Falar da Importância dos
Recursos Humanos para a Qualidade do Turismo - no âmbito nacional -, é o mesmo
que visitar um destino conceptualmente profuso e difuso onde se acomoda
facilmente a desorientação.
De facto, confronta-nos com
termos como o conhecimento, competências, capacidade,
habilidades, atitudes, sustentabilidade, responsabilidade, valorização,
experiências, motivação, comportamentos, etc. sem que sejam imediatamente
claras as fronteiras e as correlações existentes entre eles.
Deste modo, A Importância dos Recursos Humanos para a Qualidade do Turismo vem
uma vez mais, avivar o que parece estar sabido mas esquecido por muitos.
Alertar, penso eu, que o futuro do turismo está na formação dos seus
intervenientes, aliás, pensa-se que com a formação podemos proporcionar
experiências memoráveis, avivar os sentidos dos alocêntricos, psicocentricos, que nos visitam.
Alertar para a importância dos
recursos humanos como factor de atractividade, de prestação de um serviço de
qualidade e rentável, alertar para a necessidade de se investir nos recursos
humanos, é também o que se pretende. Porém, sabemos de antemão que apostar no
turismo de qualidade passará por uma aposta nas pessoas, de modo que sejam
capazes de compreender e percorrer a sustentabilidade no plano económico,
ambiental e social.
A utilidade da formação dos
recursos humanos no turismo é um tema acessível e simultaneamente complexo
quando se trata de demonstração numa perspectiva de “todos sabem mas ninguém
exerce”.
Mesmo não pretendendo trilhar em
demasiado pelo caminho que marca a história no tocante ao tema, é fundamental
percebermos que são as pessoas que garantem a flexibilidade, a velocidade de
adaptação da empresa e do valor agregado aos produtos assim como dos serviços,
conduzindo portanto as metas da qualidade. Isto é, deve-se sublinhar que,
somente por intermédio de pessoas se garantirá a qualidade ambicionada, a
produtividade crescente, a aprendizagem contínua e a inovação que são
efectivamente as condições fulcrais para o sucesso.
A aquisição e manutenção de
vantagens competitivas em um ambiente de profundas transformações têm
“empurrado” as empresas ligadas ao ramo turístico-hoteleiro a uma revisão dos
seus parâmetros de gestão. Ou seja, que a principal característica desta
revisão está na consciência de que a participação e o envolvimento das pessoas
com objectivos organizacionais representa um diferencial competitivo e
estratégico. Todavia atenta à importância da reflexão sobre este tema, o
investimento e adaptação das organizações às pessoas tem constituído, cada vez
mais, a certeza de que nenhuma organização logrará ter a qualidade aceitável no
turismo senão ver satisfeita a demanda da motivação, da integração ou da
adaptação, de recompensas e do reconhecimento bem como o respeito, a
valorização e a formação dos seus colaboradores.
Em São-tomé e Príncipe os
profissionais afectos a área do turismo não têm ainda um “estatuto” reconhecido
por aquilo que faz. Pode-se mesmo questionar se (se) este desprestígio é
consequência de (pouca) mão de obra formada e/ou mal formada ou da cedência de
exploração de alguns estabelecimentos (no caso dos restaurantes, residências,
etc.) a indivíduos sem formação na área, ou ainda, do monopólio que certas
cadeias têm do mercado exercendo desta forma os seus poderes buscado apenas o
lucro em detrimento da valorização dos seus colaboradores.
Porém,
sabemos de antemão que apostar no turismo de qualidade passará por uma aposta
nas pessoas, de modo que sejam capazes de compreender e percorrer a
sustentabilidade no plano económico, ambiental e social.
Pensa-se também que este patamar poderá ser
atingido se as organizações começarem a reflectir sobre as suas responsabilidades
e começarem a entender a real importância da pessoa humana nas organizações.
Outra
questão pertinente que se pode colocar, consiste
em saber o que leva um cliente a regressar ao destino/local onde estivera,
tendo sempre presente a importância dos recursos humanos.
Não obstante, quando se fala dos
recursos humanos para atingir a tão desejada qualidade, não podemos pensar
apenas naqueles que estão relacionados de forma directa com a actividade turística/hoteleira;
a população local tem um relevo especial, e
deverá ter intervenção no fomento do bem-estar
comum. É fundamental uma sensibilização constante, a intervenção da população
local sempre apoiada por iniciativas organizacionais no cumprimento da responsabilidade
social das mesmas, como forma de fomentar todo um conjunto do património
artístico, histórico-cultural, natural, entre outros para o benefício de todos.
Como se pode perceber, “A Importância dos Recursos Humanos para a
Qualidade do Turismo”, é um artigo aberto, querendo constituir uma pequena
reflexão sobre a importância dos recursos humanos como responsável pela
Qualidade no Turismo.
O turismo
tendo na sua génese a prestação de serviço exige, atitude, carácter e
comportamento de quem serve e das competências dos líderes.
A qualidade
do turismo está intrinsecamente relacionada com os recursos humanos. Aliás, todas
as transformações que se vive deve-se a intervenção do Homem, umas mais conscientes
que outras, resultado do maior ou menor grau de instrução dos mesmos, estando
sempre a formação na base das atitudes e/ou comportamentos por ele assumido.
Assim
sendo, a qualidade do turismo não é mais que a correlação entre a
sustentabilidade económica, ambiental e social.
A Qualidade
do Turismo não se consegue através da simples contratação de pessoas com base
em curriculum vitae nem tão das competências técnicas.
Podemos
então concluir relativamente a pertinência deste artigo, que a correlação
possível deva observar um comportamento piramidal, sendo a base constituída por
respostas para questões como a sustentabilidade económica, ambiental e social;
só assim no topo da pirâmide consigamos atingir aquilo que todos pretendem
prosseguir que é a Qualidade do turismo.
* Andersone da Silva,
Licenciado em Gestão
Turística e Hoteleira