Foi
sem dúvidas o partido que deu as cartas em todo o
processo negocial da crise política. Nunca admitiu a
possibilidade do governo de Patrice Trovoada por ele
derrubado através de uma moção de censura,
continuar a dirigir o país, até a realização de
uma hipotética eleição legislativa contrariando
assim os boatos nesse sentido divulgados como sendo
notícia. Porque as tentativas do Presidente da
República para reconciliar a coligação MDFM-PCD,
nem tão pouco as iniciativas para constituição de
um governo de consenso tiveram êxito, o PCD propôs
ao Chefe de Estado que fosse dada a segunda força
política do país a responsabilidade de formar o novo
governo. O MLSTP/PSD vê interrompida a sua travessia
no deserto e a conflituosa família da mudança, que
venceu as eleições fica a margem do poder, quem sabe
para sempre.
O PCD
diz que sentiu que as negociações inter-partidárias
com vista a criação de um governo de consenso
estavam a ser intermináveis, e que começavam a
chegar sinais preocupantes da sociedade civil. Por
isso teve que agir. «Apercebendo dos sinais que nos chegavam da sociedade civil, das
populações e de outros sectores da vida nacional, vendo a ansiedade que se
vinha criando em torno desta questão e porque os partidos com assento
parlamentar em discussão não chegavam a qualquer acordo, nós vimos que estas
negociações não poderiam continuar de forma interminável. Decidimos
confrontar o MLSTP que dizia que não quer governar, que não queria entrar no governo com as suas
responsabilidades», declarou o Presidente do PCD
Albertino Bragança.
No
átrio de entrada do Palácio do Povo, o líder do PCD,
explicou ainda que o Presidente da República havia
posto em marcha duas acções com vista a reconciliar
o seu partido e o MDFM/PL. Vencedoras das eleições
de 2006, as duas forças políticas ficaram de costas
viradas por iniciativa do MDFM, que decidiu em
comunicado romper o acordo de coligação, apenas
porque o PCD tinha retirado confiança política ao
Primeiro Ministro Patrice Trovoada líder da
ADI.
O Téla
Nón sabe que a decisão do MDFM/PL saída de uma
reunião da comissão política não foi consensual. A
maioria dos membros não queria que o partido pusesse
em causa a coligação com o PCD apenas para defender
Patrice Trovoada. Só mais tarde os mentores da
renúncia da coligação deram conta da asneira que
fizeram. Tarde de mais, porque mesmo as tentativas do
Presidente da República para reconciliar os dois
partidos não surtiram efeito. «Não obstante termos no domingo passado a pedido do senhor
Presidente da República tido um encontro com uma delegação do MDFM chefiada
pelo seu secretário geral o senhor Tomé Vera Cruz, não foi possível reconsiderar
a posição do MDFM, por isso mesmo não foi possível retomar a coligação»,
pontuou Albertino Bragança.
Com a
coligação vencedora das eleições fora de campo, e
tendo em conta que o país não tem condições para
realizar eleições legislativas antecipadas, o PCD
pôs na mesa o último trunfo. «Nós chamamos a atenção do MLSTP que
devia assumir as suas responsabilidades. Vimos que a segunda força seria obrigado
a fazê-lo. Talvez tenhamos sido um pouco duros na nossa exposição mas, o
certo é que o MLSTP consultou os seus órgãos e tomou a posição que quanto a
nós deveria tomar aos olhos da opinião pública nacional. Fizemos isso na
medida em que era a única saída possível após o fracasso da coligação»,
reforçou.
O PCD
manifesta-se disposto a sustentar o novo governo, por
isso mesmo já reuniu a sua comissão política. «Ou entrar no
governo ou dar o apoio parlamentar. É uma questão que tem-se que ver com o
MLSTP», concluiu.
Com uma
cajadada o PCD matou vários coelhos. Primeiro
fragiliza o MDFM/PL do Presidente Fradique de Menezes,
que é o principal partido do governo demissionário,
põe Patrice Trovoada que defendia a realização de
eleições legislativas antecipadas fora de combate, e
relança o partido da independência o MLSTP/PSD na
governação do país.