A crise política tende a
evoluir para a loucura. A coligação MDFM que disse não querer mais governar
com o PCD tendo mesmo denunciado a coligação vencedora das eleições, aceitou
o consenso saído da reunião com o Presidente da República para que fosse dada
ao MLSTP/PSD a responsabilidade de constituir um novo governo, uma vez que
tinham-se esgotadas todas as possibilidades de entendimento entre os partidos
com vista a criação de um governo de consenso ou de unidade nacional. Aliás
foi o próprio Chefe de Estado quem anunciou isso mesmo no átrio de entrada do
Palácio do Povo. Mas, nas últimas horas o secretário geral adjunto do partido
João Costa Alegre veio exigir que o Chefe de Estado retomasse as negociações
com as 4 forças políticas no sentido de constituir um governo de unidade
nacional que tinha abortado nas anteriores 5 rondas negociais.
João Costa Alegre fez tais
exigências após encontro no último fim de semana com o Secretário Geral da
ADI, Patrice Trovoada. Estranho é ó facto do líder do MDFM / PL Tomé Vera
Cruz que nos últimos dias tem dirigido as negociações não ter tomado parte
na reunião entre os dois partidos políticos. O seu secretário geral adjunto
é que representou o MDFM/PL e falou em nome do partido. «Vamos sugerir ao senhor
Presidente um encontro no sentido de expormos a nossa preocupação. Nós o MDFM
decidiu não fazer parte deste governo nem tão pouco dar apoio e
sustentabilidade parlamentar. Vamos falar com o senhor Presidente sobre esta
situação e sugerir ao Presidente que efectivamente se consiga reunir o mais
rapidamente possível os 4 partidos políticos no sentido de sabermos porquê
que não organizamos em São Tomé e Príncipe um governo de unidade nacional»,
declarou João Costa Alegre.
O secretário Geral Adjunto do
MDFM/PL, afirmou ainda que se as suas exigências não forem tidas em conta
medidas serão tomadas. «Tomaremos outras medidas no sentido de convidar os
nossos deputados que fazem parte da Assembleia a abandonar o grupo parlamentar.
Pensamos que tudo o que podemos fazer para evitar que quem não ganhou as
eleições governe», pontuo o líder do MDFM, partido que em Fevereiro
último deu a liderança do governo para um partido que não ganhou as
eleições, neste caso a ADI terceira força política são-tomense.
Cartas baralhadas, dito pelo não
dito, confusão total, a opinião pública são-tomense parece já não entender
mais nada. No entanto o Téla Nón sabe que o Presidente da República reabriu
na manhã de segunda-feira mais uma ronda de contactos e auscultação com os
partidos políticos representados no parlamento.