Depois da "PUITA" quente que os deputados das bancadas da
oposição e do poder forçaram o Primeiro Ministro a dançar na última semana
durante os 3 dias de debate do orçamento geral do estado, esta terça feira
Patrice Trovoada e o seu elenco são convocados para uma "TARRACHARINHA"
apertada. O DJ da sessão (Presidente da Assembleia Nacional), deverá as nove
horas da manhã de terça-feira mandar apagar a luz no hemiciclo para os
deputados e o governo começaram a "TARRACHAR". Se as demarches
políticas da coligação tripartida no poder realizadas no último fim de
semana surtirem efeito, a dada altura da sessão o DJ poderá anunciar, como
diz uma das músicas que está na moda em São Tomé, "Falta beijo, beijo,
.....tá tarrachar, tá tarrachar, ....beijo, beijo. Será o anúncio da
salvação do governo que nasceu no dia dos namorados.
Para evitar o aperto da TARRACHINHA(dança de origem angolana em que o homem e a mulher
ficam colados um no outro, e que está na moda em São Tomé), marcada para esta
terça-feira, ou seja, a vitória da moção de censura apresentada pelo
MLSTP/PSD, contra o governo de Patrice Trovoada, a inter partidária órgão
criado pelas três forças que assinaram em Fevereiro passado o acordo de
incidência parlamentar para sustentar o novo executivo, esteve reunido várias
vezes durante o último fim de semana, em busca de entendimento para ser maioria
e evitar a
queda do governo.
A sala de reuniões do Hotel Miramar, foi o palco escolhido
pela coligação MDFM/PCD e
ADI, para tentar entendimento e dizer ao país e ao mundo nesta terça-feira no
hemiciclo parlamentar, que o champanhe que abriram em Fevereiro passado na mesma
sala do hotel(foto confirma), para celebrar a coligação maioritária não foi apenas uma
grande brincadeira.
A mesma sala que viu Patrice Trovoada enquanto Secretário Geral da ADI,
João Costa Alegre enquanto Secretário Geral Adjunto do MDFM/PL e Albertino
Bragança na qualidade de Presidente do PCD, assinarem o acordo de incidência
parlamentar e garantirem ao mundo que estavam politicamente unidos até 2014,
registou nos últimos dias os sinais do divórcio, 3 meses depois do estoiro das
garrafas de champanhe que anunciavam o nascimento da nova coligação com 34
assentos num parlamento de 55 deputados.
Pelo que o Téla Nón apurou a tensão entre as forças que compõem o
governo está num nível irreversível. O governo liderado pelo partido que não
ganhou as eleições, provocou choques e abriu feridas de difícil cicatrização.
O afastamento da estrutura do executivo de personalidades que deram forma a
vitória da coligação MDFM-PCD nas eleições legislativas de 2006, nunca foi
bem aceite e segundo fonte do Téla Nón, terá chegado o momento da desforra
final. «Pelo que entendi Patrice Trovoada só poderá regressar ao poder por emanação
popular, ou seja, indo primeiro as urnas», afirmou a fonte do Téla Nón, que
tem acompanhado o debate da crise tri-partidária na sala de reuniões do hotel
Miramar.
A fonte disse também que a repartição de tachos no seio da coligação é
outra razão do desentendimento. Há um partido, a fonte não quis dizer o nome,
que se manifesta prejudicado com as opções de Patrice Trovoada na hora de
distribuir os tachos. A recente composição da administração do Banco
Central, é um exemplo, relatou a fonte do Téla Nón.
A fonte acrescenta para o Téla Nón, que
«Ninguém que tem o poder pode
entrega-lo de mão beijada a outro», declarou fazendo referência ao que pode
acontecer com a coligação tripartida no poder caso a moção de censura vença
no parlamento. O MLSTP/PSD que já tem toda a sua máquina lubrificada e
preparada para a corrida eleitoral, rapidamente será governo, uma vez que nem o
MDFM nem a ADI, estão estruturados para enfrentar imediatamente um embate
eleitoral. A fonte considerou o PCD como único partido da coligação que ainda
pode fazer alguma coisa, «porque a semelhança do MLSTP/PSD, no entanto com
menos fulgor, tem estado em contacto permanente com as suas bases», concluiu a
fonte.
Sem a inter-partidária
transpirar qualquer entendimento, pelo menos até o fecho desta edição o hemiciclo parlamentar prepara-se para a sessão de debate da
moção de censura. O Presidente da Assembleia Nacional, Francisco Silva, já disse que está
tudo a postos. A TARRACHINHA, está garantida para esta terça-feira. Pena é
que o Presidente da República Fradique de Menezes, está ausente do país e por
um período de 30 dias. Por isso não vai poder acompanhar em directo na TVS e
também na Rádio Nacional, a dança de sobrevivência do governo que ele criou,
ou então, a queda do mesmo executivo, ao som da TARRACHINHA de Rafael Branco, ao
que tudo indica o Chefe da Orquestra.