Quarta-feira
foi dia de luto nacional. Um decreto do governo assim o determinou, para
homenagear a doutora Julieta Graça do Espírito Santo, que foi a enterrar no
cemitério da cidade da Trindade. Conhecida como mãe da enfermagem de São
Tomé e Príncipe a médica que nos últimos anos dirigiu o projecto de saúde
Valle-Flor, agora designado Saúde para Todos, é considerada como uma das
referências do nacionalismo são-tomense.
O
Presidente da República Fradique de Menezes e o seu predecessor Miguel
Trovoada, marcaram presença no acto fúnebre que teve lugar no cemitério da
cidade da Trindade. Filha de de uma dos grandes nacionalistas são-tomense,
Januário Graça do Espírito
Santo e da são-tomense Branca Gonçalves Ponto da Graça do Espírito Santo, a
médica de que muitos são-tomenses guardam boas recordações, foi pioneira na
prestação dos cuidados de saúde num país que nascia da colonização sem
quadros clínicos.
O
Ministro da Saúde, Arlindo Carvalho fez referência a duas etapas do seu
percurso profissional sendo antes e após a independência. « No
período colonial foi médica de cabeceira, docente de carreira de enfermagem,
chefe dos serviços de medicina hospitalar e médica inspectora dos serviços da
saúde. Após a independência
ocupou os cargos e direcção geral dos serviços de saúde, directora do
planeamento e relações internacionais, coordenadora nacional da OMS
em São Tomé
e Príncipe. Posteriormente torna-se em 1995 representante do Instituto Marques
de Valle de Flor e coordenadora dos projectos de saúde dessa instituição.
A partir de 2005 iria-se tornar a Admnistradora do Projecto Saúde para
Todos, cargo que exerceu até então»,
explicou o ministro da saúde.
Por
sua vez, Carlos Tiny em nome da classe médica afirmou que é necessário erguer
bem alto os bons ensinamentos deixados pela Doutora Julieta da Graça do Espírito
Santo « Para que sobretudo hoje quando
os valores morais e humanos ameaçam abandonar-nos para emigrar para outras
paragens, aos mais jovens possam ser apresentado um modelo concreto daquilo que
é ser um trabalhador digno em particular um médico exemplar. Não sei se será
exagero dizer-se que com ela morreu um pouco o sistema nacional da saúde são-tomense,
um pouco de dois mesmos os que com ela aprendemos o que é ser médico e
dirigente da saúde» afirmou.
As
forças políticas também reagiram a morte da Doutora Julieta, como era
conhecida no seio dos são-tomenses. A mulher que foi também deputada a
Assembleia Nacional, é considerada pelo MLSTP/PSD como
nacionalista convicta e cidadã exemplar e referência profissional e cívica
para a nova geração.
O
Partido de Convergência Democrática, PCD, que sustenta a actual Coligação no
Poder, também já apresentou condolências a família enlutada. «Foi também
uma patriota, cidadã corajosa e digna, tendo sido uma mulher sempre fiel as
suas convicções e princípios», diz o PCD. Gesto idêntico teve a ADI,
partido político em que a Doutora Julieta vinha militando desde a sua
criação.
Julieta
da Graça, faleceu na sua residência, sita na Marginal 12 de Julho na Cidade de
São Tomé.