatismo e dinamismo que têm caracterizadas as nossas
acções neste últimos tempos, pois não devemos perder de vista que ainda
somos um país extremamente pobre e que continua a carecer de assistência
externa de todo o tipo.
A modernização de São Tomé e Príncipe requer uma participação e um
trabalho árduo de todos os cidadãos. Devemos estar conscientes que para operar
as transformações que pretendemos, impõe-se como tarefa primordial a
preparação do são-tomense para a nova realidade que temos pela frente. Esta
grande tarefa requer uma profunda reforma das nossas mentalidades e mudanças
substanciais da nossa atitude face ao trabalho, bem como a vida social, em
particular no meio rural.
É preciso operar transformações urgentes na nossa sociedade de modo a
reduzirmos as injustiças existentes e a encorajarmos os valores da cidadania.
Nos últimos tempos temos assistido a fenómenos de violência envolvendo
relações afectivas e muitas vezes com consequências trágicas para as
famílias respectivas. Assistimos todos a uma falta de solidariedade crescente
em relação àqueles mais vulneráveis na sociedade. Vivemos períodos ou
situações de falta de tolerância. As nossas praias continuam a ser
destruídas e o corte de árvores desregrado continua a ser praticado e como
consequência vem-se verificando desequilíbrios ecológicos. A erosão das
ilhas continua a ter lugar. Torna-se necessário que todos tenhamos uma atitude
de combate a estes fenómenos, mesmo conscientes que a pobreza continua a
afectar uma boa parte da nossa população e que a sua tendência continua a ser
de agravamento.
Estamos todos perante um desafio amplo e que requer soluções da mesma
magnitude. Por isso, lanço aqui mais um apelo a todos, no sentido de que
conjuntamente possamos esquecer as nossas mágoas e concentrar as nossas
energias em torno dos grandes objectivos do país, o que representa, ao fim ao
cabo, aquilo que nos une a todos e estejamos em condições de edificar a
modernização de São Tomé e Príncipe.
Estamos conscientes de que as necessidades da população ainda estão longe
de serem satisfeitas. o Desemprego continua elevado, os serviços de saúde não
atingem com plena satisfação à toda a população, ainda há muitas
insuficiências no sector da educação e as necessidades continuar a ser
muitas.
Mas se reconhecemos actualmente que atravessamos um período difícil, o
futuro quer me parecer muito mais prometedor. Torna-se necessário enfrentar o
futuro com optimismo e munirmo-nos de convicção de que estamos neste desafio
para vencer. É preciso assim continuar a melhorar a nossa capacidade de
diálogo e fortalecer a nossa democracia.
Considerando as nossas expectativas com moderação, estou convicto de que a
partir do ano de 2004, passaremos a beneficiar de um recurso adicional que
deverá converter em novas oportunidades de investimentos na agricultura, no
turismo, nas pescas, nas infra-estruturas, na educação e na saúde em suma, em
novos empregos e assim estaremos em condições de criar maus justiça e
bem-estar para todos.
Para tal, torna-se imprescindível ganharmos mais confiança em nós
próprios e não dispersarmos os nossos esforços, não perdermos de vista os
interesses da Nação e todos de forma conjugada e pacífica possamos edificar
com muito trabalho e esforço, o país moderno com que todos sonhamos. Estou
certo que seremos capazes de o fazer com sucesso. Estamos perante um desafio
cujos resultados poderão ser uma referência para outros povos. Sintamos o
orgulho de ser São-tomenses.
Esperemos ver-se realizado o Fórum Nacional durante o primeiro trimestre de
2004, ocasião que acho será oportuno a que os são-tomenses mais uma vez se
reencontrem e se dialoguem para a paz, a concórdia, a harmonia entre todos.
Tais encontros podem ser sempre úteis, logo que de facto contribuam a
colocar-nos a todos num caminho certo, rumo ao desenvolvimento, logo que sejam
factor de união e não ocasiões de ajuste de contas e de lavagens de roupa
suja entre uns e outros.
Vou terminar enfim esta minha Mensagem por ocasião do fim do ano 2003,
saudando daqui os nossos Compatriotas, que por um motivo ou outro, ou por
doenças, ou devido aos estudos ou por razões de natureza económica,
encontram-se longe de nós.
Saúdo igualmente todas e todos aqueles que se encontram impedidos de
celebrarem com alegria as festas deste ano, ou por doença ou por se encontrarem
impedidos de liberdade, aos primeiros desejo-lhe as melhoras rápidas e aos
outros faço votos que o mais rapidamente reencontrem o caminho da liberdade,
conscientes do mal que fizeram e determinados a retomarem a sua vida na
sociedade entre nós.
Aos membros do Corpo diplomático acreditados no nosso país, aos
Representantes das organizações religiosas, organizações não
governamentais, a todos sem excepção, espero que tenham passado um Natal Feliz
e gostaria de desejar que o ano de 2004, vos traga para todos, a realização
dos vossos sonhos.
Finalmente gostaria de exprimir aqui o meu apreço e admiração, a todos
quantos contribuíram de uma forma ou de outra para o bem estar do nosso povo e
da nossa Nação.
Estaremos de novo em 2004 cheio de esperança!.
Viva a República!
Viva o Povo São-tomense
31 de Dezembro de 2003.
|