O partido que perdeu as
eleições legislativas de 2006, já foi convocado pelo Presidente da República
para formar o décimo terceiro governo constitucional. O MLSTP/PSD, decidiu
assumir a decisão do Chefe do Estado Fradique de Menezes, resultante de uma
proposta feita pelo partido PCD. O partido liderado por Rafael Branco, deverá
governar São Tomé e Príncipe até 2010. Rafael Branco anunciou que vai
conversar com as outras forças políticas com representação parlamentar e a
sociedade civil para dar sustentação ao executivo que de acordo ao Presidente
do MLSTP/PSD, será o melhor de sempre, para que o povo comece a acreditar no
estado e na política.
Política são-tomense não para
de surpreender os cidadãos nacionais e certamente o mundo. É excitante,
imprevisível, e até mesmo louco. De forma volátil, quem perde as eleições
passa a governar, quem ganha passa a ser oposição, enfim o arquipélago já se
transformou num laboratório de casos e de experiências políticas.
O MLSTP/PSD que saiu derrotado
nas eleições legislativas de 2006, vai agora governar o país para cumprir uma
legislatura em que começou como oposição. Tudo porque os partidos que
ganharam as eleições já não se entendem e as tentativas do Presidente da
República para formar governo de consenso não resistiram a contenda. «Desde
que arrebentou a crise o MLSTP tem participado nesses encontros com uma
posição que é conhecida. A nossa posição de princípio é que as eleições
antecipadas seriam o melhor instrumento para clarificamos o quadro político
nacional e dar ao país e o governo que saísse dessas eleições um governo com
uma legitimidade nova. Essas discussões aqui com o senhor Presidente da República
levaram-nos a conclusão de que não há condições para que as eleições
antecipadas tivessem lugar. No terceiro lugar ficou evidente que não havia
condições para se formar quer um governo de consenso, quer um governo de
missão que esteve sobre a mesa para conduzir o país até ao ano que vem e
depois disso organizarmos as eleições», explicou o líder do MLSTP/PSD
Rafael Branco.
Razões que fizeram o MLSTP/PSD
saltar da oposição para o poder. O partido PCD, que nunca admitiu a
possibilidade do Governo cessante de Patrice Trovoada continuar em funções
até a realização de eleições legislativas antecipadas, contrariando assim
os boatos divulgados por alguma imprensa em forma de notícia, apresentou ao
Presidente da República a proposta que atribuiu a segunda força política mais
votada a responsabilidade de formar o executivo. «Se nós aceitamos esse
desafio é porque sentimos que é nossa responsabilidade dar a São Tomé e
Príncipe um governo. Mas não dar a São Tomé e Príncipe o melhor governo
possível nestas circunstâncias e queremos dar a São Tomé e Príncipe um
governo que assegure a tranquilidade e a paz social no país e que possa apontar
ao nosso povo os caminhos da esperança», assegurou o Presidente do
MLSTP/PSD.
Rafael Branco manifestou-se
pronto para ser primeiro ministro. Basta apenas a confirmação da sua comissão
política. «Se o partido pedir para designar, designarei alguém que o
partido aceite. Se o partido designar a mim, como eu disse sempre, sou um
servidor de São Tomé e Príncipe e portanto todos os desafios são possíveis
nunca o MLSTP fugiu a qualquer responsabilidade. Isso é mais um desafio que
atrapalha os nossos planos. Os nossos planos eram concorrer as eleições
legislativas, buscar uma legitimidade que viesse das urnas, mas temos que ver
para a nossa população. Iremos fazer o melhor para que o nosso povo comece a
acreditar no estado, nos políticos e na política», precisou.
Para fazer diferença, para
construir um governo melhor, e certamente para consolidar o poder do MLSTP/PSD
de agora até ao futuro longínquo, Rafael Branco, disse que vai abrir
negociações com as outras forças políticas com representação parlamentar e
com a sociedade civil. O líder do MLSTP/PSD que com inteligência política
conseguiu derrubar dois governos da conflituosa família da mudança. num
espaço de tempo 90 dias, deseja que o governo do seu partido tenha
sustentação sólida. «Vamos a procura da sustentabilidade parlamentar, se
não houver sustentabilidade parlamentar, o MLSTP simplesmente diz ao senhor
Presidente da República que não tem sustentabilidade parlamentar e tem-se que
procurar outra solução. Mas nós nunca governaremos sem apoio parlamentar»,
assegurou.
O poder volta para as mãos do
MLSTP/PSD, partido que a coligação da família da mudança vencedora das
eleições, expulsou grande parte dos seus quadros dos cargos estratégicos da
administração pública. Agora regressam do deserto com bastante sede. Resta
saber se vai concordar com os tachos que a família da mudança distribuiu para
os seus membros. Talvez por isso alguns sectores da família conflituosa,
chamada de mudança, já estão a manifestar grande preocupação.